Museu Goeldi celebra “160 anos de Amazônia” com programação no Parque e concerto no Theatro da Paz

A instituição científica mais antiga da Amazônia, que é também o segundo museu de história natural mais longevo do Brasil, celebra sua trajetória que inclui produção científica contínua, formação de novos pesquisadores, um acervo de 4,5 milhões de registros e o diálogo com povos e comunidades tradicionais. Programação especial acontece nos dias 6 e 15, marcando mais de um século e meio dessa atuação e o início de um ano especial para o MPEG.

Publicado em 02/10/2026 14:10Modificado há 3 dias
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Montagem com imagens de ambientes do parque do Museu Goeldi
Programação de aniversário começa no Parque do Museu Goeldi (Fotos e montagem: Woltaire Masaki e Marcos Andrade/MPEG, com auxílio de ferramenta de IA)

Agência Museu Goeldi – O Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), instituto científico mais antigo da Amazônia e segundo maior museu de história natural do Brasil, completa 160 anos nesta terça-feira, 6 de outubro. Em uma longa trajetória, a instituição vem redesenhando a forma de fazer ciência na Amazônia, fortalecendo sobretudo, o diálogo e a parceria nas pesquisas científicas com os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, mostrando à sociedade como a integração entre o conhecimento tradicional e o científico pode – e deve – caminhar lado a lado na busca pela conservação da sociobiodiversidade amazônica. 

Em seus “160 anos de Amazônia”, construiu um acervo com 4,5 milhões de registros, distribuídos em 19 coleções científicas. A trajetória do Museu está registrada na sua produção científica de mais de um século e meio. De acordo com publicações de Nelson Sanjad, a instituição foi fundada em 1866 pelo naturalista e secretário de governo da Província do Pará, Domingos Soares Ferreira Penna, o então “Museu Paraense” só se consolidou anos depois, em 1894, sob a direção do zoólogo suíço Emílio Goeldi, que promoveu uma profunda reforma na instituição,  transformando a cara do Museu, de um antigo "gabinete de curiosidades" para um centro de pesquisa científica sobre a história natural e etnográfica da Amazônia, reconhecido internacionalmente. 

Pesquisadores do Museu, como Lucia Hussack Van Velthem e Helena Pinto Lima, registram que, ao longo da sua trajetória institucional, o MPEG tem realizado mudanças na natureza das suas relações com povos e comunidades tradicionais e seus saberes, reconhecendo-os como fundamentais na salvaguarda, documentação, gestão de acervos e produção colaborativa de conhecimento científico sobre a região. Na área das ciências humanas, por exemplo, pesquisas realizadas em parceria com povos indígenas têm ampliado os conhecimentos nas áreas de etnografia, linguística e arqueologia e suprido demandas por novos estudos, vindas dos próprios povos. 

Estruturando um polo científico no território

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Cientista manipula amostra em laboratório de herpetologia do Museu (Woltaire Masaki/MPEG)

Ainda conforme os registros históricos da instituição, no século XIX, o conhecimento sobre Amazônia era produzido predominantemente por estrangeiros que levavam itens e suas observações para os museus europeus e norte-americanos. Com a estruturação de uma base científica sediada na Amazônia durante a gestão de Emílio Goeldi  (1894 a 1907), foi possível organizar coleções e realizar pesquisas locais que contribuíram para o desenvolvimento regional. 

Goeldi foi responsável pela ampliação da divulgação científica da instituição, a partir da criação do “Boletim do Museu Paraense”, em 1894, um dos primeiros periódicos do país. Ele também contratou um corpo técnico e científico qualificado para a realização das pesquisas científicas e estruturação das coleções. Figuras como o botânico Jacques Huber, o zoólogo Adolf Ducke e a ornitóloga Emília Snethlage contribuíram para a ampliar as coleções científicas do Museu.  

