Presidente da CNEN destaca avanços do Brasil em fusão nuclear durante encontro internacional na China

Publicado em 15/10/2025 10:00
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Francisco Rondinelli Júnior discursando durante a reunião ministerial do Grupo Mundial de Energia de Fusão da AIEA
Francisco Rondinelli Júnior discursando durante a reunião ministerial do Grupo Mundial de Energia de Fusão da AIEA. Foto: Wilson Calvo

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Dr. Francisco Rondinelli Júnior, reafirmou o compromisso do Brasil com o desenvolvimento da tecnologia de fusão nuclear e apresentou os avanços do país na área durante a segunda reunião ministerial do Grupo Mundial de Energia de Fusão da AIEA, em Chengdu, na China, dia 14 de outubro. O encontro foi realizado em cooperação com a Autoridade Chinesa de Energia Atômica.

Em discurso para autoridades e especialistas do setor nuclear de diversos países, Rondinelli destacou que o Brasil está “fortemente comprometido com o objetivo comum de promover e acelerar o desenvolvimento da tecnologia de fusão nuclear para o bem-estar da sociedade”.

Desde o primeiro encontro do grupo, realizado na Itália, no ano passado, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e a CNEN reativaram a Rede Brasileira de Fusão Nuclear, reunindo universidades, centros de pesquisa e indústrias. A iniciativa inclui também programas de bolsas de estudo voltados à formação de jovens profissionais interessados em atuar nesse campo, considerado promissor e estratégico.

O dirigente destacou o exemplo de um doutorando brasileiro atualmente em Chengdu, que realiza parte de seus estudos no Southwestern Institute of Physics, onde foi iniciada a pesquisa chinesa na área de fusão nuclear, em 1965. “É um exemplo concreto de como a cooperação internacional abre caminhos para o avanço científico”, afirmou.

Segundo o presidente da CNEN, o país avança de forma gradual, mas com prioridades claras voltadas à construção de capacidade nacional, à ampliação da participação industrial como parceira estratégica e à contribuição efetiva para a comunidade global de fusão. Algumas prioridades orientam o Programa Brasileiro de Fusão Nuclear. 

Tecnologia e cooperação

Em cooperação com pesquisadores internacionais, a equipe do Laboratório de Fusão Nuclear desenvolverá o projeto conceitual de um novo tokamak brasileiro, que utiliza bobinas supercondutoras de alta temperatura e sistemas avançados. O projeto está alinhado com o que há de mais avançado no mundo.

Para gerar os campos magnéticos para o novo reator, o país vai desenvolver tecnologias de supercondutores e deve contar com a participação ativa de indústria nacionais. Vale destacar que as tecnologias supercondutoras têm amplas aplicações, com benefícios sociais e econômicos, tais como sistemas de ressonância magnética, transmissão e armazenamento de energia. Dois tokamaks brasileiros, um deles operado pela Universidade de São Paulo (USP), e o outro pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) passarão por processos de atualização tecnológica.

Por sua vez, no campo do desenvolvimento de lasers de alta intensidade, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), unidade da CNEN em São Paulo, está implantando uma infraestrutura para estudar o comportamento da matéria sob condições extremas, utilizando tecnologia laser avançada.

O presidente ressaltou ainda que o êxito de tantas ações depende de dois pilares fundamentais: financiamento adequado, encaminhado via Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e cooperação técnica internacional com países e organizações dedicadas à pesquisa em fusão.

“O Brasil avança com base na cooperação, no conhecimento e na inovação. Queremos contribuir de forma significativa para o esforço global em direção à fusão nuclear, uma fonte de energia limpa, segura e sustentável para as próximas gerações”, concluiu Rondinelli.

Fonte: Cocom/CNEN

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Ciência e Tecnologia
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