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Oficinas de arte rupestre impulsionam conexão de estudantes de Monte Alegre com o território
Aquarela de Mário Baratta, que ministra as oficinas, representa pintura rupestre no Parque Monte Alegre - Pema (Crédito: Mário Baratta)
Agência Museu Goeldi – A partir desta segunda-feira (02/03) o município de Monte Alegre recebe uma série de oficinas com o tema “Desenhar, despertar e conservar”, promovida pelo projeto Arqueologia de Monte Alegre (AMA), que nasceu a partir das pesquisas realizadas no âmbito do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). O principal objetivo dos eventos é engajar a comunidade, em especial crianças e jovens, na preservação do patrimônio arqueológico amazônico, por meio de atividades lúdicas que conectam a arte com o ambiente, com ênfase nas pinturas rupestres.
A iniciativa foi idealizada pelo arquiteto e aquarelista Mário Baratta, articulada pelo professor Lucenildo Soares e está sendo acompanhada pela pesquisadora Edithe Pereira. A programação contemplará cerca de 80 alunos do 1º ao 5º ano do ensino fundamental matriculados em escolas públicas de quatro comunidades localizadas no entorno do Parque Estadual Monte Alegre (Pema).
Para a arqueóloga e pesquisadora emérita do Museu Goeldi, Edithe Pereira, a ideia fundamental das oficinas é que, desde cedo, as crianças, ao se aproximarem do patrimônio arqueológico de Monte Alegre, desenvolvam uma consciência sólida sobre a importância histórica, cultural e identitária desse legado. “De forma lúdica, por meio da arte, as oficinas buscam despertar nos alunos o respeito e a responsabilidade pela preservação desse patrimônio”, explica.
Além das técnicas artísticas
Mário Baratta explica que as oficinas foram elaboradas a partir de uma demanda da própria comunidade. “A proposta prioriza uma experiência mais sensorial do que propriamente estética, estimulando a percepção, a vivência e o vínculo com o território. Embora inclua atividades de pintura e desenho, a iniciativa vai além das técnicas artísticas. Antes de tudo, busca criar momentos de reflexão sobre o contexto em que as crianças vivem, estabelecendo conexões entre o cotidiano da comunidade, o parque, as pinturas e as perspectivas de futuro”, ressalta.
Durante os trabalhos, que acontecem até a próxima quinta-feira (05/03), serão produzidos um caderno de anotações, tintas orgânicas e registros visuais inspirados nas pinturas rupestres. Além disso, os participantes receberão orientações sobre desenho ao ar livre e aquarela, incentivando um olhar mais atento ao ambiente.
O AMA e o Pema
O Museu Goeldi desenvolve, desde 2012, o Projeto “A ocupação pré-colonial de Monte Alegre (PA)” ou, simplesmente, Arqueologia de Monte Alegre (AMA), coordenado por Edithe Pereira. Dedicado à ampla divulgação do conhecimento produzido pelas pesquisas arqueológicas em Monte Alegre, o projeto alia produção acadêmica, divulgação científica e formações educacionais.
Voltado para pesquisadores da área e para a comunidade em geral, o AMA conta com uma produção diversificada, entre livros, documentários, oficinas, cursos de capacitação, quadrinhos, cartilhas e exposições.
O Parque Estadual Monte Alegre (Pema) tem sido presente na pesquisa realizada pelos pesquisadores do AMA. Criado pela Lei Estadual 6.412/2001, é uma das nove unidades de conservação de proteção integral do Pará e está sob a gestão do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio).
CALENDÁRIO DAS OFICINAS:
02/03 (segunda-feira) – Escola Municipal Lajes , Comunidade de Lajes, Zona Rural, Monte Alegre - PA
03/03 (terça-feira) – Escola Paituna, Comunidade de Paituna, Zona Rural, Monte Alegre - PA
04/03 (quarta-feira) – Escola Municipal E. F. NSRA Santana, Comunidade de Aldeia, Zona Rural, Monte Alegre - PA
05/03 (quinta-feira) – Escola Municipal E. F. Ererê , Comunidade de Ererê, Zona Rural, Monte Alegre - PA
Texto: Gabriela Moura e Danielle Neves
Edição: Andréa Batista