Museu Goeldi integra Belém a evento nacional

A 20ª Primavera dos Museus é promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e conta com atividades, na capital paraense, realizadas pela instituição científica mais antiga da Amazônia. São, pelo menos, 2.500 atividades no país alinhadas ao tema “Museu para todas as pessoas”. O Parque Zoobotânico, no bairro de São Brás, sedia a programação entre os dias 22 e 26 de setembro.

Publicado em 21/09/2026 16:46Modificado em 22/09/2026 17:12
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Mulher segura celular em frente ao viveiro dos guarás para registrar algumas fotos das aves.
Visitante registra cada momento da trilha no Parque zoobotânico (Foto: Matheus Neves)

Agência Museu Goeldi – As estações do ano na Amazônia são marcadas de forma bem peculiar em relação às demais regiões do Brasil, mas, um calendário educativo e cultural já está unificado neste ano de 2026: a 20ª Primavera dos Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), com o tema “Museu para todas as pessoas”. E o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), unidade de pesquisa do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), oferece uma série de exposições, trilhas mediadas, cursos e palestras entre os dias 22 e 26 de setembro, em Belém.

O clima é de expectativa na Escola Técnica Estadual Vilhena Alves (São Brás), onde será aberta a exposição “Entre máscaras e murais”, dia 22, a partir das 15h30. A mostra é resultado da oficina realizada pela mestra de cultura Graça Santana, do Fórum de Museus da Amazônia, em parceria com o projeto EcoArte, da própria unidade de ensino. A curadoria e mediação são do Grupo de Estudos de Museologia Social (Gemus), do MPEG, e colaboração do fórum. A visitação fica disponível à comunidade escolar até o dia 28.

As demais programações estarão concentradas no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi. A abertura oficial do calendário será na quarta-feira (23), às 14h, no Centro de Exposições Eduardo Galvão, com palestra de Sâmia Queiroz, integrante do Ponto de Memória da Terra Firme. Em seguida, o público poderá conferir a exposição “Tramas que unem mundos”, que será inaugurada com a palestra do museólogo Emanoel de Oliveira Junior, titular da Coordenação de Museologia do MPEG, e uma roda de conversa mediada pela arquiteta Karol Gillet Soares, da mesma coordenação. Fazem parte da iniciativa, a arqueóloga Erêndira Oliveira e a bióloga Ivaneide Assunção, pesquisadoras na instituição; o educador Erasmo de Souza Filho e Rosiane Araújo da Silva, representantes da Associação Paraense de Pessoas com Deficiência (APPD).

Até o dia 24 de outubro, os visitantes do Parque Zoobotânico poderão conferir o conjunto de bordados e peças em argilogravura, produzidos durante a Semana dos Povos Indígenas. “Tramas que unem mundos” evidencia os encontros entre ciência, memória, arte e comunidade tecidos ao longo das oficinas desenvolvidas em parceria com a Associação Paraense das Pessoas com Deficiência (APPD), o Grupo Entrelinhas e o Museu Goeldi.

Na quinta-feira (24), de 10h30 às 12h, o convite é para o público se divertir e aprender sobre os povos indígenas das etnias Puruborá e Sakurabiat com o baralho “Ancestralidade em jogo”, um produto do Museu Goeldi, com autoria de Hemilly Campos da Silva e Ronaldo dos Santos Farias; curadoria de Ana Vilacy Galúcio e Karol Gillet Soares; e orientação didático-pedagógica de Mayara Larrys e Iván Rodrigues. O público interessado deve se dirigir ao Centro de Exposições Eduardo Galvão, onde haverá equipe do Núcleo de Visitas Orientadas (Nuvop) para mediar a atividade.

Já na sexta-feira (25), de 8h30 às 16h, o Museu Goeldi e o Ministério do Trabalho e Emprego realizam o “I Encontro da Diversidade e Economia Solidária: fortalecimento, autonomia e inclusão de mulheres, pessoas negras e comunidades LGBTI+”, também no Centro de Exposições Eduardo Galvão. O encontro se dá por meio do Gemus, do qual integram Lúcia Santana, pesquisadora do Museu Goeldi, Stefany Rosa, Camila Lopes e Leonara Souza; e do Programa de Economia Solidária Paul Singer do ministério, de que faz parte Lourdes Galvão. As inscrições devem ser feitas online e a participação garante certificado.

Trilhas oferecem um olhar diferenciado sobre a Amazônia

Uma mulher de cabelos longos está de costas diante de um grupo de pessoas numa trilha
Visita guiada durante o aniversário do Parque Zoobotânico, em agosto (Matheus Neves/MPEG)

Quem deseja fazer um passeio ao ar livre no Parque Zoobotânico e conhecer a Amazônia de um jeito especial não pode faltar às trilhas mediadas, no sábado (26). A partir das 9h, grupos de até 30 pessoas serão formados a cada 30 minutos, tendo o tradicional prédio da Rocinha como ponto de encontro para o início da caminhada.

