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PESQUISA

Bolsista da Capes vence prêmio que reconhece o trabalho de pesquisadoras

O “Para Mulheres na Ciência” premia sete jovens pesquisadoras anualmente. Jaqueline Godoy foi a ganhadora na categoria matemática
publicado 24/10/2019 16h31, última modificação 24/10/2019 16h31
Jaqueline Mesquita durante premiação do "Para Mulheres na Ciência" Foto: Divulgação L' Oréal  Brasil

Pós-doutora em matemática, professora e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jaqueline Godoy Mesquita foi a vencedora do prêmio “Para Mulheres na Ciência” na categoria matemática. A iniciativa reconhece anualmente o trabalho de pesquisadoras nas áreas de ciências da vida, matemática, física e química. 

A premiação direcionada às mulheres quer apoiar a participação delas na ciência e incentivar profissionais promissoras buscando trazer o equilíbrio de gênero ao meio científico. Este ano o tema foi "Transformação do Panorama da Ciência no País”. A iniciativa é uma parceria entre a L’Oréal, a Unesco e a Academia Brasileira de Ciências. Desde 2006, sete jovens pesquisadoras são premiadas anualmente em diferentes categorias. 

Atualmente professora do Departamento de Matemática da Universidade de Brasília (UnB), Jaqueline Godoy tem uma longa trajetória de estudos na matemática, e parte dela foi percorrida com bolsas da Capes. Ela considera que as iniciativas que reconhecem o trabalho das mulheres na área científica são fundamentais para desconstruir estereótipos e preconceitos e buscar a equidade de gênero. 

Jaqueline Mesquita, professora e pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB) Foto: Divulgação L´ Oréal Brasil

Enfrentei vários desafios pelo fato de ser mulher em uma área majoritariamente masculina. A falta de representatividade e a sensação de não pertencimento foram dois fatores que pesaram bastante durante toda minha trajetória”, contou. 

Trabalho premiado 

A professora recebeu uma bolsa-auxílio no valor de R$ 50 mil pelo trabalho “Periodicidade e teoria de bifurcação para as equações diferenciais funcionais em medida e equações dinâmicas funcionais em escalas temporais”. 

Na matemática, Jaqueline Godoy trabalha com um campo relativamente novo, que são as equações diferenciais funcionais com retardamento, importantes para descrever fenômenos que não acontecem instantaneamente, mas com um intervalo entre a causa e o efeito. 

A professora do Departamento de Matemática da Universidade de Brasília (UnB) citou um exemplo prático do uso desse tipo de equação na área da saúde: descrever modelos de doenças como o vírus da Zika, que tem um período de incubação, isto é, um tempo entre a pessoa ser infectada e apresentar os sintomas da doença. Outros exemplos de aplicabilidade são para descrever a ação de determinado medicamento no organismo humano ou o crescimento populacional em uma região.

Trajetória de estudos

Jaqueline Godoy conta que, ainda na adolescência, um teste vocacional indicou que ela deveria seguir no caminho das ciências exatas. Indecisa entre física e matemática, fez a opção no final do ensino médio. Segundo ela, o apoio das bolsas da Capes foi determinante para que pudesse realizar estudos fora do país.

A professora destacou a importância desse incentivo. “Elas permitem que nossos alunos possam dar continuidade em seus estudos e desenvolver suas pesquisas de grande relevância para o país. Além disso, as bolsas das agências de fomento possuem um papel crucial no aumento da internacionalização dos nossos programas de pós-graduação, permitindo o intercâmbio dos nossos alunos, a colaboração entre os pesquisadores do Brasil e de várias partes do mundo”, disse. 

Atualmente, Jaqueline é bolsista na modalidade professor visitante sênior do Programa Capes/Humboldt, uma parceria entre a instituição brasileira e a alemã Alexander von Humboldt.

Também foi bolsista da Capes durante o doutorado-sanduíche, cursado em Praga, na Academia de Ciências da República Tcheca, e no pós-doutorado, cursado na Universidad de Santiago de Chile (Usach).