Oficinas, trilha, jogo e sessão de filmes conectam visitantes do Museu Goeldi com a cultura indígena

Eventos estão na programação dos três últimos dias da Semana dos Povos Indígenas, que foi aberta na terça-feira e tem como tema "Saberes que se entrelaçam: ciência, território e memória indígena". Atividades estão acontecendo no Parque Zoobotânico do MPEG.

Publicado em 16/04/2026 17:11
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Mãos jovens manuseiam cartas de jogo com palavras indígenas
Grupo se diverte com o "Ancestralidade em jogo" (Adrya Marinho/MPEG)
Menina de cabelos longos e negros sorri posando para foto
Jhemely se surpreendeu com nomes e formas de plantas no Parque Zoobotânico (Adrya Marinho/MPEG)

Agência Museu Goeldi – “É a primeira vez que escuto o nome de algumas árvores e vejo as formas, os frutos, as raízes. Eu tinha curiosidade de ver o pau-brasil, por exemplo, porque marcou o século XVI, deu nome ao Brasil e hoje está sendo extinto, infelizmente. Foi uma grande oportunidade”, disse Jhemely Sousa, estudante. Ela integrou o grupo de mais de 30 alunos e professores que fez a “Trilha Etnobotânica” e se divertiu com o “Ancestralidade em jogo”, duas das atividades oferecidas pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), nesta Semana dos Povos Indígenas, que acontece no Parque Zoobotânico (PZB). Incentivando a reconexão das pessoas com a floresta, essa mesma programação se repetirá neste sábado, a partir das 9h. Um dia antes, haverá oficinas, e, no domingo, a exibição do filme "Mitos Indígenas em Travessia".

Jovem de cabelos lisos e curtos posa para foto sorrindo e de braços cruzados
Jeferson elogiou a trilha e o jogo ofertados durante a visita dele e de seus amigos (Adrya Marinho/MPEG)

A trilha e o jogo foram aprovados pelo grupo de educadores e estudantes do município Augusto Corrêa, que fica a mais de 200 km de Belém-PA, onde estão localizadas duas bases do MPEG, instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Jeferson Bastos, assim como Jhemely, estuda na Escola André Alves e participa do Clube dos Protetores do Mangue – iniciativa do projeto Mangues da Amazônia, mantida pelo Instituto Peabiru, pela Associação Sarambuí e pela Universidade Federal do Pará (UFPA), financiada pela Petrobras. Durante o jogo de cartas, Jeferson expressou seu contentamento com a recepção no PZB: “É uma experiência nova. Nunca vivemos. É legal e interessante a forma como vocês fazem essa dinâmica com a gente”, disse. 

A professora Gláucia Sousa, uma das responsáveis pelo grupo, explicou que os adolescentes, que estão na faixa etária entre 13 e 18 anos, são estudantes do ensino fundamental e do médio, oriundos de comunidades extrativistas do município Augusto Corrêa. “O objetivo é levá-los a conhecer outros espaços de educação não formal, em que eles podem saber mais sobre a fauna, sobre a flora, sobre a história das nossas origens. Então, o principal objetivo é proporcionar esse conhecimento mesmo”, disse. 

Nove árvores e duas línguas

A trilha foi mediada pela integrante do Serviço de Educação (Seedu), Rayssa Borges Cardoso, que recebeu o grupo na entrada do Parque. Ela guiou os visitantes aos nove pontos onde estão espécies botânicas relacionadas a mitos, usos e conhecimentos indígenas, como a seringueira, o açaizeiro, a paxiúba, a sumaúma, o pau-brasil, o guaraná, a cuieira, a vitória-régia e o buriti. A cada parada, a mediadora explicava as características da planta, citava algum conhecimento medicinal, um valor alimentício e uma lenda indígena ligada à planta. Os estudantes e professores participavam fazendo comentários, demonstrando dúvidas e curiosidades e fazendo registros fotográficos.

