Uma celebração da diversidade
Museu abre suas portas para mais uma edição da Semana LGBTTI+

Quem esteve no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) no sábado 27/06 vivenciou uma intensa programação destinada ao público geral, mas também com experiências voltadas exclusivamente para pessoas do espectro autista e seus acompanhantes. As atividades fizeram parte da Semana LGBTTI+ no MAST.
No Centro de Visitantes, os presentes puderam participar de uma sessão de planetário, denominada “Não é só uma fase”, onde a educadora museal Kaique Pinto falou sobre Astronomia utilizando o letramento do movimento LGBTQIA+, que defende a inclusão nos espaços culturais, especialmente museus. Com o início da noite, o público foi conduzido para o campus, onde foi feita a observação dos astros – umas das principais atrações do MAST.
Representante do Serviço de Programação e Educação da Coordenação de Educação em Ciência do MAST (SEPED/COEDU), Kaique explicou que ensinar ciência como brincadeira, de forma lúdica, ajuda a despertar interesse em temas científicos e atrai novos públicos, trocar por ciência se faz com pluralidade e compromisso com a vida, e a temática LGBTTI+ visa atrair públicos historicamente excluídos para o MAST.
- É como tirar o MAST do armário – afirmou Kaique.

A educadora falou ainda da necessidade de validar o processo de inclusão em ambientes de cultura e voltados para a preservação da memória, como é o caso do Museu de Astronomia. A pluralidade, maneira adotada para explicar um tema tão pouco difundido como a Astronomia, é uma estratégia que permite criar vínculos com o público: o afeto é essencial para atingirmos este objetivo – disse.
Kaique acrescentou também que quanto mais LGBTs forem aos museus, mais legítimo se tornará o trabalho de todos. A educadora museal lembrou que o MAST é pioneiro na busca pela inclusão de públicos excluídos no campo museal: “somos o primeiro no Rio”.
Sessão de planetário acessível

O casal Yuri Flores e Ana Luiz Queiroz esteve no MAST no início da tarde. Do espectro autista, Ana Luiza ficou impressionada com a quantidade de pessoas também diagnosticadas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) presentes na tarde de sábado, no museu: “acho importante este trabalho voltado para a inclusão”, disse.
Yuri também elogiou o foco na causa LGBTTI+:
- Num momento em que há tanto preconceito, tanta intolerância, este trabalho do MAST se torna fundamental para ajudar a combater o preconceito – disse.
Da laje ao telescópio
A adolescente Sophie Ormond, de 14 anos, visitou o MAST acompanhada do pai. Apaixonada pelo tema “Astronomia”, ela esteve pela primeira vez no museu e participou da apresentação imersiva no planetário. Chamada “AFRO-dite”, numa representatividade de pessoas pretas, a mediação contou com a personagem vivida pela educadora museal Isabella Santos. O evento imersivo mereceu elogio de Sophie:
- Quis vir ao MAST por ser apaixonada por Astronomia. Nós morávamos no bairro da Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde a iluminação pública era muito precária. E isso, embora fosse um problema urbano, nos trazia benefícios particulares: a observação do céu, mesmo sem equipamentos como telescópio, ficava bem mais nítida – disse Sophie acompanhada do pai, Luiz Carlos Ormond, incentivador do tema em casa.

E coube ao pai acrescentar um pouco mais sobre a aventura da observação planetária:
- Víamos o céu da laje da nossa casa. Estudava sobre os astros na internet e passava o que aprendia para a Sophie. Mas agora, no museu, passamos a entender muito mais deste assunto tão vasto e complexo – disse.
Diversidade na Ciência
Roberto Lucca, integrante do movimento LGBTTI+, também parabenizou a iniciativa do MAST:
- É importante este tipo de evento e a gente se sente acolhido quando vem ao museu e percebemos que não somos exceção. Nossa representatividade está assegurada – disse.
Também atraído ao MAST por conta do evento LGBTTI+, a estudante de Matemática Guilherme Nascimento, de 19 anos, elogiou o programa de educação científica promovido pelo museu pelo segundo ano consecutivo:
- A ciência precisa caminhar com a diversidade ou ela estará desacreditada – disse.
Guilherme estava acompanhado do amigo, Alisson Rodrigues. Para ele, “a Ciência Astronômica é muito LGBTQIA+: ela é alegre, colorida e bem resolvida”, brincou.
Quando crescer eu quero ser...
Ao chegar ao MAST, o menino Heitor Pinajé de Mendonça, de 10 anos, ainda não havia revelado à família qualquer interesse profissional. Mas qual não foi a surpresa do pai, Daniel de Mendonça José, e da avó, Dulce de Mendonça, ao ouvir que foi no MAST que descobriu sua vocação: “quero ser astronauta!”
Outra família visitante foi a de Luciana Amorim. Ela compareceu levando os filhos, Nicolas e João, de 17 e 21 anos, e o irmão. Jorge Fernando Amorim. Segundo ela, dedicar as tardes de sábado a passeios culturais como museus e galerias de arte é uma tradição familiar. E a família ficou surpresa com a temática dedicada a públicos tão diversos:
- É importante que meus filhos possam estar aqui para presenciar este momento que é muito especial. Nunca vimos um museu dedicar espaço à diversidade sexual como vimos aqui – afirmou Luciana.
Jorge, seu irmão, também revelou surpresa.
- Meu melhor amigo é gay e sei o quanto ele sofre por isso. O que importa é respeitar o outro e garantir que as pessoas tenham direito à liberdade de manifestar sua orientação sexual, disse.