Museu Goeldi celebra a 24ª Semana Nacional de Museus com programação especial

Seminários, trilhas, visita guiada à exposição e oficina de jogos são algumas das atrações previstas entre 18 e 23 de maio, no Parque Zoobotânico e no Campus de Pesquisa. No Dia Internacional dos Museus (18), a entrada no parque será gratuita.

Publicado em 14/05/2026 15:38Modificado há 25 dias
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Duas crianças aparecem de costas observando uma escultura de peixe-serra em exopsição no aquário. Uma delas suspende o celular para tirar uma foto do objeto.
Exposição Ahetxiê, no Aquário Jacques Huber, terá visita guiada na abertura da Semana Nacional de Museus no Parque Zoobotânico (Woltaire Masaki/MPEG).

Agência Museu Goeldi – Para comemorar a 24ª Semana Nacional de Museus, coordenada em todo país pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), preparou uma programação diversa. De 18 a 23 de maio, no Parque Zoobotânico e no Campus de Pesquisa da instituição, estão previstos seminários, trilhas ecológicas animadas por palhaço, visita guiada à exposição sobre o peixe-serra, instalada no aquário, além de oficina de jogos educativos. E para presentear o público, na próxima segunda-feira, 18 de maio, instituído como o Dia Internacional de Museus desde 1977, a entrada no parque será gratuita. 

Uma mulher branca de óculos posa para foto de braços cruzados. Ela usa blusa colorida com calça bege
Roseny Mendonça: "É importante refletir sobre os museus como espaços de escuta"

As atividades terão como foco os “saberes da Amazônia e as conexões entre ciência, território e diversidade para um mundo em diálogo” e foram inspiradas na temática nacional “Museus unindo um mundo dividido”, definida pelo Ibram. Assim, o evento deste ano tem como objetivo promover reflexões acerca do papel dos museus na promoção de diálogos, da participação social e da garantia do direito à memória. 

Diretora substituta do Museu Goeldi, Roseny Mendonça afirma que o tema proposto se conecta diretamente com a missão institucional do MPEG: “O tema dialoga com o papel desempenhado pelo museu ao longo desses seus 160 anos, uma vez que a instituição tem atuado como um espaço de produção científica, de preservação da memória, da valorização da sociodiversidade amazônica e da promoção do diálogo entre diferentes saberes. O Museu Goeldi contribui diretamente com essa temática quando aproxima ciência e sociedade, quando promove esse intercâmbio entre pesquisadores, comunidades tradicionais, povos indígenas, estudantes e o público de um modo geral”.

Para a diretora, é importante refletir sobre os museus como espaços de escuta, de encontros e de construção coletiva do conhecimento. “E esse papel o Museu Goeldi tem desempenhado. Por meio das suas pesquisas, das suas exposições, das ações educativas, das atividades culturais, das publicações em suas redes sociais, o museu fortalece essa compreensão sobre a diversidade amazônica e, ao mesmo tempo, estimula as reflexões sobre uma diversidade de temas, como inclusão, sustentabilidade, ciência, patrimônio, memória, pertencimento, o que vem reafirmar o papel de um museu”, reforçou, dizendo que as comemorações inspiradas pelo Dia Internacional dos Museus representam uma oportunidade estratégica para ampliar o acesso da sociedade às atividades desenvolvidas pela instituição.

Exposição Ahetxiê e seminários acadêmicos

A Semana Nacional de Museus começa na segunda-feira (18) com a visita guiada à exposição “Ahetxiê: um tesouro da costa amazônica”, em cartaz no Aquário Jacques Huber. Com a condução das indígenas Suzana Karipuna, antropóloga, e Ana Manoela Karipuna, socióloga, além da mestra em zoologia e pesquisadora do MPEG, Maria Ivaneide Assunção, o público irá conhecer a história do peixe-serra na região, também conhecido como “espadarte”, ameaçado de extinção. Serão abordadas a sua importância no ecossistema e a sua simbologia na cultura do povo Karipuna, presente nas Terras Indígenas Uaçá, Galibi e Juminá, localizadas no município do Oiapoque, no Amapá. “Vamos falar sobre a importância dos povos indígenas estarem ocupando esses espaços de curadoria dentro das instituições. O peixe-serra está relacionado à história do povo Karipuna, à história da migração, aos seus rituais. Vamos apresentar especificamente essas histórias e falar como elas existem dentro do território. Iremos explicar como a cultura foi traduzida para o formato da exposição”, adiantou Ana Manoela Karipuna.

