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Terceiro Diálogo no Museu Goeldi aborda questões da COP do Clima e COP da Biodiversidade
Agência Museu Goeldi - A vida na Amazônia está sendo afetada por processos diretos, indiretos e assíncronos. Amanhã, dia 24 de junho, terça-feira, às 14h, o Museu Paraense Emílio Goeldi promove mais uma edição do “Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência”, no auditório Paulo Cavalcante, em seu Campus de Pesquisa localizado na avenida Perimetral, Terra Firme. Desta vez, o debate tem como tema principal “As respostas da biota amazônica frente às Mudanças Climáticas”. O evento reúne pesquisadores, representantes da sociedade civil, lideranças de povos tradicionais, movimentos sociais, gestores públicos e jornalistas.
O Ciclo de Diálogos objetiva promover reflexões sobre as questões fundamentais à conservação e desenvolvimento da Amazônia, conectando o saber científico às narrativas indígenas e de comunidades tradicionais e também à diferentes experiências de gestores. Com a programação o Museu Goeldi ressalta seu papel de local de encontros e de promoção de reflexões de assuntos importantes para a COP 30.
Na perspectiva da pesquisadora, coordenadora do Ciclo e de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, Marlúcia Martins, o tema deste terceiro evento está diretamente relacionado com a qualidade de vida das pessoas e a questão econômica, pois as mudanças climáticas afetam a biodiversidade e consequentemente, a vida da população.
“De que maneira as mudanças climáticas estão de fato afetando a biodiversidade? Tem várias vertentes de afetação. Você tem alguns processos diretos, que matam organismos como, por exemplo, a seca dos rios, onde morrem milhares de peixes, e você tem processos indiretos que são processos encadeados, como a perda de animais frugívoros e polinizadores que interferem, por exemplo, nos projetos de restauração”, destaca a pesquisadora.
Marlúcia enfatiza que várias espécies de plantas dependem de animais dispersores de frutos e sementes, pois espécies da floresta dependem da presença desses organismos. “Para ter árvore, para ter floresta, tem que ter os animais polinizadores e os animais dispersores. E para esses animais existirem, você precisa de todo o complexo de ecossistema que permite a vida deles. Como é que você vai ter castanha se não tiver cutia? Simples assim”.
Processos Assíncronos - A pesquisadora chama a atenção também para outro fator - os processos assíncronos que podem ocorrer nos ecossistemas amazônicos devido às mudanças do clima.
“Muitas vezes um estímulo de alteração climática produz a flor em um período onde o inseto não está pronto para visitar. Aí você tem uma assincronia entre o recurso e o polinizador. A flor vem, mas não tem quem polinize. E o inseto nasce e não tem pólen para pegar da flor. E aí acaba reduzindo a população. E isso já acontece recorrentemente, você vai dessincronizando os dois e você desconecta o recurso do organismo. E aí você pode ter extinção dos dois lados”.
Como a biodiversidade amazônica está respondendo às mudanças climáticas? O que estamos perdendo com a redução de espécies? Que ações são possíveis para mitigar os impactos? Essas e outras questões vão nortear os debates deste terceiro Ciclo de Diálogos, cujos questionamentos norteadores também buscam aproximar temáticas entre a COP do Clima e a COP da Biodiversidade, mostrando como os temas estão diretamente interligados.
Programação - Para conduzir as reflexões deste Ciclo de Diálogos COP 30 com Ciência, os debatedores convidados foram a Dra. Gabriela Ribeiro Gonçalves (MPEG), a Dra. Camila Ribas (INPA), Maria de Fátima Guilherme (liderança comunitária da Terra Firme) e Josiel Jacinto Pereira Juruna (líder indígena Yudja/Juruna, Volta Grande do Xingu). A moderação será feita pelo jornalista Fabyo Cruz, da Revista Cenarium.
O evento é aberto ao público e será transmitido ao vivo pelo canal do Museu Goeldi no Youtube.
Texto: Denise Salomão
Edição: Joice Santos
Serviço - Terceiro Ciclo de Diálogos “COP Com Ciência”
Data: 24/06, Terça-feira
Local: Auditório Paulo Cavalcante, Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, Avenida Perimetral,
Tema: “Respostas da Biota Amazônica frente às Mudanças Climáticas”
Auditório do Campus de Pesquisa
A partir das 14h
Debatedores:
- Dra. Gabriela Ribeiro Gonçalves (Museu Goeldi)
- Dra. Camila Ribas (INPA)
- Maria de Fátima Guilherme (liderança comunitária da Terra Firme)
- Josiel Jacinto Pereira Juruna (líder indígena Yudja/Juruna, Volta Grande do Xingu)
Moderação: Fabyo Cruz (Revista Cenarium)
Apoio: FAPESPA
Evento aberto e gratuito (não é necessária inscrição prévia).