Pará tem a maior diversidade e variedade de sementes de cacau no mundo

Pesquisadores do Museu Goeldi desenvolvem estudos sobre o cacau e seu cultivo em áreas de várzeas, coletando dados para alimentar futuramente um sistema de informação geográfica, fornecendo conhecimento sobre a produtividade e qualidade em diferentes épocas de uma planta que desperta interesse comercial desde o Brasil Colônia.

Publicado em 24/08/2022 13:45Modificado há 4 anos
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Agência Museu Goeldi - Matéria-prima do chocolate, o cacau é um dos frutos mais famosos em todo o mundo e seu nome científico ( Theobroma cacao ) significa “alimento dos deuses”, indicando sua importância na história humana. No Brasil, o cacau é uma das mais famosas drogas do sertão, especiarias exploradas e comercializadas desde o século XVII. Ele foi objeto de 4 estudos em várzeas de ilhas dos municípios de Mocajuba e Cametá (Pará), que serão apresentados no

XXX Seminário de Iniciação Científica do Museu Goeldi

. O evento ocorrerá no período de 22 a 26 de agosto, no Auditório do Campus de Pesquisa da instituição, na cidade de Belém.

O estado do Pará tem a maior diversidade e variedade de cacau no mundo, com potencial para produzir amêndoas diferenciadas, ou seja, existem diferentes produtos que atendem a preferência de diferentes públicos, o que amplia o nicho de mercado onde o cacau amazônico pode ser inserido.

Além de sabor marcante, o cacau gera benefícios para a saúde, como:  melhorar o humor, ajudar na redução do risco cardiovascular, fortalecer a memória e redução do estresse. Por esses e outros motivos, o mercado do cacau se mantem em grande crescimento no mundo.

A história científica do cacau data do início do século XVII, quando foi citado pela primeira vez nos estudos de botânica de Charles de L’ecluse como Cacao fructus . Mas apenas em 1793 que seu nome atual - Theobroma cacao - foi atribuído por Carl Lineu .

Cacau nativo amazônico – O cacaueiro é uma arvore nativa da Amazônia que pode chegar a até seis metros de altura com tronco que varia entre 20 e 30 centímetros de diâmetro e casca de cor pardo-amarronzada. As folhas medem entre 15 e 25 centímetros. Seu fruto pode ter cor amarela, branca ou avermelhada com sementes envoltas na polpa branca de aroma e sabor doce -  a coleção florística do

Parque Zoobotânico do Museu Goeldi

reúne exemplares bonitos dessa árvore.

A pesquisadora Milena Carvalho , pesquisadora colaboradora do Museu Paraense Emilio Goeldi (MPEG) e orientadora da bolsista Isabelle Félix, explica que “o geoambiente amazônico é o grande diferencial nas qualidades organolépticas (as que são percebidas pelos nossos sentidos, como cor, brilho, transparência, textura, odor e sabor) do cacau. Ou seja, condições climáticas, composição do solo e do sedimento de várzea, são pontos muito importantes na diferenciação do aroma e terroir do produto final”, ressalta Milena.

O Terroir é um conceito que engloba aspectos e fatores do cultivo de um produto, como: topografia, geologia, pedologia, drenagem, clima e microclima, castas, intervenção humana, cultura, história e tradição. Cada pedaço de terra possui seu próprio terroir , quase como um DNA, específico daquela área e que é impresso no produto colhido.

No cultivo do cacaueiro na Amazônia temos o plantio em terra firme e da área de várzea. A várzea é uma área tipicamente inundada, situada na margem de cursos d´água e muito propícia à agricultura devido à fertilidade do solo.

O cultivo do cacau nativo em área de várzea na Amazônia traz grandes benefícios para o produto. “Sobretudo por meio da produção orgânica, sem o uso de fertilizantes e aditivos químicos, porque a área é adubada naturalmente com os sedimentos em suspensão presentes nos rios, altamente ricos em nutrientes químicos. Fato que agrega valor ao produto final”, comenta Milena .

Pesquisas PIBIC - Para entender melhor essa relação entre o solo de várzea e o plantio do cacau a aluna de Biologia da Universidade Federal Rural da Amazônia e bolsista PIBIC do Museu Goeldi, Thalia Silva da Silva, com orientação de

José Francisco Berrêdo Reis da Silva

, geoquímico e pesquisador de Ciências da Terra e Ecologia (MPEG) e de

Maria José de Sousa Trindade

(UFRA) produziu um artigo sobre o tema.

“O trabalho fala sobre a caracterização do solo e composição florística. E é importante para a região avaliar o solo, tanto a parte física quanto química, como ele contribui para o crescimento do cacau e de outras espécies presentes no ambiente.”, explica Thalia.

Além do trabalho de Thalia, Berrêdo orientou Francisco de Sousa Sanches Junior, aluno de Agronomia da Universidade Federal Rural da Amazônia, e Larissa Coimbra Alves, aluna de Engenharia Química da Universidade Federal do Pará em pesquisas sobre Influência dos métodos de fermentação e secagem das amêndoas do cacau de várzea e avaliação física e bioquímica da qualidade das amêndoas do cacau resultantes do método de pré-tratamento e fermentação.

Os trabalhos do grupo de pesquisa do Goeldi sobre o cacau e seu cultivo estão sendo feitos na região de Mocajuba e Cametá, especificamente na Ilha de Santana, Costa de Santana, Ilha do Tauaré, em Tauaré grande e Tauarézinho.

Um dos intuitos das pesquisas sobre cacau é a criação de um sistema de informação geográfico, como esclarece Milena Carvalho : “É muito mais do que um mapa, muito mais do que imagens. Na verdade, ele integra dados de informação do solo, da qualidade da água, dos sedimentos e produtividade. O objetivo principal em desenvolver esse sistema é agregar todas essas informações analíticas dentro de uma plataforma que responde a quem está consultando sobre a produtividade e qualidade em diferentes épocas”.

As pesquisas citadas nessa matéria serão apresentadas no XXX Seminário do Programa de Iniciação Científica (PIBIC) do Museu Goeldi, que ocorrerá entre os dias 22 e 26 de agosto de 2022. Acesse aqui a programação completa do Seminário.

Texto: Nina Dacier

Edição: Joice Santos

SERVIÇO: XXX Seminário de Iniciação Científica do Museu Paraense Emílio Goeldi

Sessão 3 – Dia 24/08 (Quarta-feira - Manhã)

9h30 - Caracterização dos sedimentos, diversidade e composição florística das ilhas de várzeas com atividades de cacau nativo (Theobroma cacao) da região do Baixo Tocantins. THALIA SILVA DA SILVA (COCTE)

Sessão 6 – Dia 26/08 (Sexta-feira - Manhã)

8h45 - Influência dos métodos de fermentação e secagem das amêndoas do cacau de várzea no teor de compostos fenólicos. FRANCISCO DE SOUSA SANCHES JUNIOR (COCTE)

9h - Avaliação física e bioquímica da qualidade das amêndoas do cacau resultantes do método de pré-tratamento e fermentação. LARISSA COIMBRA ALVES (COCTE)

PAINEL : Beneficiamento primário, propriedades físicas e químicas das amêndoas de cacau nativo (Theobroma cacao) e sistema informativo geográfico das ilhas de várzea. ISABELLE BRASIL FÉLIX (COCTE)

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