Bicentenário de Emmanuel Liais
O astrônomo francês que ajudou a consolidar a Ciência Brasileira

Nascido há 200 anos na cidade francesa de Cherbourg, na Normandia, Emmanuel Liais é tema de um Colóquio Internacional que será realizado pelo Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) nos dias 21 e 22 de outubro. Liais foi um renomado astrônomo, botânico e explorador, que desenvolveu uma profunda ligação com o Brasil, onde passou 17 anos de sua vida.
Dentre as contribuições de Emmanuel Liais para a astronomia brasileira, destaca-se a descoberta de um cometa enquanto observava o céu a partir da cidade pernambucana de Olinda, em 1860. O feito deu ao corpo celeste o nome da cidade: Cometa Olinda. Essa descoberta foi publicada no Astronomische Nachrichten em 1861, já naquela época um importante periódico alemão sobre o tema.
Entre 1871 e 1881, Liais assumiu a direção do Observatório Nacional do Rio de Janeiro, a convite do Imperador Dom Pedro II. Na instituição, modernizou os estudos de meteorologia, geofísica e a marcação da hora oficial. Por suas contribuições e pela publicação de tratados fundamentais sobre astronomia aplicada à geografia e à navegação, Liais foi homenageado com seu nome em uma cratera de Marte.
Até então, acreditava-se que as manchas escuras observadas na superfície marciana seriam oceanos, uma teoria que ele comprovou ser inverídica. Hoje, a partir de missões espaciais, sabe-se que tais manchas são causadas por tempestades de poeira que expõem rochas vulcânicas escuras subjacentes. A cratera Emmanuel Liais possui 132 quilômetros de diâmetro e está localizada no chamado Quadrângulo de Mare Australe (altas terras do sul marciano), sob as coordenadas 75,4° S e 107,2° L.
Sobre o Colóquio
O Colóquio Internacional “Emmanuel Liais: as ciências da Natureza no Brasil oitocentista” será aberto ao público, com entrada gratuita. O evento acontecerá no auditório do prédio Anexo do MAST, mas também será transmitido pelo Youtube do MAST.
Confira a programação completa clicando aqui.
Fontes consultadas:
“O tratado, o astrônomo e o instrumento”, Revista Brasileira de História da Ciência