Parque Zoobotânico do Museu Goeldi comemora 131 anos com trilhas sobre a história e a biodiversidade do lugar

Neste sábado (15), o público poderá optar entre três roteiros diferentes, com saídas pela manhã. O convite é para enriquecer o passeio com aprendizado científico e histórico a partir da observação do patrimônio cultural e da biodiversidade preservados desde 1895. Os visitantes também poderão conferir um banco ritualístico do povo indígena Karipuna, peça integrante da exposição sobre o peixe-serra, em cartaz no Aquário Jacques Huber.

Publicado em 12/08/2026 15:48Modificado há 9 dias
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Sete pessoas observam um recinto de guarás. Uma moça usa colete e explica algo sobre os animais, enquanto o público registra a cena em foto.
Comportamento dos animais em conexão com o ambiente e a vida humana será tema das trilhas programadas para este sábado no Parque Zoobotânico (Woltaire Masaki/MPEG)

Agência Museu Goeldi – Desde que foi criado, em 1895, o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) atrai famílias e diversos curiosos para ver de perto a vida dos animais e a variedade das plantas amazônicas. Com 131 anos celebrados neste sábado (15), o local continua sendo um dos destinos mais procurados da capital paraense. Refúgio verde no centro urbano de Belém, abriga mais de 1.700 animais entre 3.034 árvores, que estimulam milhares de pessoas a percorrer, todos os meses, seus caminhos em busca de conhecimento e de conexão com a natureza. Para celebrar mais um aniversário, o convite ao público é para participar das trilhas que contam a história do parque e conferir mais uma novidade que acabou de chegar no Aquário Jacques Huber: o banco ritualístico do povo Karipura, vindo direto da Terra Indígena Uaçá (AP). 

Na manhã do sábado, três trilhas com propostas diferentes serão oferecidas aos visitantes. Basta chegar nos horários indicados e aguardar o início da aventura. As saídas estão previstas para às 9h30, às 10h e às 10h30. A equipe do Núcleo de Visitas Orientadas ao Parque, vinculado ao Serviço de Educação do Museu Goeldi (Nuvop/Seedu), recepcionará os interessados, logo após a bilheteria, em frente ao prédio histórico da Rocinha. Cada grupo será formado por até 30 pessoas, por ordem de chegada. Não há restrições de idade e não é necessária inscrição prévia. 

Chefe do Serviço de Educação do MPEG, Mayara Larrys reforça o convite. “As trilhas são formas de conhecer a história do parque, que também é um pouco a história da Amazônia, a partir de lugares diferentes, de percursos distintos. A trilha sobre sustentabilidade permite entender a relação entre a fauna e a flora, considerando aspectos e práticas sustentáveis. A trilha histórica aborda personagens que foram marcantes na constituição do Museu Goeldi, assim como na constituição das práticas de pesquisa e dos prédios que temos no parque. Por fim, teremos a trilha que a gente chama de ‘Visitão’, que permite conhecer de um modo mais amplo a fauna e a flora que temos no espaço”, descreve.

Um grupo de pessoas está parado diante de uma árvore alta num parque zoobotânico
Árvores, como a samaumeira, estarão nos roteiros das trilhas (Woltaire Masaki/MPEG)

Trilha da Sustentabilidade

A Trilha da Sustentabilidade será a primeira a sair. O percurso começará às 9h30. A proposta é percorrer o parque com o pensamento na convivência saudável entre os humanos e o meio ambiente, com respeito à cultura dos povos e à manutenção dos ecossistemas naturais. A conservação ambiental será o tema que mediará os diálogos instigados pela equipe do Nuvop. Com o objetivo de refletir sobre as interações humanas na Amazônia, a seringueira, a samaumeira, a paixúba, o cacau e o açaí estarão entre os pontos de parada deste roteiro, que também inclui conhecer sobre os modo de vida do gavião real (Harpia harpyja), do urubu-rei (Sarcoramphus papa) e das tartarugas-da-amazônia (Podocnemis expansa). 

Trilha Histórica

Já às 10h, será iniciada a Trilha Histórica. Neste passeio, a proposta é caminhar com a curiosidade pelo passado e com as reflexões sobre o presente e o futuro. A história do parque, as memórias preservadas no lugar, os patrimônios cultural e arquitetônico conservados na área e os modos de produzir e de divulgar ciência no decorrer dos 131 anos do local irão guiar a trilha. Os participantes poderão conhecer mais sobre os monumentos históricos, como os bustos em homenagem a cientistas; o recinto antigo de pássaros; o Castelinho, construído em 1901, mas que nunca foi um castelo e sim, uma enorme caixa d’água para a época; os postes de energia elétrica do final do século 19; e os prédios da Rocinha e do Aquário Jacques Huber. Estes são alguns pontos de parada desta experiência mediada pelo aprendizado sobre o espaço de mais de 5 hectares.

