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Museu Goeldi recebe novos integrantes do Clube de Pesquisadores Mirins
Agência Museu Goeldi - “Minha expectativa é que seja um ano de muitas descobertas e experimentos”, revelou Júlia Bechara, 13 anos, estudante do 8º ano do ensino fundamental e nova integrante do Clube de Pesquisadores Mirins, do Museu Paraense Emílio Goeldi (CPM/MPEG), instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As novas turmas do Clube, que existe desde 1997, estão iniciando suas atividades esta semana. Júlia e mais de 20 colegas fazem parte da turma “Jardim das Ciências”, que teve a primeira aula nesta terça-feira (24/03). A segunda turma, “Planeta Animal”, ingressa na iniciação científica promovida pelo CPM, nesta quarta-feira (25/03). Ao longo do ano, os 50 novos pesquisadores mirins participarão de encontros semanais que podem incluir pesquisas de campo, oficinas, visitas a coleções científicas e a outros ambientes de pesquisa.
“É uma alegria poder reabrir o Clube de Pesquisadores Mirins. Desejo que vocês se divirtam bastante, que esse seja um processo inesquecível na vida de vocês. É um prazer e uma honra tê-los aqui nesse projeto tão longínquo do Museu. Esperamos oferecer essa ação, cada vez melhor, com mais infraestrutura, e que, no próximo ano, possamos abrir mais vagas. Vou vê-los durante a semana por aqui, acompanhar todo mundo e eu espero que todo mundo se divirta, que aprenda, que respire a ciência feita neste lugar incrível”, disse a coordenadora de Comunicação e Extensão (Cocex), Sue Costa, durante a recepção, aos integrantes do CPM, no Parque Zoobotânico do Museu.
As atividades do CPM não aconteceram no ano passado devido à realização de serviços de manutenção em prédios e em outros espaços do Museu, preparatórios para a Conferência das Partes (COP30), em Belém, que requereu uma agenda constante de eventos no Museu, e à ocupação dos espaços nesse período.
Desse encontro inaugural, que ocorreu na segunda-feira (23/03), além dos estudantes e de familiares, também participaram o chefe do Serviço do Parque (Sepzo), Pedro Oliva; o coordenador de Museologia, Emanoel Fernandes Júnior; a chefe do Serviço de Educação (Seedu), Mayara Larrys; o coordenador do CPM, Luiz Fernando Fagury Videira; e as instrutoras do Clube, Isadora Reis e Vitória Aguiar. Eles deram as boas-vindas aos estudantes, falaram sobre as dinâmicas das aulas, sobre os horários, o funcionamento do Parque, as visitas ao Campus de Pesquisa, no bairro de Terra Firme, além de outros detalhes desta edição do CPM.
“Eu fiquei sabendo do clube pelas redes sociais do Museu Goeldi. Fiquei muito feliz quando eu soube dessa notícia e me inscrevi, fiz a seletiva e passei. A minha expectativa é que seja um ano de muitas descobertas e experimentos, dentre outras várias coisas que o clube promete oferecer para a gente. Espero que eu aprenda muito e que eu continue o ano que vem, como veterana. A minha expectativa está bem alta em relação a isso, porque eu vejo que é uma oportunidade muito boa, inclusive para o meu futuro. É uma grande oportunidade para crescer”, (Júlia Bechara, 13 anos, 8º ano do ensino fundamental).
Expectativa de integrantes
“Apareceu no Instagram da minha mãe e ela me falou ‘olha filho, eu queria que tu fizesse uma atividade’. Tinha dois motivos: para eu conversar com pessoas que têm os mesmos gostos de pesquisa, de investigação, de ciência, mas também para eu ter esse currículo de pesquisa. Na verdade, eu não tive muito esse contato prático de pesquisa, sempre gostei muito, sou muito estudioso, muito inteligente, mas onde eu moro não tenho muito esse incentivo. Aprendi muita coisa sozinho, mais do que na escola. Aprendi inglês, praticamente só pela internet, com jogos. Acho que é interessante esse tipo de projeto, porque vai me estimular também a produzir algumas coisas com isso que eu já tenho”, destacou Saulo da Rocha, 14 anos, estudante do 1º ano do ensino médio.
Tanto Júlia quanto Saulo fazem parte da turma “Jardins da Ciência”, que foi proposta para evidenciar como a ciência floresce e se manifesta em todos os aspectos do cotidiano, por meio do estudo das plantas, dos fungos, das bactérias, da física, da química e da biologia. A segunda turma, chamada de “Planeta animal – da lupa ao binóculo”, vai ter sua primeira aula nesta quarta-feira, às 14h, no Parque Zoobotânico. Esse grupo tem como proposta estimular a curiosidade dos estudantes acerca do mundo dos animais, investigando como os grandes e os pequenos se relacionam entre si e como a população amazônida e a floresta que abriga a todos se envolvem nestas interações.
Uma iniciativa aperfeiçoada desde 1997
Idealizador do CPM, o técnico Luiz Videira conta que ingressou no Museu Goeldi em 1985, com o interesse de realizar ações diferenciadas para o público infanto-juvenil, além das visitas orientadas que já aconteciam no Parque Zoobotânico. Um pouco mais de 10 anos depois, o ‘Clube do Pesquisador Mirim’ foi implantado. Desde então, a ideia foi se aperfeiçoando junto com o nome que passou a ser ‘Clube de Pesquisadores Mirins’.
“Desde 1997, a gente vem trabalhando o estímulo à iniciação científica. Essa iniciativa foi sendo aperfeiçoada ao longo do tempo e a expectativa é que, este ano, o Clube ganhe ainda mais força pela proximidade dos jovens com pesquisadores do Museu, que acompanharão mais de perto as pesquisas desenvolvidas por eles. Vejo esse ‘apadrinhamento’, esses padrinhos e madrinhas na ciência, como uma grande novidade para este ano”, destacou Luiz Videira que já tem tempo de trabalho suficiente para se aposentar, mas continua dando sua contribuição ao projeto.
A ciência como instrumento de luta
A coordenadora do Seedu, Mayara Larrys, serviço ao qual o CPM é vinculado, disse que, por meio de desenhos da iniciação científica, a perspectiva é que os jovens entendam as ciências não só como um produto, mas como um processo feito por pessoas, marcado por ideologias e por entendimentos que precisam ser trabalhados e discutidos, desde cedo.
“Precisamos discutir o entendimento de ciência como instrumento de luta contra o racismo, contra o aquecimento global e contra as mudanças climáticas, por exemplo; discutir a ciência como forma de empoderamento, para que esses jovens se apropriem das formas de pensar e possam ocupar espaços estratégicos na sociedade. Também – com oficinas e imersões em laboratórios e em coleções – vamos mostrar a pesquisa desenvolvida no Museu, atrelando esse conhecimento à comunicação e à divulgação científica, que devem dar novos ares às formas de construção desses saberes ao longo deste ano”.
O CPM
As atividades do Clube de Pesquisadores Mirins serão realizadas semanalmente, através de experimentos, observações, utilização de materiais bibliográficos, vídeos, jogos e kits didáticos. A partir da conclusão das pesquisas, inicia-se a confecção de materiais que serão expostos para o público. O processo de inscrições e de seleção ocorreu entre os dias 11 de fevereiro e 20 de março, quando foram encerradas as matrículas dos participantes.
Texto: Andréa Batista
Revisão: Erika Morhy