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Em clima de 159 anos, Museu Goeldi reabre Parque Zoobotânico
Agência Museu Goeldi - Às vésperas de completar 159 anos, o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) reabriu, nesta sexta-feira (3/10), seu Parque Zoobotânico (PZB), retomando a visitação pública que precisou ser suspensa por cerca de 40 dias devido a serviços de manutenção. Os primeiros visitantes começaram a chegar por volta das 9h, quando a bilheteria abriu, com a expectativa de ter uma experiência de imersão nesse espaço de natureza plantado bem no centro urbano de Belém-PA. Muitas pessoas, inclusive, eram visitantes assíduos do parque há décadas, gente que tem uma relação afetiva com o parque e, consequentemente, com a instituição que o criou, o Museu Goeldi.
É o caso da pedagoga Ana Laura Gomes, que mora ao lado do parque. “Eu vim para Belém com 7 anos de idade e estou com 65. Tenho muito afeto por esse lugar. A gente traz nossas crianças para cá desde muito cedo. Eu também trabalhei aqui. É um lugar que a gente tem muita recordação mesmo. O Museu Goeldi faz parte da nossa história”, disse, sendo interrompida pelo choro causado pela emoção de revisitar memórias.
Laura estava acompanhada da amiga Maria Raimunda da Cunha Silva, aposentada. “Caminho há 30 anos aqui nas redondezas do Museu. Eu só tenho a agradecer tudo o que estão fazendo por esse lugar. Nunca vi o Museu tão lindo como está agora. Só tenho a dizer: ‘parabéns! Conheço isso aqui tudo, e não é nem por palmo, mas por polegada. Eu sou apaixonada por esse lugar. Museu Goeldi, eu te amo de paixão”, declarou-se.
Turistas
Além dos visitantes assíduos, o parque do Museu Goeldi recebe turistas o ano todo, muitos atraídos pela massa de verde fincada no centro nervoso de Belém. É o caso de Carlos José, morador de Recife-PE, que viajou a Belém com quase 20 pessoas para comemorar o aniversário da esposa, Maria Helena. “Meu sobrinho nos falou do parque e tivemos a curiosidade de visitar. Já na entrada, a gente sente esse contato com a natureza, com essas árvores contrastando com o cimento lá de fora. Já estamos gostando mesmo sem conhecer”, falou, recebendo a aprovação do grupo que o acompanhava.
O casal Bruno Machado, analista de sistemas, e Gabriela Uchoa, estudante, é de Macapá e esteve no parque pela primeira vez. “Nossa cidade tem parques, mas o mais interessante é que esse parque aqui é uma área grande e no meio da cidade, é totalmente diferente. Você sai da rua e entra em outro ambiente mesmo, dentro da natureza. E eu estou curiosa para conhecer”, disse Gabriela. “A minha expectativa é entrar aqui e me sentir melhor por estar nessa área verde, é relaxar e curtir ao máximo esse pedacinho de natureza”, arrematou Bruno.
O parque: a base mais conhecida
O Parque Zoobotânico (PZB) é uma das três bases do Museu Goeldi (as outras duas são o Campus de Pesquisa, no bairro de Terra Firme, e a Estação Científica Ferreira Penna, na Floresta Nacional de Caxiuanã, em Melgaço (PA). O chefe do Serviço do Parque Zoobotânico, Pedro Pompei Filizzola Oliva, destaca que, por ser a base mais antiga, com 130 anos, o parque tem um peso no reconhecimento do que é o Museu Goeldi. “O público não conhece o Museu Goeldi se não for pelo Parque Zoobotânico. Evidente que, se não tivesse o parque, haveria a pesquisa, mas, talvez, o Museu fosse conhecido de uma outra forma. E, na verdade, foi aqui que as pesquisas começaram. O parque foi plantado e, a partir daí, começa a pesquisa: como é que isso foi cuidado para que desse certo?”, provocou.
Pedro Oliva aproveitou para reforçar a necessidade de os visitantes preservarem o parque, com tudo o que há nele. “Se você olhar ao seu redor, consegue ver muitas interações. A gente tem a interação entre flora, fauna e os prédios históricos. Temos um tombamento paisagístico. As árvores compõem essa paisagem, assim como os viveiros estão inseridos nela. Tudo aqui tem uma interação. Por isso, você não pode riscar as árvores e colocar seu nome lá; não pode alimentar as cutias; não pode arrancar as folhas ou coletar os frutos… Tudo isso conversa com essa natureza, com esse ambiente que precisamos preservar”, ressaltou, lembrando que há serviços de manutenção ainda sendo feitos para preparar o espaço para a COP30, em novembro.
Exposição em cartaz até dezembro
A reabertura do Parque do Museu Goeldi coincidiu com a abertura pública da exposição “Um rio não nasce sozinho”, do Instituto Tomie Ohtake, lançada para convidados na quinta-feira (veja matéria AQUI). Neste primeiro dia de exposição aberta ao público, houve uma mesa de diálogos, no auditório Eduardo Galvão, na qual os artistas que estão expondo na mostra puderam falar sobre o processo de criação de suas obras, como foram impactados por essa fase e como esperam que o público receba os trabalhos e, a partir deles, reflita sobre as mudanças climáticas, seus efeitos e como as pessoas se inserem nisso.
Os diálogos foram mediados pelas curadoras da exposição, Sabrina Fontenele e Vânia Leal. O primeiro a falar foi Gustavo Caboco, artista do povo Wapichana, que apresenta na exposição do trabalho “Casa de bicho”. Sobre a obra, o artista falou sobre o travesseiro de algodão sobre o qual as pessoas podem deitar, durante a apreciação da intervenção artística. Para ele, essa experiência tem um propósito de incentivar o reconhecimento de uma crise (quando a pessoa se sente impotente, perseguida, atropelada, faminta). “Pode ter algo de feitiço e magia, ou apenas deitar, parar e ver que há uma vida acontecendo, apesar da crise”, destacou.
O debate seguiu com falas e apresentações dos demais artistas que puderam interagir com o público. A exposição fica em cartaz no Parque Zoobotânico até dezembro. São 10 intervenções que se misturam à paisagem.
Educação ambiental
Uma turma formada por mais de 50 crianças e adolescentes também visitou o parque no primeiro dia de retomada da visitação pública. O grupo foi levado pelo projeto do Ministério Público do Pará (MPPA), executado pela promotora de Justiça da Infância e Juventude de Belém, Viviane Veras de Paula Couto. A iniciativa contou com vários parceiros, entre os quais o Museu Goeldi, por meio do Serviço de Educação (SEEDU/MPEG), que recebeu a criançada e viabilizou uma visita guiada aos espaços do parque.
Texto: Andréa Batista
SERVIÇOS:
Parque Zoobotânico do Museu Goeldi
Funcionamento: de quarta a domingo, das 9h às 15h
Ingresso: R$ 3


