Coleções didáticas do Museu Goeldi encantam público durante exposição da biodiversidade

A quinta edição da ExpoBio da UFPA contou com itens da Coleção Didática Emília Snethlage e da coleção de mastozoologia. O público manuseou peças, descobriu curiosidades sobre a fauna e a flora, e aprendeu sobre monitoramento de onças-pintadas e jaguatiricas na Floresta Nacional de Caxiuanã.

Publicado em 02/06/2026 13:02
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Duas crianças olham curiosas para o crânio de um jacaré. Um menino, usando boné azul, toca na peça com a ajuda de uma mulher adulta.
No estande do Museu Goeldi, crianças foram atraídas pela possibilidade de tocar em fósseis e animais taxidermizados nos três dias da 5ª ExpoBio (Matheus Neves/MPEG)

Agência Museu Goeldi - Diferente dos acervos restritos aos estudos acadêmicos, as coleções didáticas do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) foram criadas para serem sentidas na ponta dos dedos por qualquer pessoa curiosa pelos encantos da ciência. Entre os dias 28 e 30 de maio, na 5ª Exposição da Biodiversidade (ExpoBio) da Universidade Federal do Pará (UFPA), a Coleção Didática Emília Snethlage e a coleção didática da área de mastozoologia (mamíferos) cumpriram o seu papel: atraíram públicos de todas as idades que, além de manusear animais taxidermizados, sementes, plantas, rochas, brinquedos de madeira e cestos de palha, deixou o estande do MPEG cheio de descobertas sobre a sociobiodiversidade da Amazônia.

Menino toca nas penas de um pássaro taxidermizado numa exposição de ciências
Peças representaram áreas de pesquisa do Museu Goeldi (Matheus Neves/MPEG)

Estudante do 8º ano da Estadual Estadual Dr. Anibal Duarte, André Gaspar tem o sonho de ser biólogo. “Uma coisa que me interessou muito foi o crânio desse jacaré. Aprendi que jacaré-açu significa grande jacaré. Também aprendi sobre a diferença entre o macho e a fêmea do jabuti-tinga. A barriga do macho é mais achatada para facilitar na hora da reprodução”, disse ele, que saiu do estande do Museu Goeldi ainda mais motivado com a futura profissão. “Achei a explicação muito bacana, muito legal mesmo. Anotei aqui no meu diário de bordo. Recebi muitas informações legais que vão contribuir para o meu desenvolvimento e para eu crescer [como estudante] porque eu quero ser biólogo”.

Sol Santana, estudante de biologia da UFPA, ficou surpresa com o que descobriu. “Ele [o expositor] perguntou se eu já tinha comido o fruto da castanha. Falei que sim, porque achava que sim, mas ele explicou que, na verdade, o que a gente come é a semente. O fruto é o que envolve a semente e quem come são os animais que têm estruturas especializadas para comer, como a cutia. Achei bem legal”, relatou, contando sobre outros aprendizados. “Gostei das sementes, porque eu não conhecia os diferentes tipos de dispersão, tanto a dispersão feita pelos animais como as autodispersões feitas pelas próprias plantas. Também achei legal os fósseis de mastodonte e dos gastrópodes”.

O biólogo Lucas Bernardes gostou das áreas científicas representadas na coleção. “Foquei em áreas que não são a minha, como a geologia e a antropologia. Apesar de eu ter tido uma base sobre paleonto, poder ouvir uma especialista me fez descobrir outras coisas. A parte da antropologia também foi muito legal porque é algo que está bastante ligado ao Museu Goeldi. Achei bonito mostrar para as pessoas os brinquedos de miriti, os materiais de palha, que são a nossa ancestralidade”. Já Alana Pimentel gostou de proporcionar a experiência sensorial à irmã. “Os modelos didáticos são bem interessantes para ver, tocar. É muito interativo para as crianças. Eu trouxe a minha irmã e ela está amando, perguntando o que é. Como sou das ciências biológicas, é muito legal ver essa participação”.