Logo após, os estudantes foram direcionados a um espaço montado no parque e divididos em três grupos para jogar o jogo Ancestralidade, sob a orientação de Ronaldo Farias, mediador educativo do Seedu, e de Bruno Pimenta e Samuel Santos, bolsistas do projeto Documentação e Revitalização de Línguas Indígenas, orientado pela pesquisadora Vilacy Galúcio. De acordo com Ronaldo, coautor do jogo, a inspiração e o conteúdo vieram dos Dicionários Multimídias do MPEG. 

Composto por 87 cartas, o jogo explora palavras indígenas nas línguas puruborá e sakurabiat, do tronco Tupi, faladas por povos indígenas que habitam em Rondônia, no norte da Amazônia. O propósito é descobrir o significado das palavras (cartas com nomes de animais, alimentos, pessoas e outros) e criar histórias relacionadas a elas (cartas de ação, com desafios), gerando conhecimento sobre a cultura indígena.   

Adolescentes olham para o alto e observam árvores altas de um parque
Grupo de estudantes participa de trilha guiada no Parque Zoobotânico (Adrya Marinho/MPEG)

A programação foi aberta, na manhã da terça-feira) com uma mesa-redonda mediada pela pesquisadora indígena e curadora da Coleção Linguística do MPEG, Ana Vilacy Galúcio, com a participação dos pesquisadores indígenas Ana Manoela Karipuna, antropóloga, integrante dos Karipuna, pesquisadora e curadora de exposições do Museu Goeldi; Mariana Neves Cruz Mello, Mariana Tikuna, integrante dos Tikuna, geógrafa, escritora, doutora em ecologia aquática e pesca, doutoranda em Antropologia e educadora popular; o biólogo Emiliano do Nascimento Cabá Emiliano Kaba, do povo Munduruku, bombeiro militar, atuando em resgate de fauna e na fotografia; e a Veraneize dos Anjos Alves, Vera Arapiun, dos Arapiuns, mestra em diversidade sociocultural, vinculada ao Programa de Pós-graduação em Diversidade Sociocultural do MPEG.

Também no primeiro dia, a partir das 15h, acontece o “Webinário Educação indígena: lutas, conquistas e desafios”, transmitido pelo canal do Museu Goeldi no Youtube. Os convidados – Irleuza Souza Robertino, artesã, educadora e pesquisadora; Waldely Rodrigues Fernandes, professor, poeta e escritor; Jairo Saw Munduruku, cacique da Aldeia Sawre Aboy, linguista, tradutor e pesquisador da medicina tradicional – participaram de uma conversa mediada pela pesquisadora da Coordenação de Museologia do MPEG, Lúcia Santana.

Na quarta-feira, foi realizada a trilha etnobotânica e o jogo Ancestralidade. Na quinta-feira, Manoela Karipuna, antropóloga; Suzana Karipuna, técnica do Museu; e a pesquisadora Ivaneide Assunção mediaram as visitas à exposição “Arretxiê: um tesouro da costa amazônica”, em cartaz no Parque Zoobotânico.

Duas mulheres observam enfeites indígenas expostos em parede e uma delas aponta para uma peça
Visitantes observam peças produzidas por indígenas na exposição Brasil: Terra Indígena (Janine Valente/MPEG)

Brasil Terra indígena

Além da exposição “Ahetxiê”, no Aquário Jacques Huber, os visitantes do Parque Zoobotânico poderão aproveitar os últimos dias da exposição “Brasil: Terra Indígena”, em cartaz no mezanino do Centro de Exposições Eduardo Galvão. A mostra reúne mais de 2 mil peças, como cestarias, cerâmicas e indumentárias de povos indígenas de todos os estados do país e do Distrito Federal. Até agora, a exposição já foi vista por mais de 60 mil pessoas.

Produzida pelo Instituto Cultural Vale, por meio do Centro Cultural Vale Maranhão, em parceria com o Museu Goeldi, com patrocínio da Vale e realização do Ministério da Cultura via Lei de Incentivo à Cultura, a exposição evidencia o protagonismo indígena na relação sustentável com a terra e na formação essencial da identidade brasileira e pode ser visitada até a próxima quinta-feira (30/04). Já a exposição “Diversidades Amazônicas”, no térreo, ficará fechada esta semana para manutenção.

