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Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas do Museu Goeldi recebem certificação de tecnologia social
Agência Museu Goeldi - Os Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, desenvolvidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em parceria com pesquisadores da Universidade do Novo México e comunidades indígenas, receberam a certificação de tecnologia social da Fundação Banco do Brasil. Com metodologia replicável e com comprovado impacto positivo em comunidades, o projeto concorre ao 13° Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, edição especial de 40 anos, que ocorrerá em maio. A iniciativa – uma das sete desenvolvidas pelo Museu Goeldi – também passa a integrar a plataforma Transforma FBB, rede digital que reúne soluções sociais de diversos países.
Coordenadora do projeto, a pesquisadora do Museu Goeldi, Ana Vilacy, afirma que a certificação é importante porque atesta a demanda dos povos indígenas que lutam para preservar suas línguas ameaçadas. “Ficamos muito felizes com a certificação porque ela reconhece os dicionários como uma resposta para a demanda social, que é a questão das línguas indígenas ameaçadas. Ao mesmo tempo, o certificado reconhece a ação política das comunidades indígenas falantes dessas línguas tradicionais, que querem retomar o aprendizado e a transmissão no seio das suas próprias comunidades”.
Para Ana Vilacy, o certificado de tecnologia social dá maior visibilidade aos Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas: “Com essa certificação, a tecnologia fica mais acessível em larga escala, torna-se mais conhecida dentro e fora do país, aumenta a visibilidade e o escopo de atuação desse trabalho”. Desenvolvido com software livre, a nova tecnologia social do Museu Goeldi foi elaborada com o objetivo de favorecer a apropriação da metodologia de criação dos dicionários por quaisquer comunidades interessadas. “Utilizamos softwares livres de amplo acesso, que podem ser aplicados por qualquer grupo interessado em desenvolver seus próprios dicionários”, reforçou a pesquisadora.
Dicionários disponíveis
As línguas Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam já possuem dicionários elaborados a partir da metodologia desenvolvida pelo Museu Goeldi, disponibilizados no portal do projeto. Também está disponível o dicionário temático “Lugares sagrados dos Medzeniakonai”, desenvolvido pelo pesquisador indígena Artur Baniwa. De acordo com Ana Vilacy, outros quatro dicionários estão sendo desenvolvidos, com previsão de lançamento este ano: das línguas Makurap, Wayoró, Kujubim e Djeoromitxí. “Também estamos trabalhando a metodologia com professores e alunos indígenas do curso intercultural indígena da Universidade Federal do Maranhão para produzir vocábulos, pequenos dicionários das suas próprias línguas, como atividades curriculares”, acrescentou.
Ao todo, 148 tecnologias sociais foram certificadas pela Fundação Banco do Brasil este ano. Todas concorrem ao 13° Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social que, nesta edição, irá premiar iniciativas em duas categorias: Novas Tecnologias Sociais e Desafio Fundação BB 40 Anos. O total do investimento é de até R$ 6 milhões em premiação e certificação. As finalistas serão anunciadas na segunda quinzenas de fevereiro e a cerimônia de premiação está prevista para o dia 29 de maio.
Das sete iniciativas do Museu Goeldi, mapeadas pelo Observatório de Tecnologias Sociais da instituição, outras duas, além dos Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas, também foram certificadas pela Fundação Banco do Brasil: as Olimpíadas de Ciências de Caxiuanã e o projeto Replicando o Passado, ambas em 2024.
Texto: Carla Serqueira
Revisão e edição: Andréa Batista