Museu Goeldi reabre seu parque com expectativa de receber dezenas de eventos até a COP30

Com nova moradora e ainda passando por intervenções, Parque Zoobotânico deve receber mais visitantes e eventos; Chefe do Serviço do PZB explica como será o funcionamento do local nesse primeiro momento, e bióloga dá dicas para uma boa experiência no espaço

Publicado em 01/10/2025 10:12Modificado em 06/11/2025 15:05
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Agência Museu Goeldi - O Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (PZB-MPEG) reabre suas portas, nesta sexta-feira (03/10), para visitação pública. Além da “pele nova” – seus muros que receberam painéis artísticos –, o ambiente conta com uma moradora recente (a Haru) e com um novo lago que vai abrigar pirarucus. Vale lembrar que algumas intervenções de infraestrutura continuarão acontecendo no espaço até a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), quando o ambiente receberá dezenas de eventos. O Serviço do Parque aproveita o momento para ratificar dicas que garantem uma boa e segura experiência aos visitantes e aos seres da fauna e da flora.

As visitas ao Parque foram suspensas há pouco mais de 40 dias para adequações da infraestrutura, como pintura e reparos em prédios e recintos de animais, serviços que não podiam ser feitos com o parque em funcionamento para a segurança dos visitantes e das espécies que habitam o lugar. Segundo o chefe do Serviço de Parque Zoobotânico (Sepzo), Pedro Pompei Filizzola Oliva, sabendo da importância desse lugar para a população local e turistas e a proximidade da COP30, o Museu Goeldi planejou essa reabertura com o local  ainda recebendo manutenções e pequenas reformas, com alguns espaços ainda interditados. 

Respeito e cuidado com a natureza

“Os visitantes encontrarão um ambiente limpo e adequado à visitação, mas ainda com alguns tapumes em ambientes com serviços em andamento. Também, em alguns momentos, vão se deparar com trabalhadores molhando as plantas e realizando outros serviços, que são necessários para amenizar o calor do nosso verão amazônico e, também, para finalizar essa etapa de obras. Assim, recomendamos aos visitantes manter os mesmos cuidados com a flora, a fauna e com a preservação dos prédios, além de mais atenção durante os passeios para que todos tenham uma experiência agradável e respeitosa nesse ambiente incrível”, recomendou. 

A bióloga do Sepzo, Thatiana Figueiredo, ratificou a necessidade de cuidados na visitação: “Noventa por cento da vegetação desse parque é flora representativa da região amazônica. A visita é uma oportunidade de conhecer um pouco dessa flora e dessa fauna, porque uma não vive sem a outra. A gente tem um grupo de animais em fauna livre: as cutias, as preguiças, as pacas, as iguanas, que estão soltas pelo parque interagindo com o ambiente e com o público visitante. Teremos várias exposições nesse período também, o próprio muro do parque já é uma atração. Ainda que o parque não esteja totalmente pronto, a gente tem muito a mostrar”.

Novidade na área

Ainda de acordo com o chefe do Sepzo, Pedro Oliva, nos próximos dias, os visitantes já poderão apreciar o lago dos pirarucus, uma novidade no parque. O velho tanque do peixe-boi foi todo reformado para receber esses novos habitantes que são conhecidos por serem uma das maiores espécies de peixes de água doce do mundo. “Além do atrativo natural, até dezembro, o parque receberá dezenas de eventos e exposições, como a do Instituto Tomie Ohtake que será aberta nesta sexta-feira, juntamente com o parque. Após esse período será necessária uma nova pausa para a realização de serviços maiores que precisam de um tempo maior para serem executados”, lembrou.

Já a bióloga Thatiana Figueiredo chama atenção para a nova moradora do Parque, a Haru, uma tamanduá-bandeira. Ela está pronta para ser apresentada aos visitantes, mas seus hábitos são noturnos e pode ser que, assim como ocorre com a onça Luakã, Haru prefira se recolher na hora da visitação, nem sempre podendo ser vista. E não vale tentar acordá-la de forma alguma, porque ela só tem dois anos, embora seja uma gigante de 55 quilos. Haru está morando com as preguiças, com quem se dá muito bem, porque são da mesma família, pertencente à ordem xenarthra.

Encontrada agarrada à mãe ferida de tiro

Há dois anos, o Parque Zoobotânico foi avisado de que havia, no meio da floresta de  Tomé-Açu, município do Pará, um animal ferido. Era uma mãe, uma tamanduá-bandeira fêmea, com um filhotinho agarrado a ela. Ainda estava viva, mas imóvel e prostrada, pois havia sido atingida por um tiro na região cervical, do pescoço. Ela foi transportada ao PZB com todos os cuidados, recebeu os primeiros socorros, mas morreu em seguida. “Então, nos restou um filhote órfão. Pesava em torno de 1,8 quilo, e, apesar de toda essa tragédia com sua mãe, estava bem saudável. A gente não sabe quanto tempo ele ficou ali, naquela condição, agarrado à mãe”, contou a bióloga Thatiana Fiqueiredo.

A partir daí, foi feita uma verdadeira força-tarefa para criar o filhote, que, mais tarde, descobriu-se que era uma fêmea. Batizada de “Haru” (em alusão à primavera, a uma nova vida), ela foi cuidada como uma bebê. “Ela foi para mamadeira. Precisávamos ficar com ela durante a noite, fazer um revezamento de equipe para não deixá-la só. Foi cuidada como uma bebezinha, que precisa mamar, controlar cólica, observar as fezes. Hoje, a gente já tem um animal de quase dois anos, que foi para exposição agora, pesando, aproximadamente, 55 quilos, super saudável”, contou.

Thatiana ressalta, ainda, que Haru, embora saudável e adaptada, é um animal  monitorado e, como foi criado pelos profissionais do parque, inevitavelmente tem um comportamento alterado. “É diferente do animal que a gente encontraria na natureza. Ficou ‘humanizado’. Por isso, precisa permanecer no parque, não pode voltar à natureza. Mas, mesmo esses animais que não podem ser devolvidos à floresta, têm uma representatividade muito grande, um valor educacional, principalmente, e estão cumprindo um papel biológico dentro deste parque. A gente precisa valorizar muito isso e mostrar à população também, para que todos entendam, respeitem e ajudem a preservar”, destacou a bióloga.

Dicas do Sepzo aos visitantes:


– Não jogue lixo no chão. Há lixeiras espalhadas pelo parque; 

– Não tente tocar os animais nem corra atrás deles;

– Não alimente os bichos e não jogue nada nos tanques. A alimentação é oferecida pelo parque de forma balanceada, inclusive para os que vivem soltos;

– Não riscar o tronco das árvores e nem colher flores, folhas e frutos;

– Se encontrar um animal caído no chão ou com algum ferimento, comunique ao Serviço do Parque;

–  Respeite as barreiras físicas dos guarda-corpos que dividem os recintos do público visitante. As áreas não podem ser invadidas para a segurança do animal e do próprio visitante;

– Aproveite as belezas e o contato com a natureza e com a história desse parque de 130 anos.

SERVIÇO:

Reabertura do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi

Data: de 03 de outubro (sexta-feira)

Endereço:  – Avenida Gov. Magalhães Barata, 376 - São Brás, Belém - PA
Visitação: de quarta a domingo, das 9h às 16h (fechamento da bilheteria)

Ingresso: R$ 3

Texto: Andréa Batista

Imagens: Adrya Marinho e acervo MG

Revisão: Carla Serqueira

Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
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