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Museu Goeldi estreia no Google Arts & Culture com exposição virtual do seu Parque Zoobotânico
Jovens estudantes acessando a página do Museu Goeldi no Google Arts & Culture (Woltaire Masaki/MPEG)
Agência Museu Goeldi – O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) ganhou um espaço virtual no Google Arts & Culture. Apresentada como “centro pioneiro nos estudos científicos dos sistemas naturais e socioculturais da Amazônia” e como “um dos mais antigos, maiores e populares museus brasileiros”, a instituição estreou na plataforma com uma exposição virtual que reúne fotografias históricas do Parque Zoobotânico, em comemoração aos seus 130 anos. A página é mais uma ferramenta de divulgação da ciência e da cultura produzidas no Museu, agregando imagens e textos explicativos sobre seus acervos.
O coordenador de Museologia, Emanoel de Oliveira Junior, destaca a importância da inclusão do Museu Goeldi na plataforma que conta, segundo o próprio site, com mais de 3 mil museus de várias partes do mundo. Segundo ele, as tratativas para o ingresso da instituição no Google Arts & Culture começaram em 2023 e foram concretizadas ano passado. “A instituição é um museu de história natural, mas também uma instituição cultural que salvaguarda objetos associados a diversas sociedades amazônicas. Nessa percepção, aderimos à plataforma”, relata. O Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), órgão ao qual o Museu está vinculado, já possuía um acordo com o Google, e isso contribuiu para viabilizar essa adesão.
De acordo com Emanoel Junior, inicialmente, a seção no Google Arts se concentrava nas florestas tropicais, mas como a instituição também atua em outras perspectivas, e tem como uma de suas bases o Parque Zoobotânico, localizado na área urbana central de Belém, optou-se por estrear com a exposição sobre “essa mostra viva da Amazônia”. Para ele, o Parque do Museu representa uma memória viva da Amazônia e de Belém, e, com isso, traz às pessoas um pouco mais das florestas tropicais. “Ele é esse espaço polissêmico, a base da instituição mais visitada, o local para onde as pessoas levam as suas famílias e, ao mesmo tempo, é uma área de preservação. Então, esse espaço tem muita história para contar e mexe muito com a imaginação das pessoas, com a memória delas”.
O site do Google destaca as três bases físicas do Museu (o Parque é a mais antiga e a mais conhecida): “Instituição de pesquisa fundada em 1866 na cidade de Belém (PA), onde mantém seu campus de pesquisa e o primeiro parque zoobotânico do país, o Museu Goeldi também conta com uma estação científica localizada na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó (PA), que funciona como um laboratório avançado sobre o funcionamento das florestas tropicais”.
Criação e curadoria
A tecnologista Karol Gillet, coordenadora adjunta da Museologia, também traz sua perspectiva sobre o processo de criação do espaço virtual. Segundo ela, a curadoria das fotos que compõem a exposição foi feita de forma rigorosa. Foram disponibilizadas por curadores da exposição e também por meio do Serviço de Arquivo e Memória e da Coordenação de Museologia (Comus), com apoio do Arquivo Guilherme de La Penha. As fotos mais recentes são dos arquivos da Comus e do Serviço de Comunicação Social (Secos). “O conteúdo passou pelas etapas de organização, seleção e revisão técnica para garantir a integridade das informações apresentadas na plataforma”, afirma.
O Google Arts & Culture é um projeto que utiliza a tecnologia como opção para tornar lugares e espaços acessíveis a pessoas em qualquer parte do mundo, mas, para Karol Gillet, também é uma ferramenta importante de divulgação da ciência. “A plataforma amplia significativamente o acesso às informações e aos acervos da instituição, promovendo a democratização do conhecimento produzido pelo Museu. Ela também possibilita a criação de exposições digitais integradas a diferentes acervos, promovendo conexões entre museus de diversas partes do mundo. É uma ferramenta estratégica para fortalecer a presença institucional no ambiente digital e ampliar o alcance das ações de divulgação científica”, observa a tecnologista.
Memória e futuro
A primeira exposição do Museu Goeldi traz a história do seu Parque Zoobotânico, como ele se modificou ao longo dos últimos 130 anos. “É interessante, inclusive, porque muita gente acaba acreditando que é um pedaço, um vestígio de floresta nativa. Na verdade, é um espaço totalmente antropizado, plantado e organizado como uma espécie de microcosmos, desde a sua criação. Então, podemos mostrar às pessoas que ele vai se transformando também, que é um espaço dinâmico, que não é o mesmo de quando foi inaugurado, que seu desenho foi se modificando, ao longo das décadas”, complementa Emanoel Fernandes.
Para ele, a exposição em homenagem aos 130 anos do Parque marca o início de um espaço que será utilizado para manter diversos acervos vivos. “A ideia foi justamente convidar as pessoas a perceber como a própria instituição conta a sua história por meio de um acervo que ela salvaguarda. Nós estamos conversando e alinhando como é que a gente vai agora se apropriar cada vez mais desse espaço. Estamos estruturando duas novas exposições para constarem na plataforma, tentando dar um outro passo que é promover a digitalização de alguns acervos.”
Como acessar o espaço
No espaço do Museu Goeldi no Google Arts & Culture, o usuário pode acompanhar história e símbolos do Parque Zoobotânico, por meio de fotografias históricas e atuais, com legendas explicativas. O acesso pode ser feito diretamente neste link, ou a partir da página inicial artsandculture.google.com, buscando pelo nome ou ativando a localização do usuário. Quem está em Belém ou na região, pode selecionar a opção “Por perto”, que está em uma das abas do menu horizontal. O resultado mostra cerca de 20 locais e exposições, entre os quais o Museu Goeldi. Ainda a partir da página inicial, outra forma de localizar o espaço é clicar na opção de lupa no menu “Explorar”, pesquisando pelo nome “Museu Goeldi”.
Texto: Isabella Cristina Gabas
Edição: Andréa Batista