Trilha “Visitão”

Esta é a trilha considerada mais geral sobre o Parque Zoobotânico. Com saída prevista para às 10h30, a proposta é promover a educação científica diante da biodiversidade amazônica, que pode ser observada a partir da variedade de bichos e de plantas exclusivas da região. O percurso inclui contemplar características físicas e comportamentais de animais como a onça-pintada (Panthera onca), a ariranha (Pteronura brasiliensis), o gavião-real, os macacos-aranha (Ateles paniscus) e o jacaré (Melanosuchus niger) , e conhecer a importância das vitórias-régias (Victoria amazonica (Poepp) J.E.Sowerby) e das samaumeiras (Ceiba pentandra (L.) Gaertn) para o ecossistema. A trilha “Visitão” apresenta um panorama completo da importância histórica e científica do Parque Zoobotânico como lugar de lazer e de aprendizado que inspira gerações há 131 anos.

Banco do povo Karipuna

Banco ritualístico do povo Karipuna em formato de peixe-serra está exposto no aquário
Banco é peça essencial no ritual turé e de uso exclusivo dos pajés (Karol Gillet/MPEG)

Além das trilhas, o passeio comemorativo pode incluir um mergulho na história da relação entre o peixe-serra e o povo indígena Karipuna. Em cartaz no Aquário Jacques Huber, a exposição “Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica” recebeu, nesta semana, um novo item, que poderá ser visto bem de perto pelos visitantes. Trata-se do banco que simboliza o Ahetxiê, conhecido na biologia como peixe-serra, com duas espécies ocorrendo na costa amazônica e chamado pelo povo Karipuna também de espadarte. O banco é uma peça essencial no ritual turé, realizado em agradecimento às curas. Pertencente ao povo Karipuna, ele veio da aldeia Santa Isabel, localizada na Terra Indígena Uaça, no município de Oiapoque, no Amapá.

Pesquisadora e uma das curadoras da exposição, Manoela Karipuna explica que o Ahetxiê é um Karuana. “O Karuana é uma das entidades que nos guiaram pelo oceano até a embocadura do rio Oiapoque. O peixe Ahetxiê é um Karuana que aparece em vários momentos da nossa história. É como um dos responsáveis por ensinar o primeiro pajé a fazer o ritual do turé. A gente tem muito respeito pelos bancos porque eles são como se fossem as próprias entidades que chegam no ritual para festejar e beber caxiri com a gente”, disse Manoela, acrescentando que o banco que está no aquário participou de dois turés realizados para crianças e adolescentes, com objetivo de fortalecer a cultura nas gerações mais novas. 

De acordo com ela, “o banco pertencia ao pajé. Somente o pajé sentava nele. Ficava no centro do local onde acontece o ritual. Os turés dos quais esse banco participou foram específicos da escola da aldeia, justamente para ensinar às crianças e aos adolescentes do ensino infantil, fundamental e médio, a importância do ritual para a comunidade”, conta. A curadora acrescenta que a exposição conta ainda com pinturas em tela que revelam, na atualidade, a presença da representação do peixe Ahetxiê na arte indígena contemporânea.

Lugar de afeto e de inovação

Foto antiga mostra visitantes no parque zoobotânico do Museu Goeldi
Público visitante comparece ao parque desde que foi criado, em 1895 (Acervo MPEG)

Depois de funcionar no prédio do Liceu Paraense, atual Colégio Estadual Paes de Carvalho, e nas instalações onde hoje funciona a Academia Paraense de Letras, o Museu Goeldi, que em outubro completa 160 anos, instalou a sua terceira sede na área onde atualmente está o Parque Zoobotânico. O local cumpre, até hoje, a missão de aproximar a população do conhecimento científico. Não é raro ver o sorriso se alargar e os olhos brilharem quando uma pessoa adulta é provocada a falar sobre as memórias de infância no parque, criado em 1895, na gestão do zoólogo Emílio Goeldi. Com o passar das décadas, o MPEG se expandiu para mais duas bases físicas no Pará: o Campus de Pesquisa, no bairro de Terra Firme; e a Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã.

Ao longo do tempo, o Parque Zoobotânico ampliou seu território até ocupar um quarteirão inteiro. Em 1911, ganhou uma das atrações mais visitadas da atualidade: o Aquário Jacques Huber. Devido à sua relevância histórica, arquitetônica, paisagística e científica, em 1993, o parque foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em 2022, um dos mais recentes espaços de visitação foi inaugurado, mantendo a tradição de inovação que o parque conquistou no decorrer da sua história: o Centro de Exposições Eduardo Galvão complementa as áreas de lazer e de aprendizado destinadas ao público que frequenta a instituição há mais de um século.

Texto: Carla Serqueira

Edição: Erika Morhy

Aniversário de 131 anos do Parque Zoobotânico

SERVIÇO:

Aniversário de 131 anos do Parque Zoobotânico

Data: 15 de agosto (sábado)

Trilha da Sustentabilidade

Saída: 9h30

Trilha Histórica

Sa´ída: 10h

Trilha “Visitão”

Saída: 10h30

Duração prevista das trilhas: em torno de 45 minutos

Ingresso: R$ 3, com meia-entrada e gratuidades previstas em leis

Funcionamento do parque: de quarta a domingo, das 9h às 16h.

Categorias
Educação e Pesquisa
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