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População do entorno da Usina de Belo Monte recebe ações de saúde e capacitação

Municípios recebem investimento em educação, saúde e segurança pública
Publicado em 29/11/2019 11h14 Atualizado em 29/11/2019 15h47
População do entorno da Usina de Belo Monte recebe ações de saúde e capacitação

Curso de informática oferecido pela Norte Energia em Altamira (PA). Foto: EBC

Redução dos casos de malária, construção de escolas e de unidades de saúde e criação de cursos profissionalizantes são algumas das ações implementadas em municípios do Pará (PA) que estão no entorno imediato da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. As atividades são desenvolvidas pela Norte Energia, consórcio de empresas responsável pela obra.

O conjunto completo de ações consta no Projeto Básico Ambiental e são condicionantes atreladas à implantação da usina. O documento tem 117 programas e projetos que buscam garantir qualidade de vida às comunidades da região, conservação do meio ambiente e ampliação do conhecimento científico sobre a Amazônia. Os investimentos da Norte Energia na área socioambiental somam cerca de R$ 6,3 bilhões.

Os investimentos foram mais significativos nos cinco municípios vizinhos ao empreendimento que são Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitória do Xingu. Nesses locais foram realizadas 78 obras de educação, como construção, reforma e ampliação de unidades educacionais, e implantadas 31 Unidades Básicas de Saúde, além de três novos hospitais e investimentos na segurança pública.

Altamira, cidade mais populosa do entorno da hidrelétrica, foi a que recebeu maior investimento, R$ 1,5 bilhão. Foram construídos seis novos bairros e foi edificado e ampliado sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário.

Incentivo à profissionalização

Além da implantação de saneamento e construção de hospitais e escolas, também se estimulou o empreendedorismo e o fortalecimento das cadeias produtivas locais e do turismo. Foram feitas capacitações para formar novas categorias profissionais.

A coordenadora de projetos sociais da Norte Energia, Fernanda Mayrink, contou que nos bairros construídos em Altamira (Reassentamentos Urbanos Coletivos) são desenvolvidas ações de cidadania que tratam de saúde, capacitação e renda. São cursos de corte e costura, informática e mecânico de moto, ações de saúde preventiva e emissão de documentos.

A babá Vanessa Souza está fazendo o curso de informática da Norte Energia, em Altamira (PA). Foto: EBC

Fernanda Mayrink relatou que as atividades são constantes. “Essa ação é perene e sustentável. Estamos aqui e é só o começo. Algo que a população demandou muito foi a emissão de identidade, carteira de trabalho, CPF, ou seja, para que todos tenham cidadania”, descreveu.

Vanessa Souza é babá, vive em Altamira, e está fazendo um curso gratuito de informática básica, que é uma das ações da Norte Energia. Ela contou que viu na capacitação uma oportunidade de novos caminhos profissionais. “Conhecimento nunca é demais”, e completou. "Sempre é bom a gente ter a oportunidade de aprender mais porque não sabemos o que vem pela frente, no futuro. Eu tinha começado um curso de informática básica, mas não terminei porque era pago e eu não trabalhava. É bom para colocar no currículo e posso tentar algo”.

Começando o curso de corte e costura, a dona de casa Máxima Coelho disse que está em busca de ter uma renda para ajudar nas despesas de casa. “Quero começar costurar para fora para ter uma renda. Por isso vim aqui. Gostaria que viesse agora curso para alta costura, com outros tecidos”, afirmou.

Combate à malária

Na região Norte são comuns registros de casos de malária, doença infecciosa transmitida por mosquito. Por isso, na área de saúde foi implementado em 2011 o Plano de Ação para Controle da Malária, que reduziu em 96% os casos da doença nos cinco municípios do entorno da usina.

Em novembro e dezembro de 2017 não houve registro de nenhum caso da doença na região, fato considerado inédito. No início do projeto da usina de Belo Monte os municípios registraram cerca de 5 mil casos da doença.

O plano de ação já investiu R$ 36 milhões para o combate à malária. Há previsão de serem empregados outros R$ 18 milhões até 2021. As ações implementadas pela Norte Energia na área de saúde são feitas em parceria com o estado, os municípios e o Governo Federal.

Gecilda Aparecida de Lima, coordenadora de saúde pública da Norte Energia. Foto: EBC

A coordenadora de saúde pública da Norte Energia, Gecilda Aparecida de Lima, explicou que o trabalho inicial nos municípios foi de enfrentamento porque o número de casos de malária era muito alto. Foram distribuídos mosquiteiros para a população e veículos para as atividades de controle e combate dos municípios, além de visitas de agentes de combate de endemias e orientação à população local.

“Se dizia que a malária iria perder o controle e, muito pelo contrário, conseguimos praticamente zerar a doença na região”, disse Gecilda, acrescentando que no município de Brasil Novo não há registro de malária há seis anos e em Anapu nenhum caso em 2019.

Uma vez que a doença está controlada, a coordenadora de saúde diz que o foco do plano agora está na vigilância para quebrar o ciclo de transmissão da malária. “Nosso maior desafio agora é o trabalho de vigilância. Não temos mais aqueles focos pontuais de transmissão. Temos que trabalhar agora todo o tempo com educação em saúde e observação”, pontuou.

Antônio Fernandes Oliveira, de 39 anos, mora em Altamira e pegou malária pela primeira vez com três meses de idade. Na adolescência, ele contraiu a doença mais vezes. Ele conta que há anos os casos foram reduzidos na região. “Eu ficava com o corpo todo doído, mesmo no sol dava calafrios. Mas foi vencido, nunca mais ouvimos falar num ataque de malária. Aqui, em Altamira, acabou mesmo a malária”, concluiu. Antônio recebeu a visita de agentes de endemias, fez o teste rápido de malária e ganhou um mosquiteiro, que foi instalado na rede onde ele dorme para se proteger do mosquito transmissor.

 

Inauguração de Belo Monte - Na quarta-feira (27), a Usina Hidrelétrica de Belo Monte entrou em plena operação. O presidente Jair Bolsonaro, a primeira dama Michelle Bolsonaro, e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, participaram da cerimônia que ocorreu em Vitória do Xingu, marcada pelo acionamento da última unidade geradora, a 18ª turbina da Casa de Força Principal da Usina. Com a plena operação da Usina, a capacidade instalada de Belo Monte chega a 11.233,1 megawatts (MW), tornando-se a maior hidrelétrica 100% brasileira.