O diretor do MPEG, Nilson Gabas Júnior, destaca a importância desses e de outros pesquisadores para a memória institucional do Museu Goeldi. “Ferreira Penna, Goeldi, Huber e Snethlage representam alguns dos nomes fundadores de uma história muito maior. Ao longo desses 160 anos, inúmeros pesquisadores, técnicos, servidores, colaboradores e parceiros dedicaram suas trajetórias ao Museu, produziram conhecimento, formaram novas gerações e ampliaram seus acervos. É esse esforço coletivo e continuado que permitiu ao Museu Goeldi atravessar mais de um século e meio, mantendo sua relevância como instituto de pesquisa pioneiro na Amazônia e como museu de história natural comprometido com a salvaguarda e a compreensão da sociobiodiversidade amazônica”.  

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Pesquisadores do Museu mostram itens da Coleção Etnográfica (Woltaire Masaki/MPEG)

Expansão e vocações das bases físicas estratégicas

Também foi na Era Goeldi que o Parque Zoobotânico (PZB) foi criado, no ano de 1895, como um centro de pesquisa focado na fauna e na flora amazônicas, integrando em um único espaço, o lazer da população paraense e a divulgação científica. Essa relação da população com o PZB perdura até hoje, 131 anos depois, sendo um dos pontos da cidade mais frequentados por moradores e turistas. 

Com a expansão da instituição para o Campus de Pesquisa, no bairro de Terra Firme, em 1979, e a criação da Estação Científica Ferreira Penna, em 1993, na Floresta Nacional de Caxiuanã, o Museu consolidou bases para o monitoramento socioambiental de longo prazo. Os dados gerados pelas equipes da instituição subsidiam diretamente políticas públicas, como o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), o planejamento de unidades de conservação, diagnósticos de impacto ambiental e a elaboração da lista de espécies ameaçadas. 

Produção científica contínua e preservação do patrimônio 

Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) desde 1985, enquanto unidade científica, o MPEG tem como missão institucional realizar pesquisas, promover inovação, formar recursos humanos, conservar acervos e comunicar conhecimentos sobre a Amazônia.  

Dados da última avaliação de desempenho da instituição revelam que mesmo atravessando momentos desafiadores em sua história, como problemas orçamentários e redução no número de servidores, a produção científica do MPEG se manteve intensa ao longo dos anos (ver matéria aqui). Em 2025, ano da última avaliação, foram publicados 224 artigos científicos, livros e capítulos de livros; as coleções científicas foram ampliadas, com a inserção de 7,9 mil itens nos acervos; e 53 novas espécies foram descobertas e incluídas nas coleções biológicas. Esses números avançam ano após ano. 

No âmbito da formação acadêmica, o MPEG mantém programas de pós-graduação em parceria com a Universidade Federal do Pará (UFPA), a Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e a Embrapa Amazônia Oriental. E, a partir de 2015, de maneira autônoma, mantém o Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade e Evolução (PPGBE) e, mais recentemente, o Programa de Pós-Graduação em Diversidade Sociocultural (PPGDS). 

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Integrantes do Clube de Pesquisadores Mirins (Matheus Neves/MPEG)

A formação de novos pesquisadores tem sido um ponto estratégico para a instituição e para o desenvolvimento da região. Desde o processo de federalização, em 1950, o Museu Goeldi tem qualificado pesquisadores para atuar na Amazônia. Essa formação abrange, inclusive, crianças  e adolescentes por meio do Clube do Pesquisador Mirim, projeto que estimula e potencializa a participação e o interesse da juventude pela ciência. Outros programas, como os de estágio, de bolsas de iniciação científica e de capacitação institucional não apenas incentivam jovens e profissionais a produzirem ciência, como também são responsáveis por boa parte da produção científica da instituição atualmente. 

Além disso, os pesquisadores participam de inúmeras redes de pesquisa e programas científicos, nacionais e internacionais, formando verdadeiras alianças científicas com outras instituições públicas de pesquisa, fundamentais para criar uma agenda científica comum para entender a dinâmica socioambiental da Amazônia e seus impactos na economia e ecologia regional. 

