Museus e a formação cidadã
Minicursos do EniPEM preparam educadores e pesquisadores no combate à Desinformação Climática

O primeiro dos seis dias de realização do Encontro Internacional de Práticas Educativas em Museus e Centros de Ciência e Tecnologia (ENiPEM) começou nesta segunda-feira (24/08), com a realização de quatro minicursos voltados para as temáticas Ciência, Sociedade e Mudanças Climáticas. Destinados à capacitação teórica e prática de educadores, pesquisadores e profissionais de museus, os minicursos trouxeram ao Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) palestrantes de diferentes instituições de pesquisa e um público diversificado, das mais variadas instituições e estados do país.

O primeiro minicurso, “Mapeamento de Controvérsias em Mudanças Climáticas”, teve como palestrantes a astrofísica do MAST, Patrícia Spinelli, e o biólogo e doutor em ensino de Ciências da USP, Fernando Dias.
Dias explicou que o objetivo da sua mesa era abordar os desafios de trabalhar com temas sociocientíficos, as controvérsias envolvendo o tema das mudanças climáticas e ciências e suas relações com museus. “Vamos abordar aspectos individuais e a importância de despertar a crítica na análise de temas científicos no campo da mudança climática para anular a desinformação e problematizar o olhar”, explicou.
Outro minicurso, “(An)Arquivos como prática museológica e educativa”, teve como palestrante Natália Melo, da Universidade de Évora, em Portugal. Com uma platéia reunindo pesquisadores do Piauí, Paraná, Pará e Brasília, além do Rio de Janeiro, Natália afirmou que sua palestra tinha como meta rediscutir a idéia de Arquivo; sobre o quê, e de que modo devemos priorizar o que pode, deve ou não deve ser arquivado.

- Alguém, em algum momento, decidiu o que arquivar. Mas devemos nos perguntar: quem decide as “caixas” que serão arquivadas? - exemplificou.
Natália lembrou que o cidadão comum reúne em torno de si suas próprias “caixas”; que podem ser traduzidas em dias, calendários, agendas de celular, imagens, fotografias e telefones, por exemplo.
Atuando nas áreas de Geologia, Agronomia, Agroecologia e Ciências Sociais Aplicadas, com ênfase em Educação em Solos e Museus de Ciências e História Natural, Cristine Muggler foi a palestrante do minicurso “A Ciência do Sistema Terra”. Ela elaborou uma exposição onde os participantes expuseram opiniões e convicções sobre o clima e as mudanças climáticas. Cristine salientou que, nos últimos dias, o fenômeno da ventania entrou no centro da discussão.

Durante o minicurso, cada palestrante resumiu a palavra “clima” sob sua ótica pessoal e, com esta perspectiva, Cristine fez uma ampla exposição sobre a Terra e as trocas energéticas com o sistema solar. “A energia solar é responsável por nosso clima e tempo meteorológico”, afirmou.
Wallace Carrico de Almeida, doutor em Educação da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), palestrou sobre o tema “Desinformação e Verificação de Fatos em Mudanças Climáticas”. Ele abordou temas atuais, relacionados à Desinformação Científica, e estabeleceu uma diferença entre esta e as “informações incorretas”. A desinformação, disse, ocorre quando seu uso se dá de maneira deliberada, movida por razões políticas, financeiras ou ideológicas. O caso da Desinformação Científica é exemplar.
- Já a informação falsa se dá muitas vezes por desconhecimento ou desatualização da fonte da informação - disse.
Não há, segundo avalia, uma intenção maliciosa de disseminar a má informação.

Também palestrante da mesa, a doutora e educadora museal do MAST, Frieda Marti, acrescentou que dentre os grupos de Desinformação Científica, o chamado “Terraplanista” é o mais difícil de combater e de desconvencer . E há uma explicação: existe um movimento articulado que dissemina de maneira deliberada a desinformação. “Temos que aprender a enfrentá-lo”, disse Frieda.
O EniPEM ocorre até o dia 29 de agosto de forma presencial e com transmissão online para os participantes inscritos. Além do MAST, participam da organização o Espaço Ciência Viva (ECV), Museu do Amanhã, Museu Nacional (MN/UFRJ), Museu Ciência e Vida (MCV) e Museu do Jardim Botânico. Eles contam com o apoio da Climate Heritage Network (CHN) e da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC).