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Notícias

Primeiro dia da COP30: no Parque do MPEG, “Casa Goeldi” arrecada R$ 4,8 milhões

Nesta segunda-feira, parceria entre Museu Goeldi, Embaixada da Suíça, Estado do Pará e Instituto Peabiru mobiliza recursos para entregar prédio histórico restaurado até o 160º aniversário do MPEG. Parque Zoobotânico ainda tem atividades da "Estação Amazônia Sempre" e Campus de Pesquisa sedia Encontro de Mulheres Extrativistas
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Publicado em 10/11/2025 17h03 Atualizado em 11/11/2025 11h44
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Diretor do Museu Goeldi, embaixador e representantes de instituições parcerias, em evento de mobilização de recursos para a Casa Goeldi (Foto: Adrya Marinho)
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Gabas Júnior, Úrsula Vidal e Hanspeter Mock em evento de arredação de recursos para Casa Goeldi (Foto: Adrya Marinho)
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Diretor do Museu fala em evento de arrecadação de recursos para Casa Goeldi (Foto: Adrya Marinho)
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Espaço Planetary Embassy no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi (Foto: Adrya Marinho)
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Embaixador e representantes de instituições parcerias, em evento de mobilização de recursos para a Casa Goeldi (Foto: Adrya Marinho)
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Ministra Luciana Santos, Gabas Júnior (diretor do MPEG) ao lado de representantes do BID e convidados (Foto: Kevin Castro)
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Ministra Luciana Santos, Gabas Júnior e Ilan Goldfajn, presidente do Grupo BID (Foto: Kevin Castro)
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Público na abertura oficial da Estação Amazônia Sempre (Foto: Kevin Castro)
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Luciana Santos fala durante abertura da Estação Amazônia Sempre, no Museu Goeldi (Kevin Castro)
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Entrada do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Museu Goeldi (Foto: Kevin Castro)
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Chegada da Ministra Luciana Santos ao Museu Goeldi. Ela está acompanhada de Nilson Gabas Júnior e Sue Costa (Foto: Kevin Castro)
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Pesquisadora do MPEG Marlúcia Martins no debate do Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (Foto: GabrielaMoura)
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Palestra durante evento do Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega na Estação Amazônia Sempre (Foto: Gabriela Moura)
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Participantes do painel do Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega na Estação Amazônia Sempre (Foto: Adrya Marinho)
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Encontro Nacional das Mulheres Extrativistas no Espaço Chico Mendes, no Campus do Museu Goeldi (Foto: Henrique Pimenta)
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Nice Machado, Secretária Nacional da Mulher Extrativista do Conselho Nacional das Populações Extrativistas - CNS. (Foto: Henrique Pimenta)
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Encontro Nacional das Mulheres Extrativistas no Espaço Chico Mendes, no Campus do Museu Goeldi. (Foto: Henrique Pimenta)
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Carlene Printes, representante das Mulheres Quilombolas Pretas Marias, durante debate no Espaço Chico Mendes (Foto: Henrique Pimenta)
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Maria do Socorro Teixeira, diretora do Fundo Puxirum, no Encontro Nacional das Mulheres Extrativistas. (Foto: Henrique Pimenta)

Museu Goeldi | COP30 com Ciência - No primeiro dia da COP30, uma boa notícia: foram arrecadados R$ 4.816.786,23 para restaurar a casa onde viveu o suíço Emílio Goeldi, localizada no Parque Zoobotânico da unidade de pesquisa que recebe o nome do naturalista, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Diretor da instituição em 1894, Goeldi habitou a construção que tem arquitetura no estilo “rocinha”, onde também morou os ex-diretores Jacques Huber e Emília Snethlage, no século XIX. O projeto de restauro e a captação de recursos em andamento são frutos da parceria firmada oficialmente, nesta segunda-feira (10/11), entre o Museu Goeldi, a Embaixada da Suíça, o Estado do Pará e o Instituto Peabiru, durante um evento de mobilização de recursos que reuniu doadores confirmados e potenciais apoiadores.

A atividade foi 
realizada no Chalé João Batista de Sá, que se transformou na Planetary Embassy, o espaço da “Presença Suíça” no evento global das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, em Belém. O diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Júnior, disse que as negociações com a Embaixada da Suíça foram iniciadas há dois anos e chamou o momento em que passa o MPEG de “reposicionamento histórico”. Para ele, o mais importante é ressaltar a utilidade que a Casa Goeldi terá no futuro. “A restauração desta casa visa atender diretamente às necessidades das comunidades tradicionais. Estamos numa COP que busca a conexão com os povos da Amazônia. E este será um espaço cultural, um espaço científico, um espaço de desenvolvimento para aprender e ensinar, para que se possa dialogar, porque o mundo precisa de mais diálogo, de mais entendimento”, explicou Nilson Gabas, enaltecendo a forma indígena de liderar. “É uma liderança que se dá pela generosidade”.

Legado completo e duradouro - É com a generosidade das instituições privadas que o embaixador da Suíça no Brasil, Hanspeter Mock, busca contar nos próximos meses, para viabilizar a conclusão do projeto de restauro da Casa Goeldi. “Para realizar esse projeto ambicioso, já contamos com o apoio financeiro de empresas suíças e brasileiras. Mas precisamos de mais apoio. Especialmente do apoio do setor privado suíço e brasileiro aqui representado”, frisou o embaixador, se dizendo esperançoso de contabilizar novas doações a partir do evento desta manhã promovido pela Embaixada da Suíça. “Quero expressar a esperança sincera de que muitos de vocês decidam apoiar este magnífico projeto. Longe de ser um sonho, constituirá um legado concreto e duradouro da nossa participação conjunta na COP30, em Belém do Pará”. 

Representando o Estado do Pará, a secretária de Cultura, Úrsula Vidal, reforçou a importância do legado científico do Museu Goeldi e a presença do Parque Zoobotânico na memória afetiva do povo paraense que atravessa gerações. Ela também mencionou a influência internacional do MPEG, com a produção de pesquisas em cooperação com outros países e enfatizou o valor da biodiversidade amazônica. “Eu tenho memória de infância neste lugar; a minha mãe, meus filhos também têm. É aqui que a gente mergulha na experiência vivíssima de uma biodiversidade conservada no coração de uma cidade que cresceu sem compreender a sua vocação de cidade ribeirinha, de cidade amazônica, ainda que metrópole, uma cidade histórica, também muito voltada para pesquisa, onde essa biodiversidade precisa ser um ativo para nós, no sentido da identidade, não só um ativo para o crédito de carbono, mas para a conservação ambiental”, ressaltou.

50% dos recursos necessários – Diretor do Instituto Peabiru, João Meirelles falou sobre o processo de captação de recursos e apresentou o plano para a execução das obras. De acordo com ele, ainda não há um valor financeiro fechado para a restauração. “O que nós temos até agora é aproximadamente 50% dos recursos necessários”, arriscou dizer. “Só vamos ter o custo total quando todos os projetos de restauro forem aprovados. Sou captador profissional de recursos há 40 anos. Então, acho que com até R$ 8 milhões conseguimos executar esse trabalho”, anunciou. Até agora, já contribuíram com as doações: Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco UBS, Fundação Ameropa, EBP, Fundação MSC e Secretaria de Cultura do Estado do Pará (Secult).

João Meirelles informou ainda que, até dezembro, haverá a entrega do projeto executivo, a definição orçamentária e o licenciamento das obras. Já no decorrer de 2026, estão previstas a contratação de empresas especializadas, a gestão e a supervisão dos trabalhos, o acompanhamento da regularização das licenças obtidas, a definição do design interno e da decoração, a elaboração da agenda de eventos e do modelo de governança, entre outras etapas até a entrega da Casa Goeldi, na comemoração dos 160 anos do Museu. 

Projeto tem duas dimensões – O projeto de restauração da Casa Goeldi foi concebido pelo escritório suíço Herzog & de Meuron, com o apoio do Instituto Pedra, representado, no café da manhã, pelo diretor Luiz Fernando Almeida. “A gente tem duas dimensões nesse processo: uma dimensão técnica, material, com a edificação que será recuperada; e uma outra dimensão, talvez mais importante, que é a simbólica. A recuperação do patrimônio é dar sentido histórico para os nossos usos no presente, projetando também o que vai ser nosso futuro”, disse ele. 

A solenidade incluiu a assinatura do memorando de entendimento entre Estado do Pará, Museu Goeldi, Embaixada da Suíça e Instituto Peabiru, e do acordo de Cooperação Técnica entre a Secretaria de Cultura do Estado do Pará e o Museu Goeldi. No final da cerimônia, as pessoas presentes foram convidadas a circular ao redor da Casa Goeldi para apreciar o mural sobre o legado suíço na pesquisa amazônica. A instalação pode ser visitada durante a COP30, no Parque Zoobotânico, que está com a entrada gratuita até o dia 21.

Texto: Carla Serqueira

ESTAÇÃO AMAZÔNIA SEMPRE: Ministra Luciana Santos prestigia inauguração oficial da agenda do Grupo BID

A inauguração da agenda oficial do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID) na COP30, a "Estação Amazônia Sempre", na tarde desta segunda-feira (10), fez parte da programação do Museu Goeldi no Parque Zoobotânico. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, e o diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr., receberam a comitiva integrada, dentre outras autoridades, por Hanspeter Mock, embaixador da Suíça; Ruth Davis, representante Especial do Reino Unido para a Natureza; Ilan Goldfajn, presidente do Grupo BID; Carina Pimenta, secretária Nacional de Bioeconomia do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Brasil; e Julie McCarthy, CEO Nature Finance. Fez parte da agenda, uma visita à nova exposição permanente da instituição, denominada “Diversidades Amazônicas”, que será aberta ao público a partir desta terça-feira (11).

Diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr., explicou que “o tipo de ciência que a gente faz vai da ciência básica à ciência aplicada, passando por inovação e por auxílio aos tomadores de decisão para elaboração de boas políticas públicas. O Museu Goeldi faz uma comunicação em ciência pujante, e isso tudo adicionado a um componente artístico e cultural”. Para ele este é elemento é fundamental para que “as pessoas se sintam é em casa”, promovendo uma consciência crítica sobre o que ocorre na Amazônia e se envolvam na defesa da região.

Durante a visita ao parque, as autoridades conheceram a exposição fotográfica “Amazônia a olhos vistos”, organizada pela Rede Bioamazônia. Tatiana Schor, chefe da Unidade Amazônia, no BID, conduziu a visita, reiterando o desafio dos oito institutos membros de sintetizarem no conjunto algumas das principais crises vividas na região e parte das ações em curso para enfrentá-las.

Momento raro – As autoridades conheceram ainda a nova mostra de longa duração do Museu Goeldi, “Diversidades Amazônicas”, que conta com financiamento do BID e apoio da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e do próprio MCTI. Coordenadora de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, Sue Costa, iniciou a apresentação da mostra na área externa do Centro de exposições Eduardo Galvão, onde o público poderá conferir o mural da artista Drika Chagas, destacando a expressão de elementos da flora amazônica tradicionalmente utilizados tanto em práticas ritualísticas quanto na culinária da população.

No térreo do prédio, as autoridades, em rara oportunidade, apreciaram exemplares biológicos e culturais da Amazônia preservados nos acervos científicos da instituição, que completa 160 anos, em 2026. O coordenador de Museologia, Emanoel Fernandes de Oliveira Júnior, conduziu a comissão por um espaço representativo de várias áreas de conhecimento, como Arqueologia, Linguística, Antropologia, Paleontologia, Zoologia e Botânica, além de contribuições preciosas de povos indígenas, populações tradicionais e artistas. O objetivo é mostrar a sociobiodiversidade característica do bioma.