Nilson Gabas Júnior, diretor do Museu Goeldi
“Aos 160 anos, nosso compromisso não é apenas celebrar o caminho percorrido. É reconhecer aqueles que o construíram e assegurar que esse patrimônio científico e cultural continue produzindo conhecimento, formando pessoas e contribuindo para a compreensão, o futuro e o desenvolvimento da Amazônia” (Nilson Gabas Júnior, diretor do MPEG).

Programação de aniversário

As comemorações do aniversário do Museu Goeldi começam com uma atividade aberta ao público no seu Parque Zoobotânico (PZB), nesta terça-feira (6/10). Já na semana seguinte, no próximo dia 15, haverá um concerto comemorativo, no Theatro da Paz, em Belém, com a Amazônia Jazz Band. Em fase de preparativos finais, essa última atividade tem a parceria da Embaixada Suíça no Brasil, que mantém projetos colaborativos com o Museu Goeldi, e deverá ter seus detalhes divulgados em breve.

Normalmente, o Parque do Museu fica fechado para manutenção às terças-feiras, mas, por ocasião do aniversário da instituição, abrirá suas portas no dia 6 de outubro, excepcionalmente, das 9h às 16h, sem a cobrança de ingressos e oferecendo uma manhã de atividades guiadas aos visitantes. Logo na abertura do espaço, a equipe do Serviço de Educação (Seedu) vai receber o público em frente ao Pavilhão Domingos Soares Ferreira Penna, a ‘Rocinha’, para a primeira das três trilhas programadas, a “Histórica”. 

O público visitante também vai poder olhar, tocar e interagir com peças da Coleção Didática Emília Snethlage, que  possui mais de 4 mil itens representativos das grandes áreas de pesquisa do Museu: zoologia, botânica, geociências e ciências humanas. Essa atividade ocorre durante a manhã, no Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão, com mediação. 

Ainda das 9h às 12h, nas exposições “Diversidades Amazônicas” e “Katxar Kum Neero - nossos lugares verdadeiros”, mediadores vinculados às pesquisas do Museu apresentarão os saberes relacionados às mostras. Na “Diversidades”, a mediação focará nas áreas da geociências, zoologia, entomologia, arqueologia e tecnologias sociais. Na “Katxar Kum Neero", haverá a extroversão de saberes relativos ao povo Katxuyana e às línguas Karib. Também no Aquário Jacques Huber, serão compartilhadas informações das áreas de ictiologia e de herpetologia, que estudam peixes e répteis e anfíbios, respectivamente.

Texto: Denise Salomão
Edição: Andréa Batista

Galeria de imagens

VEJA A PROGRAMAÇÃO NO PARQUE DO MUSEU

9h – Trilha Histórica

Ponto de encontro: em frente à Rocinha

Participantes: público livre, com limite de 30 participantes

9h30 – Trilha Visitão

Ponto de encontro: em frente à Rocinha

Participantes: público livre, com limite de 30 participantes

10h – Trilha Árvores Centenárias

Ponto de encontro: em frente à Rocinha

Participantes: público livre, com limite de 30 participantes por ordem de chegada.

9h – Extroversão de itens do acervo da Coleção Didática Emília Snethlage

Local: Hall do Centro de Exposições Eduardo Galvão

Participantes: Público livre. Limite de 30 participantes por ordem de chegada.

Das 9h às 12h – Mediações na Exposição Diversidades Amazônicas

Roteiro: Geociências (entrada da exposição), Zoologia (sala seguinte), Entomologia (cubos interativos), Arqueologia (meio da exposição), Módulo de Tecnologia Social (final da exposição)

Participantes: público visitante da exposição

Das 9h às 12h – Mediações na Katxar Kum Neero

Participantes: público visitante da exposição

Das 9h às 12h – Mediações qualificadas no Aquário Jacques Huber

Roteiro: Ictiologia (peixes) e Herpetologia (cobras)

Participantes: público visitante do Aquário

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Ciência e Tecnologia
Tags:Pará
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