Últimos dias para visitar a exposição “Quando o museu é rio”, no Instituto Tomie Ohtake, em SP

A exposição que une arte contemporânea e acervos científicos do Museu Goeldi fica em cartaz até 16 de agosto, com quatro visitas mediadas este mês. Desde o final de junho, quando foi aberta, a mostra recebeu quase 50 mil visitantes.

Publicado em 07/08/2026 14:43Modificado há 2 dias
Compartilhe:
salão de exposição com tapete com desenho de preguiça-gigante no centro e outras obras de arte
Tapete com desenho de uma preguiça-gigante dá as boas-vindas à exposição montada no Instituto Tomie Ohtake (Crédito: Estúdio em Obra)

Um tapete com o desenho de uma preguiça-gigante dá as boas-vindas aos visitantes da exposição Quando o museu é rio, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, até o dia 16 de agosto. A mostra une arte contemporânea e acervos científicos do Museu Paraense Emílio Goeldi. Além da instalação em tamanho real, há uma réplica de uma garra do animal que viveu há mais de 13 mil anos na Amazônia e chegava a medir seis metros de comprimento. Esse objeto pode ser comparado, na exposição, à garra de uma preguiça atual. Até esta semana, a mostra recebeu um público de quase 50 mil pessoas. Neste mês, estão programadas mais quatro visitas mediadas, nos dias 8, 9, 15 e 16, sempre às 15h. 

grupo de sete pessoas - cinco mulheres e dois homens - posam sorrindo para fotografia
Pesquisadores do Museu Goeldi, entre os quais os três membros da curadoria científica, durante abertura da exposição

Fósseis de uma família da espécie Eremotherium laurillardi, seu nome científico, foram encontrados em um terreno particular, na cidade de Itaituba, no Pará. Os proprietários contataram o Museu Goeldi para auxiliar na conservação do material. Membra da curadoria científica, Sue Costa explicou que, no processo de produção da exposição, o Museu Goeldi apresentou os temas, prestou informações e selecionou imagens e acervos para que a curadoria técnica avaliasse quais dialogariam melhor com a proposta artística. 

A preguiça-gigante foi uma das escolhas: “Essa megafauna faz parte de um passado em que a Amazônia era diferente. Havia savanas, grandes campos que a gente chama de borda de floresta, onde viviam as preguiças-gigantes. Elas chegavam a medir seis metros, do focinho à cauda”.  Além de Sue Costa, a curadoria científica é assinada por Nelson Sanjad e Sâmia Batista, pesquisadores vinculados ao Museu Goeldi. 

A exposição também trouxe o tema do bicho-preguiça em forma de uma provocação para a vida moderna. O movimento da preguiça sugere paciência e lentidão, contrastando com o cansaço da sociedade atual e levando as pessoas a refletirem sobre a importância dos momentos de ócio e de folga. Essa reflexão está na edição de junho da newsletter Tomie Educação, com o texto O direito a uma preguiça gigante (sem hífen).

Curadoria técnica e artistas convidados

O projeto tem a curadoria de Ana Roman e Sabrina Fontenele, superintendente artística e curadora do Instituto Tomie Ohtake, respectivamente; e de Vânia Leal, pesquisadora e curadora com atuação na região Norte. Os artistas convidados são Déba Tacana, Elaine Arruda, Francelino Mesquita, Gustavo Caboco, Mari Nagem, Noara Quintana, Paula Giordano, PV Dias, Rafael Segatto Barboza da Silva e Sallisa Rosa, além do Estúdio Flume.  

A uma semana do encerramento da mostra, Ana Roman ressalta a colaboração entre o Instituto Tomie Ohtake e o Museu Goeldi, que também incluiu, logo na primeira semana da mostra, a realização de um seminário, em parceria com a Universidade de São Paulo e o Museu de Arqueologia e Etnografia. 

“Foi um seminário realmente muito impressionante. Sobre as visitas mediadas, a exposição tem atraído um grande público escolar. Foram quatro visitas por semana, então, até o momento, a gente tem cerca de 24 visitas escolares. Cada uma com cerca de 40 estudantes e a gente tem uma expectativa de público geral até o momento de quase 50 mil pessoas, o que é um dado bastante importante, considerando que é uma exposição mais curta em relação ao que a gente normalmente faz. O nosso educativo tem focado muito em fazer atividades a partir dos elementos da exposição. Acho que a gente celebra, mais uma vez, a relação entre Museu Goeldi e Instituto Tomie Ohtake e com essa quantidade impressionante de pessoas que recebemos nessa mostra”, disse.

Algumas obras de arte da mostra (Fotos: Camilla Loreta)

silhueta de homem em pé é vista através de cortina vermelha de instalação artística
instalação artística imitando teia de aranha com objetos penduradas nela
itens cerâmicos que fazem parte do acervo do Museu Goeldi
grupo de pessoas visto de cima em sala de exposição
casal observa peças de museu em exposição

Acervo e projetos científicos

Ainda entre os conjuntos apresentados na exposição, estão materiais ligados ao Acervo Didático Emília Snethlage, utilizado em ações educativas do museu; pesquisas arqueológicas sobre pinturas rupestres amazônicas; o projeto Replicando o Passado, desenvolvido com ceramistas do Pará e do Amapá; estudos sobre a descoberta de fósseis de preguiças-gigantes na Amazônia; além de projetos científicos e ambientais como o Esecaflor, dedicado à investigação dos efeitos das mudanças climáticas sobre a Floresta Amazônica. A mostra também destaca a atuação histórica do Museu Goeldi junto a povos indígenas amazônicos e as discussões contemporâneas em torno da classificação e reorganização de acervos etnográficos e biológicos. 

Quando o museu é rio é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), e do Instituto Tomie Ohtake, em parceria com o Museu Paraense Emílio Goeldi. A mostra conta com o patrocínio do Nubank, mantenedor institucional do Instituto Tomie Ohtake; da AkzoNobel, na cota Ouro; do Aché Laboratórios Farmacêuticos, na cota Prata e apoio da Tintas Coral. 

Texto: Andréa Batista/Museu Goeldi, com informações do Instituto Tomie Ohtake
Revisão: Sâmia Batista e Carla Serqueira

SERVIÇO:

Exposição “Quando o museu é rio”
Período: 26 de junho a 16 de agosto
Endereço: Rua Coropés, 88, Pinheiros, São Paulo (a 800 metros da estação Faria Lima do
Metrô –Linha 4-Amarela)
Visitas mediadas: 8, 9, 15 e 16 de agosto, às 15H (atividade gratuita mediante inscrição, com vagas limitadas. Recomenda-se chegar com pelo menos 15 minutos de antecedência).

Categorias
Cultura, Artes, História e Esportes
Compartilhe: