No Campus de Pesquisa, MPA reforça compromisso com a popularização da ciência

O Museu de Portas Abertas, programa de divulgação científica do MPEG, celebra 41 anos com expansão e aproximação maior com escolas e com comunidades de Belém. 

Publicado em 04/11/2026 16:54Modificado há um dia
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Alunos observam animais empalhados durante evento de ciências
Estudantes observam animais taxidermizados expostos durante o Museu de Portas Abertas, no Campus de Pesquisa do Museu Goeldi (Matheus Neves)

Agência Museu Goeldi – A ciência, a educação e o lazer tomaram conta do Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, no bairro da Terra Firme, na última sexta-feira (30), durante o encerramento das atividades do Museu de Portas 2026. No total, foram 16 atividades ofertadas pelas coordenações de Ciências da Terra e Ecologia, Ciências Humanas, Zoologia, Botânica e pelo Ponto de Memória da Terra Firme, atendendo cerca de 300 pessoas de grupos escolares e universitários de Belém e região metropolitana.

crianças observam planta por meio de microscópio
A botânica também foi destaque no Museu de Portas Abertas (Fabrício Queiroz/MPEG)

Amostras das coleções didáticas, fósseis, plantas, fungos, fotografias, jogos e relatos orais apresentaram ao público diferentes olhares sobre o universo da produção de conhecimento na Amazônia e revelaram que a ciência está mais próxima do dia a dia do que parece.

“Tudo isso tem muito a ver conosco, porque nós somos do campo. Então muitas coisas que as crianças estão vendo aqui, como as sementes e as plantas, elas encontram também na escola e na disciplina que trabalhamos cidadania e meio ambiente”, contou a professora Perpétua Cândido, da Escola Municipal de Ensino Fundamental Joaquim Ângelo, na zona rural do município de Castanhal.

A escola visitou o Campus de Pesquisa com um grupo de sete alunos, entre eles a estudante Ana Beatriz, de 10 anos, que ficou encantada pela imersão realizada no prédio da Coordenação de Botânica (Cobot).  “O meu pai trabalha com o plantio de dendê, então eu já conhecia o óleo de dendê, mas eu gostei literalmente de tudo. É muito bom conhecer coisas novas”, disse.

Além de fortalecer o aprendizado das crianças, o Museu de Portas Abertas também se mostrou como um projeto inovador e com potencial para inspirar novas metodologias de ensino. “As escolas precisam também dessa parceria com o Museu e com outras instituições para fortalecer o ensino e enriquecer a aprendizagem. A gente está aqui também aprendendo novas metodologias. É tudo enriquecedor e toda a equipe foi muito acolhedora”, ressaltou a professora.

Quatro décadas de socialização do conhecimento 

Crianças observam e tocam em vaso arqueológico
Crianças tiveram contato com réplicas de objetos arqueológicos (Matheus Neves/MPEG)

Criado há 41 anos pela educadora Helena Quadros, o Museu de Portas Abertas é um projeto permanente de divulgação científica da instituição que visa aproximar a pesquisa científica das comunidades do entorno, valorizando as culturas locais e os saberes compartilhados. Atualmente, a ação é executada pelo Serviço de Educação do Museu Goeldi (Seedu), mas conta com a colaboração de pesquisadores, bolsistas e estudantes de pós-graduação de todas as coordenações.

Para Mayara Larrys, chefe do Seedu, a trajetória construída coletivamente pelo MPA mostra que a popularização da ciência se tornou uma premissa cada vez mais importante para os pesquisadores da instituição, que veem o projeto como uma oportunidade para que o público entenda mais de ciência e se aproprie dela para compreender o mundo e os diferentes contextos.

“Olhando internamente, o MPA gera uma mobilização dos nossos estudantes de pós-graduação, de estudantes de graduação de outras instituições, que estão aqui como bolsistas de iniciação científica e, inclusive, grupos de voluntários, mas também dos pesquisadores que continuam a exercitar a prática de popularizar aquilo que é feito dentro do seu laboratório ou do seu espaço de pesquisa”, analisa a educadora.

A partir disso, a avaliação é que o MPA 2026 alcançou os objetivos propostos tanto internamente quanto em relação às expectativas de impacto na comunidade externa. Foram 150 voluntários mobilizados, envolvendo pesquisadores e estudantes de pós-graduação da instituição e de universidades parceiras; 25 estandes com atividades de todas as coordenações no Parque Zoobotânico e no Campus de Pesquisa; atividades itinerantes em duas escolas de Ananindeua e Marituba; e um público estimado em mais de 1000 pessoas.

Nessa 41ª edição, o projeto contou ainda com o apoio de projetos aprovados em editais do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), além do apoio da Embrapa, da UFPA e do Ponto de Memória da Terra Firme. A expectativa da coordenação é que essas e outras parcerias possam ser firmadas para garantir o crescimento do MPA a cada edição.

“Fechamos essa etapa de apresentação nas unidades do Museu Goeldi e começamos a organizar a produção que é publicada anualmente com os resultados dos trabalhos desenvolvidos, mas a gente já precisa pensar no próximo MPA e em como expandir essa articulação para tentar ter um alcance cada vez mais amplo”, ressalta Mayara Larrys.

Texto: Fabrício Queiroz

Revisão: Andréa Batista

Categorias
Ciência e Tecnologia
Tags:Pará
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