"Quem é Quem na Mata?"

Um grupo de crianças observa fotos de onças dentro de uma caixa verde numa exposição de ciências
Dinâmica desafiou público a identificar onças e jaguatiricas (Matheus Neves/MPEG)

Histórias sobre a espera e o momento do flagrante encheram os olhos de crianças e adultos que não esconderam a admiração diante das imagens de onças-pintadas e jaguatiricas capturadas pelas armadilhas fotográficas montadas na Floresta Nacional de Caxiuanã pela bióloga e pesquisadora vinculada à área de mastozoologia do Museu Goeldi, Fernanda da Silva Santos. “Um dos temas abordados na ExpoBio foi o monitoramento de mamíferos e de aves terrestres. Pudemos explicar o funcionamento das câmeras, a importância do monitoramento e as informações que podem ser obtidas. Além disso, tivemos uma dinâmica chamada “Quem é Quem na Mata?”, na qual o público era convidado a identificar individualmente onças-pintadas e jaguatiricas com base na observação dos padrões de rosetas e estrias nas pelagens. Estes felinos têm padrões únicos que funcionam como uma impressão digital e o reconhecimento dos indivíduos contribui para o estudo sobre a densidade das espécies na floresta”, detalhou.

Acervos variados e acessíveis

Chefe do Serviço de Educação do Museu Goeldi, Mayara Larrys comemorou o sucesso do estande do Museu Goeldi na ExpoBio. “A exposição foi positiva e bem sistematizada. O estande contou com a participação e a implicação de diversos públicos que tiveram a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as áreas de pesquisa do Museu e das suas relações com a sociobiodiversidade amazônica”. Segundo ela, doze pessoas, entre bolsistas e estagiários, formaram a equipe de mediadores que interagiram com o público.

Mulheres tocam em peles de animais expostyas numa feira de ciências
Coleção da mastozoologia gerou curiosidade na ExpoBio (Matheus Neves/MPEG)

Idealizada por Maria Filomena Faguri Videira Secco em meados da década de 1980, a Coleção Didática Emília Snethlage foi criada para viabilizar o acesso de seu acervo a estudantes e professores com o objetivo de fortalecer a educação museal. A coleção possui mais de 4 mil itens que representam as grandes áreas de pesquisa do Museu: zoologia, botânica, geociências e ciências humanas. Já a coleção didática da área de mastozoologia foi criada a partir de espécimes que não tiveram procedência registrada e que foram destinados para uso em atividades de educação ou para exibição ao público em geral.

“Da zoologia, havia cobra, jabuti e pássaros taxidermizados. Da botânica, foram expostas exsicatas, que oferecem a possibilidade de entender, não só a técnica em si [para produzi-las], mas a sua importância na preservação de espécimes vegetais para a realização de estudos sobre a flora amazônica. Já das ciências humanas, levamos itens de miriti e de cestaria, que representam práticas ancestrais de trançado e uso sustentável de recursos. E, por fim, da geociências, foram apresentados fósseis e réplicas de fósseis da Formação Pirabas para mostrar como podem ser mobilizados como instrumentos pedagógicos para a superação do antropocentrismo e construção de sentidos de pertencimento à história planetária”, detalhou Mayara Larrys.

Segundo ela, mais de 90% dos itens da Coleção Didática Emília Snethlage estão inventariados e estarão disponíveis para empréstimos a partir de julho. “Além disso, estamos trabalhando na produção de materiais didáticos de apoio para ampliar as possibilidades de extroversão da coleção, que estarão disponíveis para uso até o final do ano”, anunciou. Logo que a coleção estiver apta para uso nas escolas e em projetos educativos de demais interessados na área da divulgação científica, as condições para empréstimos serão divulgadas nos canais de comunicação do Museu Goeldi.

Texto: Carla Serqueira (com colaboração de Matheus Neves)

Revisão: Erika Morhy

Categorias
Educação e Pesquisa
Tags:Pará
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