Produção de materiais educativos foi tema no ENiPEM
Apresentações do quarto dia abordaram diferentes assuntos

No quarto dia do Encontro Internacional de Práticas Educativas em Museus e Centros de Ciência e Tecnologia (EniPEM), realizado no MAST, a produção de materiais educativos foi tema de algumas comunicações dos palestrantes. Voltado para despertar a consciência crítica e se opondo à disseminação de notícias falsas, o Encontro levou pesquisadores que atuam nas mais diversas instituições e museus a abordarem a importância de levar conhecimento de qualidade às crianças.
Uma das palestrantes foi a bióloga Júlia Caldas, da Universidade do Estado de São Paulo (UNESP). Ela é autora do livro “Fadas com seis patas”. Trata-se de uma literatura que introduz o conhecimento sobre insetos, importantes para o ecossistema, no universo lúdico: “mostramos às crianças a importância de preservar espécies fundamentais para nosso dia a dia, especialmente no campo da alimentação e combate a pragas”, contou Júlia.
Assim, além das abelhas, produtoras de mel, ela falou sobre o escaravelho (besouro), que atua como agente subterrâneo levando fertilidade e porosidade, importantes para o plantio; o louva-a-deus, cigarras, mariposas e outras espécies importantes no combate natural a pragas. Tais espécies, observou, são erradamente confundidas como ameaças, predadoras e se tornam indesejadas.
- Os insetos habitam o imaginário infantil. Por isso, ao desenvolver o trabalho em forma de livro, pensamos o quanto é importante focar nesse público num momento em que as mudanças climáticas são tema fundamental para a nossa sociedade – disse Júlia.
A autora alertou que estas espécies importantes para o meio ambiente são vítimas dos inseticidas e praguicidas produzidos pela indústria – o que tem afetado o ecossistema e causado problemas de saúde à população.
Além de livros com histórias das fadas aladas, borboletas e outras espécies, há trabalhos infantis como palavras cruzadas, caça-palavras e outros entretenimentos adaptados ao universo infantil.
Médicos Empíricos
Francisca Cardoso Maciel, estudante da PUC/Rio, apresentou trabalho sobre plantas medicinais. Ela baseou seus estudos em um dos livros mais antigos do gênero, produzido em 1648 pelo médico holandês Willem Piso e o naturalista e astrônomo alemão Georg Marcgraf, chamado “História Natural do Brasil”.
Estes autores, disse a pesquisadora, identificavam os nativos detentores do saber da manipulação de ervas como “médicos indígenas ou empíricos” – um tratamento incomum ainda nos dias de hoje. Isso porque eles dominavam o conhecimento sobre as ervas e as plantas usadas para cura das mais diversas enfermidades.
Doutoranda da Fiocruz, Diana de Oliveira apresentou o trabalho “Mudanças Climáticas e Arboviroses”. Ela concentrou sua pesquisa na disseminação de doenças graves que têm como hospedeiro o mesmo mosquito: Aedes Aegypti. São elas: dengue, zika, chikungunya e febre amarela.
Diana alertou que só este ano foram notificados 200 mil casos de dengue. E as mudanças climáticas têm contribuído para o avanço da doença: “o aumento da temperatura e das chuvas contribui diretamente na proliferação do mosquito e na sua morfologia”, disse. E acrescentou: “Esta preocupação precisa ser levada às pessoas e especialmente às crianças nas escolas e instituições como museus”.