Presidente do Grupo BID, Ilan Goldfajn destacou durante a cerimônia que “nosso lema é que a gente vai conseguir chegar longe se a gente conseguir combinar inovação, cooperação e implementação”. Ele destacou que o projeto Amazônia Sempre, também do BID, “passou de 1 bilhão de reais para 6,5 bilhões em financiamento para região, baseado em cinco pilares: trabalharmos o desmatamento, diretamente; a promoção da bioeconomia; o apoio às pessoas e comunidades; o apoio e promoção da conectividade de cidades e infraestrutura resiliente; e avanços na agricultura, na pecuária, na silvicultura”. Isso porque, diz Ilan, “se você não tratar as pessoas, se você não der alternativa econômica para as pessoas, se você não tratar as cidades, não der condições de vida, você não consegue tratar a floresta”.

O evento - A Estação Amazônia Sempre é apresentada pelo Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (Grupo BID), por meio do seu Programa Regional Amazônia para Sempre, em parceria com o Museu Goeldi, durante a COP30. Até dia 21 de novembro, a estação contará com uma agenda dinâmica, focada na Amazônia, no intuito de promover diálogos inclusivos e transformadores sobre o futuro da Amazônia.

A estação se baseia no legado histórico e na excelência científica do Museu Goeldi e se estende muito além da COP30, com o objetivo de apoiar a restauração da infraestrutura do museu para que ele possa continuar a servir como um centro de diálogo, colaboração e pesquisa que conecte a sabedoria indígena e o conhecimento científico em toda a região amazônica. O público poderá conferir a programação em dois espaços do Parque Zoobotânico do Museu Goeldi: o Chalé e o Auditório Eduardo Galvão.

Texto: Erika Morhy

Consórcio Brasil-Noruega conecta ciência e soluções para a crise climática 

Os eventos da “Estação Amazônia para Sempre”, que tiveram início no último sábado no Parque Zoobotânico do MPEG, têm reunido representantes da indústria, da academia e de instituições públicas e privadas, entre outros organismos. O primeiro de um total de 10 encontros realizados somente nesta segunda-feira (10/11) reforçou que a preservação da Amazônia depende da cooperação entre diversos setores. O painel “Ciência que conecta: soluções para a crise climática a partir da biodiversidade amazônica” foi organizado pelo Consórcio de Pesquisa em Biodiversidade Brasil-Noruega (BRC). 

O evento destacou a importância da cooperação para a conservação e o uso sustentável do bioma e marcou mais um capítulo da parceria estratégica entre o Museu Goeldi e o BRC, consolidando avanços científicos e ações concretas em prol da preservação ecológica da região. Ao unir conhecimento acadêmico e soluções práticas, o Museu Goeldi e o BRC mostram que é possível proteger a biodiversidade, restaurar ecossistemas e formar uma nova geração de cientistas comprometidos com o futuro da região.

Com mais de uma década de atuação, o Consórcio já produziu mais de 200 mil registros de fauna e flora, identificou mais de 300 espécies de mamíferos e aves e mais de 460 espécies de invertebrados. Na avaliação das instituições envolvidas, essa atuação gera dados, soluções e impactos que contribuem diretamente para a preservação da biodiversidade e para a recuperação de ecossistemas degradados.

Colaboração relevante – A pesquisadora Marlúcia Martins, coordenadora de Pesquisa do Museu Goeldi e integrante da diretoria do BRC, ressaltou a relevância dessa colaboração.“Esse consórcio, que já tem mais de 11 anos de existência, reúne o Museu Goeldi, a Universidade de Oslo, a Hydro, a Ufra e a UFPA. É um consórcio de pesquisa sobre biodiversidade, principalmente, voltado à restauração dos ecossistemas após mineração de bauxita, que é a atividade da Hydro, em Paragominas. Ao longo desses anos, temos desenvolvido diversas pesquisas e contribuído para a formação de estudantes de graduação, mestrado e doutorado”, destacou.

A pesquisadora do Museu Goeldi também ressaltou o caráter inovador do modelo de cooperação entre indústria e academia. “Considero esse modelo muito bem-sucedido, porque ele garante a independência das pesquisas e das publicações, ao mesmo tempo em que atende a demandas específicas da indústria. Isso é muito importante na formação dos novos cientistas, que aprendem desde cedo a dialogar com a realidade amazônica e com os desafios da restauração ambiental”, afirmou.

