Instituições científicas da Pan-Amazônia apontam estratégias para crise climática

Recomendações estão na publicação “Caminhos para a ciência pan-amazônica”, fruto do trabalho de oito centros de pesquisa da região reunidos na Rede Bioamazônia, dentre elas, o Museu Goeldi. O documento foi disponibilizado em duas versões, impressa e eletrônica, e foi produzido em três idiomas.

Publicado em 15/11/2025 14:15Modificado há 5 meses
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Museu Goeldi | COP30 com Ciência – Um conjunto de estratégias relacionadas ao conhecimento e à gestão da biodiversidade, à bioeconomia, a conflitos e ameaças e a sistemas de conhecimento e governança local, capaz de orientar políticas públicas de enfrentamento à emergência climática no planeta, está sintetizado na publicação “Caminhos para a ciência pan-amazônica”. Lançado na manhã deste sábado (15), pela Rede Bioamazônia, no auditório da Estação Amazônia Sempre, no Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em Belém (PA), o documento é fruto do trabalho de pesquisadores das oito instituições da região reunidas na frente transnacional e já está disponível online, em três idiomas (português, espanhol e inglês).

A ecóloga Marlúcia Martins, coordenadora de Pesquisa e Pós-graduação do Museu Goeldi, unidade de pesquisa mais antiga da Amazônia, com 159 anos, e integrante da rede, destacou que o documento conta com o prestígio dos conhecimentos produzidos nas instituições e com parceiros fundamentais. “É muito caro para nós este novo paradigma de ciência: buscamos a ciência que tenha uma concepção ampliada, incluindo tanto as técnicas cientificas tradicionais, quanto os saberes ancestrais. As comunidades tradicionais têm conhecimento profundo e holístico da floresta, da sua dinâmica, do seu desenvolvimento. A partir disso, é possível construirmos soluções também para a crise climática”, assegurou, durante a abertura da cerimônia.

Ciência e humanidade Convidada especial, a vice-ministra de Meio Ambiente e Ordenamento Territorial da Colômbia, Tatiana Roa, expressou seu reconhecimento ao trabalho: “A publicação é o primeiro fruto visível da rede, criada no momento em que o bioma nos exige mais ciência e, sobretudo, mais humanidade. São mais de mil pesquisadores integrados às instituições parceiras. A Amazônia não pode ser observada por uma única perspectiva. Necessita diálogo, conhecimento mútuo e compromisso profundo com a vida”, destacou.

Ela também saudou a escolha dos quatro eixos temáticos sobre os quais se debruçaram os pesquisadores. “O documento é justamente essa voz coletiva, que se expressa através de quatro rotas essenciais. O conhecimento e a gestão da biodiversidade são a base de qualquer decisão responsável. A bioeconomia é uma oportunidade para impulsionar o bem-estar e manter a floresta em pé. Os conflitos e as ameaças nos lembram que temos de questionar a desigualdade e a violência ambiental. E sem os sistemas de conhecimento e de governança local, não existe sustentabilidade nem legitimidade possível”, argumentou Tatiana.

Por sua vez, Luz Marina Cárdenas, diretora do Instituto Sinchi (Colômbia) e presidenta da Rede Bioamazônia, destacou que a frente transnacional responsável pela publicação “é um poderoso instrumento regional, que tem condição integral de fortalecer a capacidade dos institutos-membros; de promover a geração e o intercâmbio de conhecimento para a conservação e o desenvolvimento sustentável; e de transferir soluções tecnológicas inovadoras em diferentes cenários”. Ela agradeceu aos parceiros e, sobretudo, ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que tem financiado a iniciativa.

Também participaram do painel “Caminhos para a ciência pan-amazônica”, os pesquisadores Henrique dos Santos Pereira, diretor do Inpa (Brasil); Carmen Rosa García Dávila, presidente-executiva do IIAP (Peru); Diego Javier Inclán Luna, diretor Executivo do Inabio (Equador); João Valsecchi do Amaral, diretor do Instituto Mamirauá (Brasil); Hernando García Martínez, diretor do Instituto Humboldt (Colômbia); e Mónica Moraes, do Instituto de Ecología UMSA (Bolívia).

A Rede – Além do Museu Goeldi, fazem parte da rede o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (AM/BR), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (AM/BR), o Instituto Humboldt (COL), o Instituto Sinchi (COL), o Instituto Nacional de Biodiversidade (ECU), o Instituto de Pesquisa da Amazônia Peruana (PER) e o Instituto de Ecologia da Universidade Mayor de San Andrés (BOL).

Exposição – O lançamento da publicação é a culminância da sequência de painéis promovidos pela rede desde o dia 11, por ocasião da COP30, na capital paraense. A exposição fotográfica “Amazônia a olhos vistos”, instalada nas proximidades do Centro de Exposições Eduardo Galvão, também no Parque Zoobotânico do Museu Goeldi, segue disponível ao público até o próximo dia 21.


Texto: Erika Morhy

Edição: Andréa Batista

CONFIRA AS PROGRAMAÇÕES DO MUSEU GOELDI NA COP30

As atividades citadas nesta matéria fazem parte de uma programação geral no contexto da COP30, com mais de 200 eventos, que está sendo realizada nas duas bases do Museu Goeldi (Parque Zoobotânico e Campus de Pesquisa), desde o último dia 7. Acesse as agendas dos quatro espaços montados no MPEG:

  • NO PARQUE – Casa da Ciência – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA).

  • NO PARQUE – Estação Amazônia Sempre – Endereço: Av. Magalhães Barata, 376, São Braz, Belém (PA).

  • NO PARQUE – Presença Suíça/Planetary Embassy/Road to Belém : Chalé João Batista de Sá - Parque Zoobotânico Museu Paraense Emílio Goeldi, Av. Gov Magalhães Barata, 376 - São Braz, Belém-PA.

  • NO CAMPUS – Espaço Chico Mendes – Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi – Av. Perimetral, 1901 - Terra Firme, Belém (PA).

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Meio Ambiente e Clima
Tags:Pará
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