Museu de Portas Abertas aborda a cultura oceânica em versão virtual

Projeto de popularização da ciência iniciado em 1985 e realizado anualmente no Campus de Pesquisa e no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, chega em formato online no ano da COP-30.

Publicado em 31/10/2025 17:03Modificado há 5 meses
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Agência Museu Goeldi - A edição de 2025 do projeto Museu de Portas Abertas (MPA), promovido pelo Museu Paraense Emílio Goeldi, aborda a cultura oceânica, com uma produção realizada por alunos, pesquisadores e colaboradores em formato de vídeo disponível online. Tradicionalmente promovido de modo presencial, a programação já havia ocorrido de maneira virtual durante a pandemia da covid-19. A experiência inspirou a agenda do ano em que a capital paraense se organiza para a COP-30, a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A população tem o acesso garantido a conhecimentos científicos por meio do canal da instituição no Youtube, a partir desta sexta-feira (31).

O tema do MPA está ligado à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, “Planeta água: cultura oceânica para enfrentar as mudanças climáticas no meu território”. A semana ocorreu entre os dias 21 e 26 deste mês e moveu as instituições do país a desenvolverem ações de popularização da ciência, a partir de diálogos sobre as produções científicas. 

Interação remota com a comunidade

Como forma de assegurar a programação durante o período excepcional da COP30, o MPA optou, pela segunda vez, pelo formato virtual. Ele foi realizado com a participação de representações que fazem parte do programa, como diversos estudantes de escolas públicas e privadas da capital paraense, pesquisadores e integrantes do Clube do Pesquisador Mirim, para divulgação e interação sobre a atividade científica da instituição de pesquisa mais antiga da Amazônia.

A ideia foi realizar uma atividade muito semelhante à que seria promovida presencialmente, mas, desta vez, convocando os pesquisadores para conversar com os alunos e gravar o conteúdo didático em vídeo. Os alunos foram ao Campus de Pesquisa para mapear o que seria pesquisado acerca da temática e, com isso, elaboraram as perguntas - alinhadas com o tema da cultura oceânica e o enfrentamento das mudanças climáticas - e fizeram o contato inicial com os pesquisadores.

Durante o processo de criação do conteúdo, foram incluídas duas outras representações para somar ao programa e instigar o debate sobre a temática: o Ponto de Memória da Terra Firme e o Mestre Lázaro. A coordenadora do Serviço de Educação do Museu Goeldi, Mayara Larrys, fala sobre a importância do diálogo deste MPA: “Com essa composição de três falas de pesquisadores, uma fala de representante do Ponto de Memória e uma fala do Mestre Carimbó, a gente conseguiu fechar o conjunto. Todas elas dialogam de alguma forma sobre como a cultura oceânica permite que a gente compreenda a nossa vivência”.

Acessibilidade do conteúdo

O vídeo realizado pelos alunos e pesquisadores conta com diferentes versões, que foram pensadas para garantir a acessibilidade do MPA 2025 ao máximo de pessoas possível. Na primeira versão, o vídeo apresenta legendas e uma intérprete de libras, e a segunda versão conta com uma audiodescrição do conteúdo. A organização do “Museu de Portas Abertas” teve um cuidado a mais para assegurar o acesso em sua plenitude e para garantir a acessibilidade do conteúdo em formato audiovisual para todos os públicos. 

Fernanda Queiroz, assistente social e uma das organizadoras do programa, fala sobre a importância da pluralidade do público: “O MPA buscou reafirmar seu compromisso com a inclusão e a acessibilidade, alinhando-se ao tema de 2025, que destaca o papel dos museus como espaços de encontro entre diferentes saberes, experiências e modos de existir. [...] Assim, conseguimos ampliar o alcance e o sentido do evento, tornando ainda mais plural, acessível e conectado com os valores de diversidade que orientam nossa atuação”.

Essa acessibilidade é representada também dentro do conteúdo do MPA, com uma integrante da Associação Paraense das Pessoas com Deficiência, da Rede de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual e a museóloga Renata Maia, bolsista do Programa de Capacitação Profissional (PCI) no Museu Goeldi. Ela reafirma a importância da acessibilidade: “Os museus ainda trabalham essa questão de forma muito pontual, sobretudo voltado para a questão do espaço físico. Isso deve ser pensado para além disso, com recursos multissensoriais, por exemplo, com materiais adaptáveis”.

O que é o MPA? 

O “Museu de Portas Abertas” é um evento realizado há 40 anos no Museu Goeldi como uma forma de diálogo com a comunidade. Foi originado com o programa já extinto “O Museu Goeldi leva Educação em Ciência à Comunidade”, datado de 1985 e idealizado pela professora Helena Quadros. O objetivo era fazer com que a comunidade no entorno do Campus de Pesquisa pudesse ter acesso à ciência e ao conhecimento que eram produzidos na instituição e participar da produção de ciência para além de exposições e atividades realizadas. 

A proposta do programa segue hoje como o MPA, que continua a realizar o diálogo com a comunidade. Anualmente, o Museu Goeldi abre as suas portas para a visitação gratuita de escolas, da comunidade e do público geral para que possam aprender de perto o trabalho científico realizado pelos pesquisadores e bolsistas da instituição. Entrelaçando a pesquisa com o ensino, o “Museu de Portas Abertas” permite o fluxo de conhecimentos e o diálogo com o cotidiano da população.

O objetivo do MPA 2025 é realizar diálogos entre a comunidade científica e o público e apresentar os pesquisadores e seus projetos realizados no Museu Goeldi. Essas relações e trocas que são fruto do “Museu de Portas Abertas” podem garantir e trazer uma possibilidade de possíveis futuros social e ecologicamente corretos.

Texto:  Isabella Gabas - bolsista Pibic

Edição: Erika Morhy

Categorias
Educação e Pesquisa
Tags:Pará
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