No Museu Nacional, INT participa do lançamento da cápsula do tempo para 2072

O projeto do Museu contou novamente com a parceria do INT, centenário Instituto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que projetou também a nova cápsula

Publicado em 25/11/2022 16:45Modificado há 4 anos
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Depois de 50 anos da primeira cápsula do tempo, projetada pelo engenheiro Elde Pires Braga, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCTI), o Museu Nacional (MN/UFRJ) voltou a abrigar uma nova cápsula para ser aberta no ano de 2072, com relatos, recados e um panorama da ciência e tecnologia de 2022. O projeto do Museu contou novamente com a parceria do INT, centenário Instituto do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), que projetou também a nova cápsula, desta vez envolvendo a competência das suas divisões de Materiais (DIMAT) e de Corrosão e Biocorrosão (DICOR), sob supervisão do engenheiro Javier Velasco, coordenador de Tecnologia de Materiais.

Na urna de 55cm x 61cm x 43cm, produzida em aço inoxidável, com revestimento interno em polipropileno, foram incluídos mais de 100 itens entre cartas, objetos e informações digitais, com objetivo de despertar a reflexão das pessoas do futuro sobre os 50 anos passados.

Entre os objetos inseridos pelos pesquisadores do Museu Nacional, destaca-se uma réplica do crânio de Luzia, fóssil mais antigo das Américas, que foi digitalizado e impresso em 3D em parceria com o INT. O Museu também enviou ao futuro um dente de uma baleia de 15,5 metros e três das seis pedras de quartzo que foram a primeira doação de uma pessoa desconhecida para a reestruturação do prédio. A cápsula também incluiu um livro de ouro com assinaturas de pesquisadores, amigos e colaboradores do Museu Nacional e uma carta do seu diretor, Alexander Kellner, com conteúdo secreto, a ser lida pelo diretor da instituição em exercício no ano de 2072.

A diretora do INT, Iêda Caminha, colocou na cápsula produtos que representam a atividade tecnológica do Instituto, começando por uma escultura comemorativa do centenário, representando o carro movido a álcool pesquisado ainda na década de 1920. Representando a atividade atual estão uma prótese de quadril fabricada por metalurgia convencional em liga Ti-6Al-4V, que em breve passará a ser fabricada de maneira customizada por manufatura aditiva; e uma amostra de grafeno, material atualmente considerado estratégico pelo MCTI e pesquisado pelo INT para aplicação na degradação fotocatalítica de corantes.

Também seguiu na cápsula uma réplica em tamanho reduzido da múmia egípcia Sha-Amun-en-su, que integrava o acervo original do Museu Nacional (MN), perdido no incêndio do prédio, em 2 de setembro de 2018; mas, junto a um total de 300 peças, chegou a ser digitalizada no trabalho de colaboração entre o Museu e a Divisão de Design Industrial do INT. A réplica foi impressa em 3D com as cinzas do que restou daquela tragédia, constituindo uma sinalização do poder de reconstrução que o Museu afirma e hoje lança ao futuro.

Por fim, a diretora do INT também depositou livros, um pen-drive com informações sobre projetos e vídeos institucionais, a linha do tempo dos 100 anos do INT, além de fotos e o nome de todos os colaboradores do Instituto em atividade e, por fim, uma carta onde relata exemplos do desenvolvimento tecnológico em nossa época e manifesta a expectativa da Instituição para o futuro:

– Que o INT possa continuar a contribuir para o surgimento de novos processos e produtos que possibilitem uma maior qualidade de vida da sociedade e que torne o Brasil um País mais rico, mais sustentável e menos desigual.

Conduzindo a cerimônia, o diretor do MN, Alexander Kellner, destacou o simbolismo da nova cápsula do tempo, coincidindo com o projeto de renovação e busca pelo restabelecimento total das atividades do Museu, prevista para 2027.

— Justamente quando a instituição científica mais antiga do país estava completando 200 anos, vivenciamos a tragédia do incêndio. E isso certamente está refletido nos anseios, nas preocupações e nas reflexões. Por isso faço um apelo aos agentes públicos para que cuidem do patrimônio científico e cultural do país — ressaltou o diretor.

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