Museu Goeldi e Embaixada da França celebram a colaboração científica na Amazônia com seminário

O Conexões Amazônicas antecipa debates importantes para a agenda da COP30 e busca fortalecer a cooperação internacional na região

Publicado em 22/08/2025 15:58Modificado há 8 meses
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Agência Museu Goeldi - Em meio ao marco dos 200 anos de relações diplomáticas entre Brasil e França, o Museu Paraense Emílio Goeldi e a Embaixada da França no Brasil promovem um seminário que apresenta um panorama histórico e contemporâneo de estudos colaborativos desenvolvidos na Amazônia. O evento “Conexões Amazônicas: Pesquisas colaborativas entre Brasil e França” ocorre de 26 a 28 de agosto, no auditório Paulo Cavalcante, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, e abre a programação científica do Ano da França no Brasil 2025, fortalecendo a agenda científica sobre a sociobiodiversidade da região. Acesse aqui a programação, que será transmitida pelo canal do YouTube do Museu Goeldi.

A realização do seminário vem sendo articulada desde que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Emmanuel Macron visitaram Belém em 2024 e estabeleceram um memorando de entendimento para ampliar a colaboração científica entre os dois países. A pesquisadora Helena Lima acompanha essas tratativas desde o início e ressalta que o Conexões Amazônicas é emblemático por evidenciar os projetos e as pesquisas desenvolvidas pelo Museu Goeldi e outras instituições da Amazônia Brasileira e da Guiana Francesa.

Durante os três dias de evento, o público poderá participar de uma programação variada, que inclui conferências, mesas-redondas, sessões de cinema e lançamentos. No dia 26 de agosto, o destaque será a Jornada de Jovens Pesquisadores, que reúne mestrandos e doutorandos de várias instituições brasileiras e da Guiana Francesa. Já nos dias 27 e 28, o Conexões Amazônicas será marcado por momentos de trocas de experiências entre cientistas atuantes em áreas como Biodiversidade e Mudanças Climáticas, Saúde, História, Antropologia e Arqueologia, incluindo trabalhos colaborativos com povos indígenas.

“O memorando de entendimento entre Museu Goeldi e Embaixada da França propõe a organização conjunta de diversos eventos, entre eles o Conexões Amazônicas, mas também palestras e outras atividades durante a COP30 em Belém. Uma das ações previstas é um encontro de populações indígenas franco-brasileiras, que vivem na região do Oiapoque (AP) em novembro”, adianta Helena Lima.

Cooperação internacional - Há quase 160 anos o Museu Goeldi é referência na produção de conhecimento sobre a geo, socio e biodiversidade amazônica e mantém acordos de cooperação científica com diferentes instituições internacionais. De acordo com o historiador Nelson Sanjad, o fortalecimento dessa parceria se deu principalmente a partir da década de 1980 com o IRD (Institut de Recherche pour le Développement) nos campos da Antropologia e Linguística.

Nos anos 1990, outro marco foi o projeto Ecolab, que permitiu a realização de estudos geomorfológicos e o sensoriamento remoto da foz do rio Amazonas. Já nos anos 2000 em diante, a cooperação se mantém ativa em projetos de pesquisa e na pós-graduação. Atualmente, duas pesquisadoras do IRD são professoras permanentes do PPGDS (Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural): Laure Emperaire, que trabalha em parceria com a antropóloga Lúcia Hussak van Velthem em projetos sobre a etnobotânica dos povos indígenas do Rio Negro e das comunidades tradicionais do Rio Juruá, no Amazonas; e Pascale de Robert, que vem trabalhando com a também antropóloga Claudia López Garcés, sobretudo, com agrobiodiversidade entre os Kayapó.

“Ao final do seminário, vamos produzir um documento síntese com recomendações relacionadas à política científica para a Amazônia. Esse documento deverá ser encaminhado à Presidência e ao conselho científico da COP30, com a expectativa de que essas instituições, que estão articuladas nesse seminário, possam contribuir com o debate científico relacionado à Amazônia”, pontua Nelson Sanjad.

Além do seminário e das ações da temporada Brasil-França, o Museu Goeldi trabalha juntamente com o Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade da Amazônia (CFBBA) para formalizar novos acordos de cooperação com instituições francesas, entre elas o IRD, o CIRAD (Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agrícola para o Desenvolvimento) e o Museu Nacional de História Natural de Paris.

Texto: Fabrício Queiroz

Edição: Joice Santos

Serviço: Seminário “Conexões Amazônicas: Pesquisas Colaborativas entre Brasil e França"

Datas: 26 a 28 de agosto de 2025

Local: Campus de Pesquisa do Museu Goeldi (Av. Perimetral, nº 1901 - Terra Firme, Belém)

Inscrições: https://bit.ly/conexoesamazonicas

Clique na programação completa

Transmissão ao vivo: Canal do Museu Goeldi no YouTube

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Educação e Pesquisa
Tags:Pará
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