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Obesidade Infantil

Ministério da Saúde orienta alimentação saudável e atividade física para combater a obesidade infantil

A cada dez crianças brasileiras na faixa etária entre cinco e nove anos, três estão acima do peso de acordo com dados do Ministério da Saúde
Publicado em 22/11/2019 15h08 Atualizado em 22/11/2019 15h09
Ministério da Saúde orienta alimentação saudável e atividade física para combater a obesidade infantil

Foto: Ministério da Saúde

São 2,4 milhões de crianças com sobrepeso, 1,2 milhão com obesidade e outras 755 mil com obesidade grave. Os hábitos alimentares errados, com consumo excessivo de industrializados, e a falta de atividades físicas são fatores que contribuem para o quadro de excesso de peso infantil.

Priorizar uma alimentação saudável, incentivar que as crianças fiquem menos tempo na frente de celulares e televisão e façam mais atividades físicas  estão entre as orientações da primeira campanha de prevenção e controle da obesidade infantil, lançada pelo Ministério da Saúde no último dia 13. Os pilares da campanha são promoção da alimentação adequada e saudável, mais atividade física e menos tempo de tela.

A coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Gisele Bortolini, explicou que a orientação para os pais e responsáveis é descascar mais e desembalar menos, ou seja, consumir mais alimentos in natura e evitar os ultraprocessados como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e bebidas açucaradas. Além de engordar, esses alimentos prejudicam a saúde e causam diabetes, hipertensão, colesterol alto e até doenças cardíacas.

Gisele Bortolini, Coordenadora de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde. Foto: EBC

“As crianças estão comendo menos arroz e feijão e comendo mais alimentos ultraprocessados. Estão brincando menos, ficando muito tempo na frente das telas. E tem o ambiente onde estão inseridas. Se elas têm acesso a alimentos saudáveis, tem a opção de escolhê-los, agora, se ela está em uma escola, um lar ou comunidade onde só tem alimentos ultraprocessados, ela acaba consumindo esses alimentos”, disse Gisele Bortolini. 

Os dados do Ministério mostram que 15,9% das crianças menores de cinco anos têm excesso de peso. Revela ainda que o consumo de ultrapocessados começa cada vez mais cedo. Uma pesquisa de 2018 detectou que 49% das crianças de seis a 23 meses já havia consumido esse tipo de alimento. 

No Centro Especializado em Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh), localizado no Distrito Federal, e que integra o Sistema Único de Saúde (SUS), um grupo multidisciplinar acompanha crianças com obesidade. O residente em nutrição, Lucas da Silva Ferreira, integra o grupo e observou que as crianças que chegam ao centro com sobrepeso consomem muito os industrializados.

O ambiente familiar também é determinante nos casos de obesidade, segundo Lucas. Por isso, é fundamental mudar os hábitos da família. “Tentamos acompanhar a família para que possamos mudar os hábitos da casa mesmo. Se observamos que os pais têm um hábito alimentar que não é adequado, as crianças provavelmente vão ganhar peso demais ou vão consumir alimentos que não são adequados para elas”, afirmou. 

A mudança nos hábitos alimentares chegou até a casa da pequena Mariana Lopes, de nove anos. A mãe, Luciene Batista Lopes, contou que ela tem excesso de peso desde bebê. Em junho, a menina iniciou o acompanhamento no Cedoh com profissionais como nutricionista e psicólogo e desde então a rotina de casa mudou. Luciene e o marido começaram fazer atividade física para acompanhar Mariana e realizaram substituições de alimentos, como trocar o achocolatado por chocolate em pó e a farinha branca por aveia.Mariana Lopes, 9 anos. Foto: EBC

“No Cedoh tem palestras, eles trazem vídeos que abrem nosso conhecimento para o que é bom, saudável, em relação às porções, alimentos saudáveis. Cada vez que a gente vai temos uma oportunidade de aprender. Não só ela que está entrando nessa linha de hábito saudável, mas a família também”, disse Luciene Lopes. E Mariana aprovou as mudanças “Aprendi muitas coisas de emagrecer, comer pouco, comer verdura”, contou. 

A psicóloga do Cedoh, Andressa Pereira, diz que tratar a obesidade ainda durante a infância é importante para evitar não apenas as complicações de saúde como diabetes e hipertensão, mas também problemas psicológicos como depressão e expor a criança a casos de bullying. “Não sabemos como ele vai lidar com isso, com a ansiedade. São fatores que implicam no seu desenvolvimento”, explicou.

Além de cuidar da parte alimentar, os pais também podem incentivar brincadeiras para que as crianças se movimentem mais, sugere a psicóloga. “O pai pode voltar ao passado dele, e como eram as brincadeiras, ir pra rua, jogar queimada, futebol. Envolver o filho nessas atividades. O que propomos em grupo é fazer uma caminhada, dançar com o filho, fazer alguma atividade que tire ele da tela ou do quarto”, observou Andressa Pereira.

 

Ações de prevenção à obesidade infantil: O programa Crescer Saudável, que funciona no âmbito do Programa Saúde na Escola (PSE), é uma das principais estratégias do Ministério da Saúde para prevenir a obesidade infantil. Em 2019, 4.118 municípios aderiram ao Programa e receberam repasse de R$ 38,8 milhões para executarem ações de promoção da saúde. Há ainda a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil, que qualifica os profissionais da atenção primária para incentivar o aleitamento materno e a alimentação saudável para crianças menores de dois anos.