Uma mulher indígena aponta para uma quadro com a figura do peixe-serra. Três mulheres ao fundo a esc
Suzana Karipuna fala durante visita guiada à esposição Ahetxiê (Woltaire Masaki/MPEG)

Já na terça-feira (19), as atividades serão no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, localizado na Avenida Perimetral, no bairro Terra Firme. Coordenador de museologia do MPEG, Emanoel Júnior explicou que, no campus, haverá duas atividades voltadas ao debate científico. “Na primeira rodada de conversa, vamos debater o papel das tecnologias sociais como instrumentos para construção da autonomia das comunidades amazônicas. E na segunda rodada, o foco é o papel da museologia social. É a partir dessa apresentação de pesquisas que pretendemos debater a democratização dos processos de construção social da memória e da ideia de patrimônio. O objetivo é que as comunidades e os seus territórios não sejam vistos como objetos de estudo, mas como sujeitos de direito na definição de quais memórias e patrimônios devem ser preservados como parte das suas próprias representações sociais”, enfatizou. 

Emanoel Júnior ressalta que a programação oferecida está alinhada com a temática proposta pela 24ª Semana Nacional de Museus. “A socialização do conhecimento através de exposições, publicações, ações educativas e outros produtos permite que a sociedade se reconheça como parte do grande bioma complexo e vital da Amazônia, fortalecendo o sentimento de pertencimento e de responsabilidade pelo futuro da região. A atuação do Museu Goeldi conecta, nesse sentido, a Amazônia e o resto do mundo. Ao produzir ciência de ponta sobre a sociobiodiversidade e as mudanças climáticas, a instituição coloca a realidade local no centro das discussões globais. Isso ajuda a romper esse isolamento geográfico e político, unindo diferentes atores sociais em torno de um objetivo comum, que é a sustentabilidade e a valorização da vida em todas as suas formas”.

Trilhas ecológicas e jogos educativos

Chefe do Serviço de Educação do Museu Goeldi, Mayara Larrys falou sobre a trilha que irá proporcionar uma imersão no universo das abelhas, na manhã da quarta-feira (20), no Parque Zoobotânico, com a condução do palhaço Claustrofóbico Pneumático, interpretado por José Arnaud, numa parceria com o Instituto Peabiru.

 “O José Arnoud, com a persona do palhaço, deve conduzir o público por alguns pontos de visitação do parque, fazendo essa contextualização entre as abelhas e sua importância para a biodiversidade. A gente espera que as pessoas se divirtam. Já à tarde, teremos pesquisadores representantes da Embrapa e do Instituto Peabiru, entre os quais o professor Lucas Bernardes, que vão falar sobre a importância do mel enquanto um super alimento”, anunciou, dizendo ainda que está prevista a degustação de mel. “Será uma experiência sensorial para que as pessoas entendam, para além da importância das abelhas na biodiversidade, como o mel é um grande motor da bioeconomia na Amazônia”, explicou.

Um grupo de visitantes no parque zoobotânico estão ao redor de uma árvore alta ouvindo a guia fala
Trilhas sobre o mundo das abelhas e sobre as árvores gigantes do Parque Zoobotânico estão na programação da Semana Nacional de Museus (Woltaire Masaki/MPEG)

Na quinta-feira (21), a programação segue com mais um seminário, desta vez no Parque Zoobotânico, sobre as conexões entre as ações educativas e os espaços museais. Em seguida, haverá uma oficina sobre jogos educativos. “A oficina de jogos educativos em contextos museais é direcionada a educadores e a futuros educadores, com o objetivo de discutir como os espaços não formais, como um museu de ciências, de história natural, um planetário, um bosque, podem servir como laboratório vivo para pensar jogos educativos, para pensar práticas dentro dos seus espaços, extrapolando os muros das escolas”, explicou Mayara Larrys, que irá falar no seminário “Educação em contexto: tecendo conexões a partir do museu”, ao lado da artista visual, fotógrafa e performance Renata Aguiar e da mestra em educação Camila Quadros.

A programação da Semana Nacional de Museus finaliza com a oportunidade de embarcar em trilhas que serão oferecidas nas manhãs da sexta-feira (22) e do sábado (23), no Parque Zoobotânico, com o olhar voltado para as árvores. Organizadas pela turismóloga do Museu Goeldi, Ana Claudia Silva, e pelo bolsista Rafhael Carvalho, as trilhas têm o objetivo de alinhar a conscientização sobre a extinção de grandes árvores e o uso sustentável de palmeiras. “A proposta da trilha é unir as espécies ameaçadas de extinção, as quais chamamos de gigantes da floresta, com as palmeiras, as espécies que dão sustento aos povos da Amazônia, como os ribeirinhos. Ao longo da trilha, vamos visitar 13 espécies, que estão no parque”, explicou ela, acrescentando que os participantes deverão receber um mapa para acompanhar os pontos de observação durante a trilha.

