Museu Goeldi conquista prêmio nacional com dicionários de línguas indígenas
O projeto multimídia é um dos sete vencedores do 13º Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. O anúncio e a cerimônia foram realizados na noite de sexta-feira (29), em Brasília, diante de 40 finalistas de todo país.

Agência Museu Goeldi – O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) é um dos sete vencedores do 13º Prêmio da Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social com o projeto Dicionários Multimídia de Línguas Indígenas, coordenado pela pesquisadora Ana Vilacy Galúcio e com a participação de povos da Amazônia Legal e da University of New Mexico. Ao lado de Mário Purubora, ela recebeu o prêmio durante a cerimônia realizada na última sexta-feira (29), em Brasília.
“Estou muito emocionada. Agradeço a todos os povos indígenas do Brasil, que confiaram no nosso trabalho. Agradeço ao Museu Paraense Emílio Goeldi; ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, que apoia e dá suporte ao trabalho com os povos indígenas; e à Fundação Banco do Brasil, por essa iniciativa maravilhosa. Nesta década, na Década Internacional das Línguas Indígenas [2022-2032], esse trabalho é fundamental para a gente continuar apoiando a revitalização das línguas dos povos originários nesse país que hoje se chama Brasil. Nós queremos todas as línguas vivas”, declarou Vilacy.
Mário Purubora, da Aldeia Aperoi, localizada no município de Seringueiras (RO), atuou como pesquisador e sabedor indígena durante a elaboração do Dicionário Multimídia da Língua Purubora. Ele já utiliza os dicionários na escola Iwara Purubora, onde estão reunidos cerca de 20 estudantes, entre crianças, adolescentes e adultos. Mário participou, junto com a pesquisadora Ana Vilacy, da última etapa de escolha de projetos a serem premiados, dias antes do anúncio dos vencedores, e alertou, na ocasião de entrega da premiação, para a responsabilidade do Estado brasileiro em garantir os direitos dos povos indígenas pela demarcação de seus territórios.
Fizeram parte da comitiva à capital do país, Artur Ribeiro, bolsista do Museu Goeldi, e Diana Rodrigues, pesquisadora do Museu Goeldi e representante da Associação Brasileira de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social (Abepets).
Em nome do Banco do Brasil, o vice-presidente de Governo e Sustentabilidade da instituição, José Ricardo Sasseron, assegurou que os inscritos “trouxeram os saberes da população brasileira, trouxeram a diversidade do Brasil para o prêmio, trouxeram tecnologias que transformam a vida das pessoas. Vocês são o retrato do Brasil”.
Reaplicação e participação comunitária
Os dicionários são aplicativos bilíngues que combinam áudio, vídeo, imagens e textos para apoiar a documentação, o ensino e a revitalização de línguas indígenas. Funcionam sem internet e já são utilizados por comunidades de oito povos indígenas da Amazônia.
A elaboração da tecnologia é feita a partir da demanda dos povos aos pesquisadores, no intuito de garantir a sobrevivência de sua língua materna, e com a participação estreita das comunidades e de quem ainda domina o conhecimento em alguma medida. Sobretudo, a tecnologia tem a capacidade de se adaptar às necessidades particulares de cada língua. Estas são também as qualidades que garantiram que o projeto se tornasse um dos 40 finalistas entre os 1.107 inscritos no edital da premiação. Além do júri técnico, os projetos ainda passaram por votação popular e contaram com a produção de vídeos-documentários.
Texto: Erika Morhy
Revisão: Carla Serqueira
