Museu Goeldi e Muséum National d’Histoire Naturelle da França iniciam trâmite para acordo de cooperação
Assinatura de carta de intenção deve dar origem a projetos conjuntos de pesquisas nas áreas de atuação do MPEG com objetivo de aprofundar conhecimentos sobre o bioma amazônico

Agência Museu Goeldi - O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e o Muséum National d’Histoire Naturelle (MNHN) da França assinaram uma carta de intenção, que representa um compromisso de conjugar esforços a fim de complementar as suas experiências com a produção de conhecimento sobre a diversidade geológica, biológica, cultural e social do planeta. A cerimônia foi realizada no Campus de Pesquisa do MPEG, na última sexta-feira (3) e deu o pontapé inicial em uma parceria que deve abrir novas portas para a pesquisa e a socialização do conhecimento na Amazônia.
Para o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, a colaboração é oportuna e benéfica para ambos os museus por fortalecerem suas atuações científicas e suas capacidades de compartilhar o conhecimento produzido. “Tudo aquilo que representa valores para o Museu Goeldi está representado no Museu Nacional de História Natural da França. Então, tem sido uma ligação muito tranquila e fácil de se fazer pela compreensão das missões entre as instituições. Eu espero que daqui para frente a gente consiga estabelecer boas parcerias e fazer efetivamente acordos de cooperação tanto na área da bio quanto da sociodiversidade, mas também na área de divulgação científica”, destacou.
O diálogo entre as duas instituições vem se fortalecendo ao longo de 2025, quando o Museu Goeldi foi convidado a participar do Fórum Brasil-França, em Paris, em junho; e, em seguida, com a participação do MNHR no “Conexões Amazônicas: Pesquisas colaborativas entre Brasil e França”, realizado em Belém pelo MPEG e a Embaixada da França. De acordo com Nelson Sanjad, que vem atuando na articulação entre os dois museus, o objetivo é desenvolver projetos de pesquisa conjuntos, projetos de divulgação científica e fortalecer ações de ensino no campo da pós-graduação.
“O Museu Nacional de História Natural da França é a instituição mais próxima do Museu Goeldi em termos de estrutura. É uma instituição com mais de 200 anos de idade, mas em que, de certa maneira, o Museu Goeldi se espelhou. Tanto que as áreas de pesquisa são comuns e o tripé pesquisa, comunicação e ensino também é comum”, analisa Sanjad, que projeta a implementação de grande projeto de pesquisa em cada grande área: Ciências das Terra, Ciências Humanas e Ciências da Vida, além de Museologia e a Comunicação.

O que prevê a carta
A carta de intenção representa uma pretensão formal de união de esforços para o aprimoramento das atividades institucionais, com validade de cinco anos. De acordo com o documento assinado pelos museus brasileiro e francês, os signatários deverão realizar reuniões e seminários como atos preliminares para o planejamento da eventual atuação institucional conjunta e para a definição de um futuro acordo de cooperação.
Os partícipes também deverão elaborar um planejamento conjunto para definir cada projeto que será executado, com regular aprovação institucional, com instauração do respectivo processo e registro, segundo os trâmites formais internos de cada instituição, e com a definição do instrumento jurídico que deverá ser implementado entre os signatários para definir com precisão o objeto do projeto, o prazo de execução, os direitos, as obrigações e demais condições.
Para Gilles Bloch, presidente do MNHN, a parceria com o Museu Goeldi é estratégica, pois permite ampliar esforços para conhecer mais sobre o bioma amazônico, assim como deve contribuir para o compartilhamento de experiências e formação de recursos humanos qualificados nos dois países. “A floresta amazônica tem uma riqueza extraordinária, mas está em um processo de degradação acelerado, então, pretendemos desenvolver colaborações mais fortes sobre o conhecimento e a compreensão dos ecossistemas, sobre a relação desses ecossistemas com os humanos, seja dos povos originários ou mais recente, para poder melhor proteger e restaurar a floresta e contribuir para a descrição dessa riqueza amazônica que ainda é desconhecida”, frisou.
Texto: Fabrício Queiroz
Fotos: Adrya Marinho
Edição: Andréa Batista