Museu Goeldi chama comunidade para mutirão de mapeamento da biodiversidade
Ação coletiva faz parte da Semana Nacional da Biodiversidade e mostra que, com um celular na mão e muita curiosidade, qualquer pessoa pode alimentar uma base mundial de informações científicas. Nesta sexta-feira, o evento acontece no Campus de Pesquisa com alunos da pós-graduação. No domingo, visitantes do Parque Zoobotânico poderão se engajar no mutirão.

Agência Museu Goeldi – Já pensou em passar um tempo na natureza fotografando espécies da fauna e da flora e, numa ação coletiva, ajudar a alimentar uma base mundial de dados úteis à pesquisa científica? Pois, haverá duas oportunidades para isso! O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), programou dois mutirões de monitoramento da biodiversidade nas suas duas bases em Belém (PA): o Campus de Pesquisa e o Parque Zoobotânico (PZB). O esforço coletivo marca a Semana Nacional de Biodiversidade, e acontece nesta sexta-feira (22/05) e neste domingo (24/05). O primeiro evento é destinado a alunos da pós-graduação do Museu, mas o segundo é aberto aos visitantes do Parque. Basta levar um celular (preferencialmente, com o aplicativo iNaturalist baixado) e a curiosidade para observar espécies, inclusive, as que ficam invisíveis na correria do dia a dia.
A iniciativa é proposta pela Aliança pelo Monitoramento Participativo da Biodiversidade Brasileira (AmpBio) e prevê ações coordenadas por todo o país, durante esta semana (de 18 a 24 de maio), a partir da adesão voluntária de diversas instituições. A ideia foi abraçada pelo Museu Goeldi por meio da pesquisadora Lis Stegmann, bióloga e doutora em Ecologia, com atuação na área de comunicação científica e de popularização da ciência. Ela defende o engajamento público na conservação da biodiversidade e fará palestra sobre o tema, na sexta-feira, antes do primeiro mutirão, no Campus do MPEG.
Em relação ao formato e objetivos da atividade, a pesquisadora informou que o foco será fazer registros da fauna, da flora e dos fungos que habitam esses dois espaços urbanos: “A gente vai observar esses elementos da natureza que não são percebidos normalmente na rotina. É invisível, até a gente se abaixar, se aproximar, olhar no cantinho de uma planta, de um tronco. Observando atentamente, podemos ver que há muitas espécies (de formigas, de besouros, de cupins, fungos). Isso é muito importante para entendermos o que um fragmento urbano, um espaço no meio de uma cidade, pode abrigar”.
Sociedade faz levantamento, cientistas usam nas investigações
De acordo com a pesquisadora, a colaboração ocorre a partir do uso do aplicativo iNaturalist (disponível para smartphones que funcionam com Android ou iOS), por meio do qual é feito o levantamento da biodiversidade, usando a tecnologia chamada de crowdsourcing. “É uma ferramenta de ciência cidadã que permite processos contributivos, nos quais a sociedade levanta informações científicas e os cientistas usam nas investigações”, disse.
Isso ocorre, conforme Lis Stegmann, da seguinte forma: a pessoa tira uma foto de qualquer elemento da biodiversidade (uma planta, um animal, um fungo), a inteligência artificial captura a informação geográfica da imagem e sugere a família, o gênero ou, até mesmo, a espécie, tendo como base os outros registros já feitos no entorno. A pessoa escolhe entre as opções fornecidas e cadastra na plataforma o que observou. Do outro lado, especialistas cadastrados recebem alertas do registro e analisam. Caso confirmem, os dados vão para uma base mundial, chamada GBIF (Global Biodiversity Information Facility), e se tornam públicos.
“Com isso, um pesquisador que, por exemplo, quer entender a distribuição de determinada planta na América Latina, vai poder usar esses dados que já foram validados por especialistas, fazer análises e promover avanços do conhecimento usando dados coletados pela população. Nossa proposta nesta ação é popularizar o uso dessa ferramenta no Brasil, que, atualmente, é mais usada em países do norte global, e, paralelamente, fazer um levantamento da biodiversidade existente no Campus e no Parque do Museu. Esses dados podem gerar informações robustas para a ciência”, disse.
Lis Stegmann é usuária do aplicativo e certifica que a ferramenta já lhe abriu muitas possibilidades de conhecer espécies com as quais não trabalha: “Eu sou especialista em peixes, mas, às vezes, passo num canto vejo uma planta curiosa, um besouro diferente. Então, tiro uma foto, e se abre ali um conjunto de informações muito rico sobre a espécie. Descubro sua distribuição e um pouco sobre sua história natural. Acredito que isso pode despertar também vocações científicas em jovens, assim como aproximar a população em geral da biodiversidade que vive em seu entorno.”
SERVIÇO
Semana Nacional da Biodiversidade - Mutirões de mapeamento de espécies no Museu
Sexta-feira (22/05), às 10h – No Campus de Pesquisa, na Avenida Perimetral, 1901, bairro da Terra Firme, Belém (PA). Evento destinado à comunidade acadêmica do Museu Goeldi.
Domingo, às 9h – No Parque Zoobotânico (PZB), na Avenida Magalhães Barata, 376, bairro de São Brás. Evento aberto ao público. Ingresso: R$ 3 (acesso a todos os espaços e programações do Parque).
Texto: Andréa Batista