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Físico brasileiro que virou samba da Mangueira em 1947 faria 101 anos
Cesar Lattes, um dos grandes nomes da Ciência no Brasil, é e será lembrado em qualquer ambiente onde haja o estudo profundo da Física. Mas o que pouca gente sabe sobre este cientista, que nesta sexta-feira (11) completaria 101 anos, é que ele, que esteve muito perto de conquistar o Prêmio Nobel de Física, inspirou um samba vitorioso da Estação Primeira de Mangueira, composto por duas das maiores estrelas do samba e do Carnaval carioca: Mestres Cartola e Carlos Cachaça.
Nascido em Curitiba em 1924, Lattes inspirou não apenas musicistas, mas especialmente seus pares do mundo científico: o CNPq batizou o sistema utilizado para cadastrar cientistas, pesquisadores e estudantes como o nome de “Plataforma Lattes”.
Mas se o homem morreu de um enfarte aos 80 anos (em 2005), sua memória, pesquisas e estudos resistem ao tempo. Especialmente quando o tema é energia nuclear, raios cósmicos e a partícula atômica méson pi, descoberta ao lado dos dois outros físicos renomados: o italiano Giuseppe Occhialini e o britânico Cecil Frank Powell.
E por conta desta descoberta, Powell, e apenas ele, recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1950. E por que a tão badalada honraria se restringiu a Cecil Powell e não a todo o grupo? Foi a pergunta que César Lattes mais ouviu até o fim da vida. Porque o brasileiro e o italiano eram chefiados por Powell - que, em função disso, mereceu a distinção exclusiva.
Cesar Lattes trabalhou na USP, UFRJ, na Universidade da Califórnia e foi bolsista na Fundação Rockfeller. Lá, após aprimorar conhecimento na Física, foi considerado pelos contemporâneos como o maior cientista brasileiro.
Ainda sobre o samba vitorioso da Mangueira, vencedor no Carnaval carioca de 1947, cabe um registro: dois anos antes, Lattes havia virado notícia ao desenvolver a partícula Pic du Midi. O feito foi publicado na Nature - a principal publicação científica do mundo. Embora o tema parecesse restrito ao mundo científico, a conquista tornou-se orgulho nacional. E isso levou Cartola e Carlos Cachaça a adentrarem pela porta da frente na Academia e levá-lo ao "panteon dos grandes imortais", conforme diz o samba. Segue a letra e o áudio do samba enredo:
"Brasil, Ciência e Arte":
"Tu és meu Brasil em toda parte
Quer na ciência ou na arte
Portentoso e altaneiro
Os homens que escreveram tua história
Conquistaram tuas glórias
Epopéias triunfais
Quero neste pobre enredo
Reviver glorificando os homens teus
Levá-los ao panteon dos grandes imortais
Pois merecem muito mais
Não querendo levá-los ao cume da altura
Cientistas tu tens e tens cultura
E neste rude poema destes pobres vates
Há sábios como Pedro Américo e César Lattes"