Augusto Ruschi: ambientalista teria completado 109 anos este mês

Publicado em 12/06/2024 14:45Modificado há 2 anos
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No próximo ano, 2025, o primeiro ativista verde da história do país, Augusto Ruschi, completaria 110 anos de idade. Ele nasceu nasceu na cidade de Santa Teresa, no interior do Espírito Santo, onde, de forma empírica, fez as primeiras observações dos pássaros. Era amante da natureza na sua amplitude, mas jamais escondeu sua preferência pelos beija-flores. Este pássaro, pelo qual se apaixonou ainda na infância, como cientista pode desvendar segredos e descobrir subespécies raras. Ruschi, que morreu há 38 anos, experimentou o respeito e a fama em todo o território nacional. Sua morte, em 1986, por cirrose hepática, foi notícia em veículos de comunicação no Brasil e exterior. Deixou um forte legado em forma de estudos e pesquisas para gerações de jovens ecologistas que, inspirados no seu modo de lutar em defesa da natureza, surgiriam nos anos seguintes.  

Ruschi publicou três livros sobre pássaros: Beija-flores do Espírito Santo; Beija-flores do Brasil I e II e uma outra obra considerada uma espécie de Bíblia sobre o tema: Aves do Brasil, volumes I e II. Nas sete décadas de devoção à causa, ele classificou 80% das espécies brasileiras de colibris, identificou duas novas e elaborou a descrição de outras cinco e onze subespécies. 

Dentre tantas iniciativas como ambientalista e defensor da fauna e flora, Augusto Ruschi criou, em 1949, em Santa Teresa, no Espírito Santo, o Museu de Biologia Professor Mello Leitão.  O lugar, de pesquisa e estudo, integra o  Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), instituição atualmente subordinada ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Informação (MCTI)

Mas os anos de vida do ecologista não foram apenas flores e pássaros. No primeiro ano de vigência da ditadura militar, em 1965, lutou para impedir a concretização de um plano do governo do Espírito Santo, através do então governador Élcio Álvares,  para vender a madeira de matas nativas e ocupar a terra com a monocultura de eucalipto. Conseguiu.

Mais adiante, outra briga hercúlea: se opôs e condenou publicamente os planos oficiais de ocupação da Floresta Amazônica para a prática do extrativismo mineral e vegetal. Ali, fez  solitária defesa dos direitos  dos povos indígenas que eram desrespeitados como verdadeiros donos da terra amazônica. 

E as lutas se seguiram: em 1971, denunciou o desmatamento desenfreado da Amazônia e o desalojamento de 700 famílias indígenas num projeto de reflorestamento com eucaliptos. 

Em agosto de 1975 Augusto Ruschi fundou o Museu Zoobotânico de Passo Fundo, santuário de proteção ambiental com um acervo de 25 mil espécies da fauna e flora . Com sua morte, em 1986,  o Museu homenageou  o ambientalista incorporando seu nome: Museu Zoobotânico Augusto Ruschi. Uma homenagem foi mais um gesto de reconhecimento a um homem que doou a vida pela preservação da natureza.

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