Texto: Andréa Batista

Revisão: Denise Salomão

PROGRAMAÇÃO: Semana dos Povos Indígenas

Data: de 14 a 19 de abril de 2026

Tema: "Saberes que se entrelaçam: ciência, território e memória indígena”

  • 14 de abril (terça-feira) – Mesa-redonda e webinário: Pesquisadores Indígenas e Saberes Compartilhados

9h às 12h: Mesa de conversa com pesquisadores indígenas.
Local: Auditório do Parque Zoobotânico (entrada pela Travessa Nove de Janeiro)

Convidados(as):  Mariana Tikuna, Manoela Karipuna, Emiliano Kaba e Vera Arapium. Mediação: Ana Vilacy Galúcio

15h - Webinário Educação indígena: lutas, conquistas e desafios
Local: Youtube
Convidados(as): Irleuza Souza Robertino, artesã, educadora e pesquisadora; Waldely Rodrigues Fernandes, professor, poeta e escritor; Jairo Saw Munduruku, cacique da Aldeia Sawre Aboy, linguista, tradutor e pesquisador da medicina tradicional.

Mediação: Lúcia Santana, pesquisadora do MPEG.

  • 15 de abril (quarta-feira) - Trilha Etnobotânica e jogo Ancestralidade, com mediação

Horários: 9h | 10h30
Local: Parque Zoobotânico
Público-alvo: Geral
Mediadores(as) da trilha: Rayssa Borges Cardoso e Luann Gustavo Matta Delgado
Mediadores(as) do jogo: Ronaldo dos Santos Farias e Camila Cristina Lobo Palheta

  • 16 de abril (quinta-feira) - Visita Guiada à Exposição Ahetxiê

Horário: 10h às 11h30
Local: Espaço expositivo (Aquário Jacques Huber)
Público-alvo: Geral
Mediação: Ana Manoela Primo dos Santos Soares, Suzana Primo e Maria Ivaneide Assunção

  • 17 de abril (sexta-feira) - Oficina coletiva de bordado e texturas “Saberes da Floresta”

Local: Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão – Parque Zoobotânico
Manhã: 9h às 12h
Público-alvo: a partir de 16 anos
Inscrição via formulário online: https://forms.gle/Z65PaGUgDGadCHGXA
Mediação: Tammy Yamada Lamarão @tylstudio
Convidadas: Grupo de bordados Entrelinhas

Tarde: 14h às 16h
Oficina de Argilogravura: Arte Rupestre e inclusão
Público-alvo: pessoas com deficiência inscritas através da Associação de Pessoas com deficiência (APPD)
Local de inscrição: APPD, endereço: Passagem Alberto Engelhard (Vila Teta), nº 213, São Brás. Telefone: 3249-4849.
Data da inscrição: até 14 de abril de 2026 (terça-feira)
Facilitadores: Erasmo Borges de Souza Filho, Erêndira Oliveira, Silvinho Costa da Silva, Raimundo Teodorio e Jefferson Paiva.
Consultoria: Edithe Pereira, Helena Lima e Caroline Barros.
Parceria: Associação de Pessoas com Deficiência (APPD).

  • 18 de abril (sábado) – Trilha Etnobotânica e jogo “Ancestralidade em jogo”, com mediação ao final

Horários: 9h | 10h30 

Local: Parque Zoobotânico
Público-alvo: Geral
Mediadores(as) da trilha: Rayssa Borges Cardoso e Luann Gustavo Matta Delgado
Mediadores(as) do jogo: Ronaldo dos Santos Farias e Camila Cristina Lobo Palheta

  • 19 de abril (domingo) – Dia dos Povos Indígenas

Sessão Audiovisual - Exibição de produção audiovisual sobre povos indígenas e suas relações com território, cultura e ciência.

Exibição: "Mitos Indígenas em Travessia" (Zureta Filmes)

Horário: 10h às 12h

Local: Auditório do Parque Zoobotânico

Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
Tags:Pará
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