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12/12/1932 a 17/05/2026
Noca da Portela
No último domingo, aos 93 anos, faleceu no Rio de Janeiro, o sambista Osvaldo Alves Pereira, o Noca da Portela. Mineiro de Leopoldina que chegou ao Rio ainda criança, fez do samba sua trincheira: deixou cerca de 500 composições, sete sambas-enredo vencedores na Portela e o título de baluarte da Velha Guarda da escola azul e branca.
Mas Noca foi muito além do pavilhão da Portela. Militante do PCB por cerca de quatro décadas, ele entendia o samba como ferramenta política. Em 1981, com a ditadura ainda em pé mas já trincando, compôs com o filho a canção “Virada”, eternizada na voz de Beth Carvalho e transformada em hino do movimento pelas Diretas. Subiu em palanques ao lado de Tancredo Neves e Ulysses Guimarães e antes disso, havia cedido o samba à campanha vitoriosa de Brizola para o governo do Rio.
Durante a ditadura, sua poesia escapou muitas vezes à censura e algumas de suas letras musicais foram aprovadas apesar de seu conteúdo marcado pela crítica social e denúncia do autoritarismo. Esse foi o caso de “Roça errada” e “Maldade", letras que integram o fundo Serviço de Censura às Diversões Públicas do Arquivo Nacional. Já entre as letras vetadas está a composição, em parceria com Colombo Costa Pinto, “Onde tá tu”, censurada por seu “sentido dúbio”.
O compromisso político e militância de Noca não se limitaram ao período da ditadura e da redemocratização. Em 2021, foi parceiro de Martinho da Vila em "Vidas Negras Importam", prova de que, aos quase 90 anos, seguia afinado com as urgências do seu tempo. Defendia a democracia, a justiça social e a memória do povo negro com a mesma firmeza com que defendia a Portela. Foi, de fato, um homem de muita poesia e de muita luta por um Brasil mais justo. “Recordar é viver”, mestre. Salve, Noca!