Durante o evento, Ana Cristina Mendes de Oliveira, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA) e diretora do Comitê Científico do BRC, apresentou a trajetória e os resultados do consórcio.“O BRC nasceu em 2013 e, ao longo de mais de 12 anos, vem desenvolvendo projetos que favorecem a biodiversidade amazônica, gerando conhecimento para sua conservação e contribuindo com soluções para a crise climática na região”, explicou.

Texto: Gabriela Moura


NO CAMPUS – Estação Chico Mendes recebe “Encontro Nacional das Mulheres Extrativistas”

O quarto dia de programação da “Estação Chico Mendes e Fundação Banco do Brasil na COP30”, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, foi dedicado ao Encontro Nacional das Mulheres Extrativistas, que reuniu painéis e roda de conversa protagonizados por representantes de instituições e de movimentos populares envolvidos com a temática. O destaque das discussões foi o protagonismo das mulheres na luta pela preservação do meio ambiente. “As mulheres não eram colocadas nas políticas. Nós começamos a enfrentar, porque ninguém nos deu nada de graça”, disse Nice Machado, secretária de Mulheres no Conselho Nacional das Populações Extrativistas - CNS, dando o tom aos discursos. 

Para ela, a mesa “Mulheres da Floresta e das Águas: vozes que sustentam o mundo” foi uma das mais importantes da programação e o motivo era evidente: “É a primeira vez que aqui, neste evento, nós colocamos uma mesa só das mulheres da Amazônia. A importância da nossa política, da política ambiental, da política social e da política cultural, que não é respeitada, é destruída. Isso porque quando trabalham todas as políticas, se não trabalharem a política ambiental, acontece o que está acontecendo hoje. Se as mulheres não tiverem lado para fazer a diferença, vai acontecer o que está acontecendo. E nós estamos evitando isso acontecer, mas para isso a terra tem que ser no nome da mulher (a propriedade). Aí, ela vai ter uma força maior para fazer a diferença”. 

Evento histórico – Carlene Printes, representante das Mulheres Quilombolas Pretas Marias,  e quilombola do quilombo Boa Vista Trombetas, o primeiro intitulado coletivamente na história do país, resumiu a participação no evento: “É histórico, o que a gente tá fazendo aqui. Criar um espaço alternativo de debate para que mulheres possam ser protagonistas em um cenário, um contexto em que as vidas das mulheres são invisibilizadas. Eu que venho de um território quilombola, digo que a titulação dos territórios quilombolas é urgente e que é uma solução de emergência climática. Se não formos nós, pensando em nós, a partir de nós, as políticas não chegam, as denúncias não são feitas. Então, a gente cria alternativas e estratégias para conseguir, de fato, fazer as vozes dessas mulheres ecoarem”.

O evento contou com uma homenagem à Dona Raimunda dos Cocos, que foi a fundadora da Secretaria da Mulher do CNS e é uma referência para a comunidade das mulheres extrativistas. “Hoje, estou representando a dona Raimunda, que foi a primeira mulher que teve coragem de criar uma Secretaria da Mulher e, para mim, é uma das coisas mais importantes”, pontua Nice Machado. 

Texto: Isabella Gabas

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Edição: Andréa Batista

CONFIRA AS PROGRAMAÇÕES DA SEGUNDA-FEIRA NAS DUAS BASES DO MUSEU

  • NO PARQUE – Presença Suíça: Chalé João Batista de Sá - Parque Zoobotânico Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Gov Magalhães Barata, 376 - São Braz, Belém-PA.

  • NO PARQUE – Estação Amazônia Sempre – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA)

  • NO PARQUE – Casa da Ciência – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA)

  • NO CAMPUS – Espaço Chico Mendes – Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi – Av. Perimetral, 1901 - Terra Firme, Belém (PA)



Meio Ambiente e Clima
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