Texto: Carla Serqueira

Revisão e edição: Andréa Batista

PROGRAMAÇÃO - SEMANA NACIONAL DE MUSEUS 2026

Tema nacional: "Museus unindo um mundo dividido"

Tema do Museu Goeldi: “Saberes da Amazônia: conexões entre ciência, território e diversidade para um mundo em diálogo”

18 DE MAIO - SEGUNDA-FEIRA

Visita guiada – Exposição Ahetxiê

Mediação: Manoela Primo dos Santos, Suzana Primo dos Santos e Maria Ivaneide Assunção

Horário: 10h

Público: Grupo Escolar/Geral

Local: Parque Zoobotânico - Aquário Jacques Huber

Entrada: gratuita

19 DE MAIO - TERÇA-FEIRA

Seminário – Museus unindo um mundo dividido

Público: Pesquisadores, acadêmicos e interessados

Local: Campus de Pesquisa - Auditório Eduardo Cavalcante

Entrada: gratuita

Mesa de abertura – Tecnologia social e saberes ancestrais: diálogos entre tradição e sustentabilidade

Horário: 9h às 10h30

Mediação: Arthur Ribeiro

Convidados(as): Diana Cruz Rodrigues, Ana Vilacy Galúcio e Socorro Abreu.

Apresentação de pesquisas em Museologia Social

Horário: 10h45 às 12h00

Mediação: Mayara Larrys

Convidados(as): 

  • Camila Lopes - Graduanda em Museologia. Pesquisa: “Museologia Social - Pontos de memórias de Belém: Impactos da Lei Aldir Blanc nas Iniciativas Comunitárias”;

  • Maírla Silva - Graduanda em Geografia. Pesquisa: “Cartografia da memória científica: percursos geográficos das pesquisas antropológicas do Projeto RENAS”;

  • Stefany Rosa - Graduanda em Museologia. Pesquisa: “A Difusão da Memória  nas Comunidades Pesqueiras da Amazônia a partir do acervo material do Laboratório de Antropologia de Meios Aquáticos do MPEG”;

  • Odilon Kewin - Graduando em Museologia. Pesquisa: “O Museu - Território de Macapazinho: Memória, Resistência e Formação Socioespacial na Amazônia”.

20 DE MAIO - QUARTA-FEIRA

Mediação interativa – No mundo das abelhas 

Trilha das abelhas e lançamento da cartilha “Explorando o mundo das abelhas”

Horário: 9h às 10h

Mediação: Claustrofóbico Pneumático por José Arnaud (Instituto Peabiru)

Público: Público livre com limite de 30 pessoas, por ordem de chegada.

Local:  Parque Zoobotânico - concentração em frente ao prédio da Rocinha, logo após a bilheteria.

Seminário interativo – No mundo das abelhas

Da importância das abelhas ao mel como superalimento

Horário: 14h às 15h

Mediação: Lucas Bernardes (Emprapa em parceria com Instituto Peabiru)

Público: Público livre com limite de 30 pessoas, por ordem de chegada.

Local: Parque Zoobotânico - Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão

21 DE MAIO - QUINTA-FEIRA

Roda de conversa: Educação em contexto: tecendo conexões a partir do museu

Horário: 09:30 às 11h.

Público: Pesquisadores, acadêmicos e interessados em geral

Local: Parque Zoobotânico - Auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão

Mediação: Ana Cláudia Silva

Convidados(as):

  • Camila Quadros -  Mestra em Educação e especialista em Educação, Pobreza e Desigualdade Social. Graduada em Licenciatura Plena em Pedagogia.

  • Renata Aguiar - Artista visual, fotógrafa e performer. Doutora em Artes Visuais e mestra em Artes. Graduada em Artes Visuais e Tecnologia da Imagem. 

  • Mayara Larrys - Coordenadora do Serviço de Educação do Museu Goeldi. Bióloga e mestra em Ensino de Ciências e doutora em Ensino de Ciências e Matemática.

Oficina - Jogos educativos em contextos museais 

Mediação: Tarcízio Macedo e Diana Rodrigues

Horário: 14h00 às 16h00

Público: Educadores, estudantes de licenciatura e interessados

Local:  Parque Zoobotânico - Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão

22 E 23 DE MAIO - SEXTA-FEIRA E SÁBADO

Trilha Natureza que Une Conhecimentos 

Mediação:  Raphael Carvalho da Silva, Harison Silva do Carmo, Angelo Jordão Faro Junior, Igor de Araújo Dias.

Público: Público de até 20 pessoas por grupo, mediante inscrição prévia (o link para as inscrições será disponibilizado a partir da segunda-feira, dia 18).

Horário: saídas às 9h30 e às 10h30

Local: Parque Zoobotânico - concentração em frente ao prédio da Rocinha, logo após a bilheteria.

Categorias
Educação e Pesquisa
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