São três opções. A trilha Sustentabilidade é “voltada para os aspectos de desenvolvimento sustentável em consonância com a fauna e flora, e propõe uma reflexão sobre a convivência entre seres humanos e meio ambiente em um contexto amazônico”, descreve Beatriz Harumi, gestora do Nuvop. Ela antecipa que a seringueira (Hevea brasiliensis), a samaumeira (Ceiba pentandra), o urubu-rei (Sarcoramphus papa) e a harpia-real (Harpia harpyja) estarão entre os pontos de parada para uma breve apresentação das espécies ao grupo.

Já o Visitão pretende “promover a educação científica e estimular a conscientização pelo contato direto com a biodiversidade amazônica. A trilha destaca a importância da conservação ambiental através dos principais pontos do Parque Zoobotânico”, conta a gestora.

Por fim a trilha Geopolítica, segundo Beatriz Harumi, “tem como objetivo promover reflexões críticas acerca das relações de poder históricas que constituem a posição da Amazônia brasileira no âmbito nacional e internacional”, passando por pontos estratégicos do parque, como os históricos postes de luz e o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

Há programações dedicadas a públicos específicos. Pessoas com formação em Turismo e registro ativo no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur), do Ministério do Turismo, podem participar do curso de formação de guias de turismo, no sábado (26), de 9h às 13h. A atividade é voltada para a formação complementar destes profissionais com olhar específico para a instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia e que completa 160 anos em outubro. O curso vai ocorrer no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão e contará com as palestras de Emanoel Júnior e Pedro Pompei, chefe do Serviço de Parque Zoobotânico.

Emanoel Junior argumenta que “essa diversidade de ações reflete a própria missão da instituição: demonstrar que os museus contemporâneos, muito além de salvaguardar objetos e memórias, devem atuar como espaços vivos de convivência, acolhimento e fomento à diversidade humana”.

Iniciativa nacional, clima singular

Somando as atividades propostas pelo Museu Goeldi, o Ibram registra 2.662 iniciativas em todo país, sob a responsabilidade de distintos museus, Pontos de Memória e instituições culturais. A ideia, nesta 20ª edição, é “desenvolverem ações que aproximem diferentes públicos, valorizem histórias e identidades diversas, fortaleçam vínculos com os territórios e contribuam para a superação de barreiras físicas, sociais, comunicacionais e simbólicas”, descreve o instituto em sua plataforma oficial. Mais do que ampliar o acesso aos museus, a iniciativa “reforça o compromisso de construir espaços de escuta, participação e reconhecimento, nos quais todas as pessoas possam se perceber como parte da história, da cultura e do patrimônio brasileiro”, complementa.

De acordo com Emanoel Júnior, “o Museu Goeldi participa da Primavera dos Museus desde a sua primeira edição, somando 20 anos de presença contínua nesse evento. A importância de se integrar a este calendário nacional reside em debater junto ao grande público demandas específicas do campo museal que refletem questões do mundo contemporâneo, fortalecendo com isso a atuação dos museus no Brasil”.

A escolha do nome para o evento anual que ocorre sempre no mês de setembro se dá em referência à própria primavera, estação que tem início no próximo dia 22 de setembro e se encerra dia 21 de dezembro.

De acordo com o Observatório Nacional, instituto de pesquisa também vinculado ao MCTI, “as estações do ano são marcadas pela maneira como os raios solares incidem nos hemisférios. Além da temperatura, um dos efeitos que evidenciam as estações é a variação dos comprimentos dos dias, ou seja, a quantidade de tempo que o Sol fica acima do horizonte. Nas regiões próximas ao equador terrestre, esse efeito praticamente não existe. No entanto, quanto mais nos afastamos do equador terrestre, mais esse efeito torna-se evidente”. Este é o caso da Amazônia brasileira, que é atravessada diretamente por esta linha imaginária. Comumente se vê pessoas que vão à Macapá, capital do Amapá, e registram sua passagem pela latitude 0°, um divisor dos hemisférios Norte e Sul bem no meio da cidade.

Regidos pelo clima equatorial úmido, os estados da maior floresta tropical do planeta, como o Pará, não têm as mesmas características da “estação das flores”, visíveis nas demais regiões do país, mantendo o período chuvoso e o período seco em uma espécie de alternância entre inverno – de dezembro a maio - e verão – de junho a novembro.

Serviço:

20a Primavera dos Museus

Data: de 22 a 26 de setembro

Local: Parque Zoobotânico do Museu Goeldi - Av. Magalhães Barata, 376 (São Brás)

Texto: Erika Morhy

Revisão: Denise Salomão

Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
Tags:Pará
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