Os obstáculos enfrentados pelas mulheres na Ciência
Reflexão fez parte de Seminário sobre Marie Curie

No segundo dia do Seminário Internacional "A mulher e a ciência: os 100 anos da visita de Marie Curie ao Brasil", a Coordenação de Educação em Ciências do Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) promoveu a trilha educativa “Onde estão as mulheres no Museu? - Histórias não contadas”. Durante a atividade, os visitantes ouviram as histórias de mulheres que se dedicaram às ciências, cujas carreiras enfrentaram grandes desafios. Tais obstáculos receberam nomes como “Efeito Matilda”, que ocorre quando a mulher tem seu esforço científico apropriado por um homem, e “Labirinto de Cristal”, expressão criada pelas pesquisadoras Alice Eagly e Linda Carli exatamente para explicar os complexos desafios impostos às mulheres ao longo da trajetória acadêmica e profissional.

A aula foi guiada pelas pesquisadoras e educadoras museais Isabella de Souza e Alejandra Eismann. Elas expuseram histórias de quatro cientistas que marcaram época: a astrofísica inglesa Cecília Payne (1900/1979); Yeda Veiga (1925/2020), conhecida como a primeira astrônoma brasileira; a doutora em matemática Maria Laura Mouzinho Leite Lopes (1917/2013) e Gladys West (1930/2026), norte americana negra criadora do GPS .
Ao longo do percurso no prédio sede do MAST, os visitantes foram orientados a registrar o material expositivo do museu que fizesse referência às mulheres. Uma das visitantes foi a guia de turismo e estudante Adriana Jackson, que faz pesquisas sobre o universo feminino. Ela lamentou que o trabalho das mulheres, não apenas nas ciências, mas em diversos setores pessoais e profissionais, ainda sofram apropriação: “o machismo atua em todas as áreas”, disse.

As fotografias feitas pelos participantes, dentro da visita, servirão como base para discutir as histórias contadas e invisibilizadas do universo feminino. A atividade promove um debate sobre os processos de construção da memória científica, destacando a importância de identificar, preservar e valorizar os acervos de mulheres cientistas, bem como de tantas outras mulheres que, embora fundamentais para a produção do conhecimento científico e tecnológico, tiveram suas contribuições pouco reconhecidas ao longo da história.