Museu Goeldi apresenta exposições “Diversidades Amazônicas” e “Brasil: Terra Indígena” para representantes da Universidade de Birmingham

Professores do Reino Unido conheceram as mostras com objetivo de fortalecer parceria, que visa promover intercâmbios multidisciplinares sobre as questões climáticas e o futuro da Amazônia. Também parceira, a Uepa acompanhou as atividades no Parque Zoobotânico.

Publicado em 30/04/2026 16:07Modificado há 2 dias
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Três mulheres e dois homens estão diante de uma parede vermelha com itens de vestimentas indígenas
Milene Ferreira, Nando Sagota, Sue Costa, Erêndira Oliveira e Angelo Junior: fortalecendo parcerias para a formação de jovens cientistas na Amazônia (Woltaire Masaki/MPEG)

Agência Museu Goeldi - Tema do Decolonising Climate Change Symposium, evento promovido pela Universidade de Birmingham (UoB), no Reino Unido, no último mês de março, a exposição de longa duração do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) “Diversidades Amazônicas” recebeu a visita de professores da universidade britânica e da Universidade do Estado do Pará (Uepa), no dia 23 de abril. A exposição “Brasil: Terra Indígena” também fez parte da programação. Além de apresentar os acervos, o objetivo do encontro foi fortalecer os laços institucionais, estabelecidos em 2025, e no planejamento de novas iniciativas a serem inscritas em futuros editais.

Para a coordenadora de Comunicação e Extensão do Museu Goeldi, Sue Costa, a visita é uma oportunidade de reafirmar a continuidade das parcerias que integram, em projetos multidisciplinares, estudantes da Amazônia e do Reino Unido. “Essa é uma visita para apresentar, principalmente, a exposição Diversidades Amazônicas, que foi tema da palestra que eu ministrei em março deste ano, em Birmingham. Agora, os professores que me ouviram lá, estão podendo ver o que falei no evento. A ideia é que a gente possa renovar e fortalecer os laços institucionais”, explicou, dizendo que aguarda o lançamento de editais para submeter novos projetos.

Um homem usa fones de ouvido diante de uma parede verde em exposição sobre a Amazônia
Professor interage com a exposição "Diversidades Amazônicas" (Matheus Neves/MPEG)

Professor de sociologia e de criminologia da UoB, onde também atua como codiretor do Brazil Institute, Angelo Júnior conheceu as exposições ao lado do professor de Antropologia e Migrações e diretor do Instituto de Pesquisa em Superdiversidade (IRiS), também na Universidade de Birmingham, Nando Sigona. “A exposição oferece uma experiência profundamente enriquecedora ao revelar de forma bem didática a complexidade da Amazônia como um sistema integrado de biodiversidade, culturas e territórios. O espaço consegue articular, com rigor científico e sensibilidade, as múltiplas dimensões da região, destacando a conexão e interdependência dos diversos mundos que constituem esse imenso local”, falou Angelo, sobre a exposição Diversidades Amazônicas.

Para o professor, a divisão binária do mundo entre natureza e sociedade é logo descartada durante o percurso da exposição. “A importância dessa exposição reside justamente em tornar visível essa diversidade e conexões em suas dimensões ecológicas-humanas, contribuindo para uma compreensão mais crítica sobre os desafios ambientais e sociais contemporâneos. Para nossos alunos, que visitaram a exposição no ano passado, tratou-se de uma oportunidade única de contato direto com realidades frequentemente abordadas apenas de forma teórica e superficial na Europa, ampliando horizontes e estimulando reflexões fundamentais sobre justiça ambiental, diversidade cultural e responsabilidade global”, ressaltou.

Um homem escuta uma mulher diante de uma vitrine com cocar indígena em exposição
Erêndira Oliveira fala sobre os povos indígenas em exposição (Matheus Neves/MPEG)

Parceria de longa duração

Os projetos em parceria entre o Museu Goeldi, a Universidade de Birmingham, a Uepa e outras instituições contam com o financiamento da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa). As atividades foram iniciadas em julho de 2025, com o projeto Immerse Amazônia Summer School, que levou 24 estudantes do Reino Unido e da Amazônia para um intercâmbio de conhecimentos sobre as mudanças climáticas na Estação Científica Ferreira Penna do MPEG, na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Marajó (PA)

“Em Caxiuanã, discutimos questões climáticas, sociobiodiversidade, desigualdades, entre outros temas. Os estudantes trabalharam em grupos e produziram vídeos sobre os desafios globais da ONU, que eles experienciaram ali em campo”, recordou o professor da UoM, Angelo Junior, que, durante a COP30, voltou a Belém com três estudantes da Inglaterra. “Novamente, a gente se juntou aos alunos, professores e pesquisadores da Amazônia para atividades conjuntas na COP30. Além disso, atuamos no projeto Connect Amazônia, também financiado pela Fapespa. Foi este projeto que permitiu a ida de estudantes e pesquisadores do Museu Goeldi e da Uepa para Birmingham este ano”, completou.

Projetos em curso

Professora da Uepa, Campus Marabá, Milene Silveira Ferreira participou da visita às exposições. Ela falou sobre os dois projetos que estão em curso em parceria com o Museu Goeldi e a UoB. “O primeiro projeto trata sobre decolonização. É um projeto de ensino que, no contexto da decolonização, trabalha a interdisciplinaridade relacionada às mudanças climáticas, as diferenças entre o norte e o sul. Foi através deste projeto que fomos para a Universidade de Birmingham este ano. Já o segundo projeto é de pesquisa, com a produção de produto educacional técnico-tecnológico pelos professores. A partir deste projeto, vamos produzir materiais que serão utilizados em escolas de comunidades ribeirinhas, localizadas na Floresta Nacional de Caxiuanã, e em uma aldeia indígena Mebêngôkre, e também em Birmingham”, detalhou.

Arqueóloga do Museu Goeldi, Erêndira Oliveira conduziu a visita às exposições, fornecendo dados científicos e culturais sobre os acervos observados. Para ela, é importante ressaltar que a parceria entre as instituições da Amazônia e a universidade de Birmingham tem continuidade, não se limitando aos prazos dos projetos. “Existem projetos específicos nos quais a gente está envolvido e, com os desdobramentos deles, estamos estabelecendo uma rede de contato cada vez mais forte, que está desenhando outras frentes de ação. Para além dos projetos em curso, os alunos participam de outras atividades, como a redação de artigos, por exemplo. Os projetos, que são frutos dessa parceria, têm continuidade”, frisou.

Texto: Carla Serqueira

Edição e revisão: Erika Mohry

Categorias
Educação e Pesquisa
Tags:Pará
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