Pesquisa intercultural liderada pelo Museu Goeldi é apresentada na Semana do Programa Amazônia +10

Evento – que acontece entre terça e sexta-feira, nas cidades de Londres e de Oxford – reúne pesquisadores e representantes de instituições parceiras apoiadas pelo edital “Expedições Científicas”, no qual foi selecionado o Projeto Vozes da Amazônia Indígena.

Publicado em 18/09/2026 15:05Modificado há 4 dias
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Três pessoas em canoa navegam em rio escuro ladeado de floresta
Pesquisadores do Projeto Vozes durante expedição no Rio Içana, na Terra Indígena Alto Rio Negro (Laryssa Gaynett/Vozes)

Agência Museu Goeldi e Projeto Vozes – Entre terça e sexta-feira (de 22 a 25 de setembro), pesquisadores, pós-doutorandos e parceiros apoiados pela Chamada Expedições Científicas, da iniciativa Amazônia +10, vão se reunir em Londres e em Oxford, no Reino Unido, para compartilhar o progresso dos projetos, trocar experiências, fortalecer colaborações e discutir futuras oportunidades científicas. As atividades fazem parte da Semana do Programa Amazônia+10, que terá a participação do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituto de pesquisa vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

O "Projeto Vozes da Amazônia Indígena: processos históricos da sociobiodiversidade frente aos desafios do Antropoceno”, coordenado pelo Museu Goeldi e selecionado na chamada do Amazônia +10, será apresentado pela arqueóloga Helena Pinto Lima, do MPEG, pelo linguista Thiago Chacón, da Universidade de Brasília (UNB) *e por Manuel Arroyo-Kalin da University College of London, contando também com a presença de pesquisadores do Royal Botanic Gardens, Kew; da University of Nottingham e do Birkbeck University of London - parceiros britânicos do "Projeto Vozes".

Contando com mais de 70 pesquisadores indígenas e não indígenas e mais de 20 instituições científicas, o “Vozes da Amazônia indígena” é considerado uma rede de pesquisa intercultural, multidisciplinar e multirregional. O projeto abrange estudos em diversas áreas, que realizados em três territórios: a Terra Indígena (TI) Alto Rio Negro, no Amazonas; a TI  Kaiapó, no Pará; e a TI do Xingu, no Mato Grosso.    

“Nós estamos levando alguns produtos do projeto, que são o dicionário Kuikuro-Português de Cultura Material e o livro Territórios Radicais na Amazônia Brasileira, da antropóloga Laura Zanotti com o povo Mebengokre Kayapó. Vamos levar alguns exemplos das produções da editora do Museu Goeldi, resultantes das parcerias do projeto”, afirma a arqueóloga. 

De acordo com Helena Lima, além da visibilidade internacional, a participação na “Semana do Programa Amazônia +10” é uma oportunidade para os pesquisadores se conectarem, propor novas pesquisas e buscar financiamentos que permitam a continuidade dos projetos.

Amazonia +10

A iniciativa Amazônia +10 é liderada pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo a Pesquisas (Confap) e pelo Conselho Nacional de Secretários para Assuntos de Ciência Tecnologia e Inovação (Consecti), e conta também com a parceria do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). O objetivo do programa é apoiar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico sobre a floresta tropical, as interações natureza-sociedade e o desenvolvimento sustentável e inclusivo da região. 

Projeto Vozes

O projeto  “Vozes da Amazônia indígena: processos históricos da  sociobiodiversidade frente aos desafios do Antropoceno”, apoiado pela iniciativa Amazônia +10, é uma pesquisa em colaboração com os povos indígenas e inclui estudos arqueológicos e históricos, por meio de especialidades como arqueobotânica, zooarqueologia,  geoarqueologia, paleoecologia e análise de coleções históricas, visando compreender a longa duração das interações humanas com o ambiente. Foi iniciado em fevereiro do ano passado e tem vigência prevista de 36 meses.

Texto: Denise Salomão, jornalista bolsista do ‘Projeto Vozes’

Revisão: Andréa Batista, jornalista do Museu Goeldi

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Ciência e Tecnologia
Tags:Pará
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