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Presente de aniversário: Museu Goeldi estreia no Brasiliana Fotográfica com álbum histórico de Belém
Agência Museu Goeldi - No mês em que Belém completa 410 anos, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) faz a sua estreia no Portal Brasiliana Fotográfica, presenteando a população com a divulgação de imagens históricas da cidade, produzidas no fim do século XIX. Trata-se da digitalização e publicação de parte da Coleção Fotográfica do Arquivo Guilherme de La Penha, setor localizado no Campus de Pesquisa do MPEG, responsável pela preservação e salvaguarda de documentos históricos da instituição e de seus funcionários. Em sua coleção fotográfica, o arquivo reúne cerca de 20 mil documentos, entre negativos de vidro, reproduções em papel, cópias digitais de coleções privadas e impressões em fototipia.
A estreia do Museu Goeldi no Brasiliana Fotográfica foi marcada pela publicação de 34 imagens de Belém e de algumas ilhas, como Mosqueiro, acompanhadas de um artigo escrito pelos pesquisadores Nelson Sanjad, Lilian Bayma e Pablo Borges, que traz descrições minuciosas e explicações sobre o contexto de cada imagem. Além dessas 34 fotografias, outras imagens já estão sendo inseridas, dando continuidade ao processo de digitalização e publicação da coleção. Até o momento, são 68 fotografias na coleção virtual.
Esses registros fotográficos foram feitos por pesquisadores e servidores do Museu Goeldi durante suas viagens e pesquisas de campo. Ou seja, as fotografias também eram utilizadas como importantes ferramentas de pesquisa da época. Figuras como o botânico suíço Jacques Huber (1867-1914) e o fotógrafo alemão Ernst Lohse (1873-1930) são responsáveis por parte das imagens que já estão disponíveis para consulta no portal Brasiliana Fotográfica.
Mas eles não eram os únicos a saberem manusear uma máquina fotográfica naquele período. Outros grandes pesquisadores da instituição, como Emílio Goeldi, Gottfried Hagmann, Emilia Snethlage, Andreas Goeldi, Friedrich Katzer, Adolf Ducke e Rodolpho de Siqueira Rodrigues também deixaram um legado fotográfico importante não apenas para a história do Museu, mas também para a história e memória de Belém.
Parceria consolidada
O portal Brasiliana Fotográfica é uma iniciativa da Fundação Biblioteca Nacional e do Instituto Moreira Salles, e funciona como um repositório digital de acervos fotográficos. O objetivo é disponibilizar acervos documentais enquanto fontes primárias de pesquisa e informação, mas também salvaguardar este patrimônio imagético brasileiro. Ao todo, a plataforma reúne mais de dez mil imagens históricas produzidas no século XIX e XX provenientes de quinze instituições brasileiras, como o Arquivo Nacional, Fundação Biblioteca Nacional, Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, Fundação Joaquim Nabuco e Museu Histórico Nacional.
Em 2025, celebrou-se o ingresso do Museu Paraense Emílio Goeldi no rol de parceiros da Brasiliana, sendo a primeira instituição do Norte do Brasil a ter o seu acervo fotográfico disponibilizado no repositório.
Lilian Bayma de Amorim, chefe do Serviço do Arquivo e Memória Guilherme de La Penha, destaca que essa parceria com a Brasiliana Fotográfica já vem sendo pensada e estruturada desde 2022, ainda no período da pandemia de coronavírus. O pesquisador do MPEG Nelson Sanjad teve participação fundamental na construção do diálogo entre as duas instituições e nas pesquisas. Lilian também ressalta que sempre foi uma preocupação dos servidores do Arquivo que a sua coleção fotográfica tivesse um maior alcance.
“Para nós foi muito importante porque o nosso acervo fotográfico até então, só está disponível para quem vem presencialmente. E nós recebemos muitas demandas de pesquisadores locais, de pesquisadores de fora do estado e de fora do país. A gente sabe da necessidade, porque não é só preservar, conservar, guardar… É disponibilizar”, explica Lilian. Agora, pesquisadores de diversos lugares do Brasil e do mundo, assim como o público em geral, podem acessar essas imagens sem precisar ir até o Campus de Pesquisa do MPEG, onde está o arquivo físico.
Uma floresta desaparecendo
Entre as imagens de estreia, destacam-se fotografias feitas por Jacques Huber e Ernst Lohse e o olhar particular de cada um deles sobre Belém, como destaca o artigo que acompanha o álbum: “Lohse produziu imagens extraordinárias da cidade que se modernizava, com todos os ícones característicos da época: a locomotiva, a arquitetura de ferro, a rede de iluminação pública, o calçamento de ruas, os trabalhadores braçais etc. Huber, por sua vez, ao olhar para Belém, não via uma cidade em expansão ou o processo acelerado de urbanização, mas uma floresta que estava desaparecendo, sendo substituída, se arruinando. Trata-se de uma inversão epistêmica, que repõe, no lugar do humano, o vegetal como o principal protagonista das imagens que ele criou”.
O bairro de São Brás é um dos principais cenários registrados nas fotografias. Entre as imagens do passado e a paisagem do presente é possível ver elementos que perduram com o tempo, como a famosa caixa d’água localizada em frente ao Mercado de São Brás. Mas também, a rica vegetação que aos poucos foi sendo substituída por ruas, calçadas e edificações.
“Os registros produzidos por esses homens e por essas mulheres podem nos contar muito sobre os habitantes da região, humanos e não humanos; sobre as paisagens do passado, a cultura material, a arquitetura de cidades; sobre nosso legado colonial e também sobre nossa perspectiva de futuro. Esperamos que, ao estudar e interpretar esse acervo, possamos valorizá-lo no que ele tem de melhor: a diversidade de olhares e de percepções do mundo que nos rodeia”, afirmam os pesquisadores, no artigo que acompanha o acervo.
Outras iniciativas
Além do Brasiliana Fotográfica, outras iniciativas pretendem deixar a coleção fotográfica e o acervo documental do Arquivo Guilherme de La Penha mais acessível. É o caso do software de descrição de arquivo multilíngue AtoM, sigla que vem do inglês “Access to Memory” (Acesso à Memória, em português). O software é totalmente baseado na Web e pode ser acessado por qualquer navegador. E no momento, ele está em fase de estudo, treinamento e implementação no Museu Goeldi.
No próximo mês de março, está prevista mais uma série de publicações da Coleção Fotográfica do Arquivo Guilherme de La Penha no portal da Brasiliana Fotográfica. Desta vez, em homenagem ao aniversário de Emilia Snethlage, a primeira mulher a presidir uma instituição científica no Brasil (o Museu Goeldi), em 1914.
Leia o artigo na íntegra aqui: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/?p=42376
Veja todas as imagens da coleção do Museu na Brasiliana: https://brasilianafotografica.bn.gov.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/14087/discover