Cocex apresenta 39 pesquisas que inovam processos, qualificam serviços e fortalecem atuação do Museu Goeldi

Durante seminário, bolsistas, estagiários e servidores de diferentes atuações e trajetórias compartilham experiências e conhecimentos a partir de pesquisas aplicadas à museologia e aos serviços de Comunicação, Educação, Arquivo e Biblioteca.

Publicado em 27/04/2026 17:26Modificado há 4 dias
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Jovem segurando um microfone fala a uma plateia. No fundo, um texto exibido em um telão
No seminário, bolsista do Secos apresenta pesquisa a integrantes da Cocex (Adrya Marinho/MPEG)

Agência Museu Goeldi – Pelo menos, 39 pesquisas estão em andamento no âmbito da Coordenação de Comunicação e Extensão do Museu Paraense Emílio Goeldi (Cocex/MPEG). Os estudos estão relacionados à análise de práticas cotidianas e ao desenvolvimento de produtos nas áreas de museologia, educação, comunicação, arquivo e biblioteca. Além de bolsistas, as produções envolvem pesquisadores que atuam na gestão, na execução de serviços e em estágios. Isso porque, na Cocex, a pesquisa também é vista como ferramenta estratégica para inovar processos, qualificar serviços, fortalecer atuações e melhorar práticas, seja na conservação de acervos e na salvaguarda da memória institucional, seja na criação de produtos e na divulgação da ciência produzida na Amazônia.

As pesquisas foram compartilhadas durante o primeiro Seminário de Pesquisa da Cocex, que aconteceu na última quarta-feira (22/04), no auditório do Centro de Exposições Eduardo Galvão, no Parque Zoobotânico do MPEG. O evento reuniu bolsistas de vários programas (de Capacitação Institucional – PCI, e de Iniciação Científica – Pibicti e Pibic), estagiários e servidores efetivos que integram o quadro de pessoal da Cocex, incluindo os setores vinculados a ela: a Coordenação de Museologia (Comus) e os serviços de Educação (Seedu), de Comunicação Social (Secos), de Arquivo e Memória (Searm) e de Biblioteca (Sebib).

Mulher segurando microfone apresenta slides projetados em telão
Sue Costa fala sobre construção de pesquisas na Cocex (Adrya Marinho/MPEG)

A abertura e a condução do evento foram feitas pela coordenadora da Cocex, Sue Costa, que destacou o momento especial e histórico vivido na Coordenação de Comunicação e Extensão com tantas pessoas dedicadas a pesquisas. Ela registrou que esses resultados não são apenas creditados à atual gestão, mas a um coletivo que se esforçou para sua concretização e a pessoas que prepararam, nos últimos anos, o caminho para que o momento fosse possível. “Não é o trabalho de um ano ou dois. Somos uma instituição de quase 160 anos e os frutos de hoje começaram a ser plantados antes de nós”, disse.

Sue Costa ainda destacou o fato de que, embora alguns setores – como o Secos – tenham apresentado vários trabalhos e haja muitas pessoas envolvidas, diante das demandas da instituição e de sua importância estratégica, a equipe ainda é bem reduzida, mas, mesmo assim, tem havido um esforço para integrar teoria e prática. “Sim, ainda somos poucos, mas, hoje, tivemos a certeza de que, mesmo sendo poucos, fazemos um trabalho incrível no dia a dia, no esforço de compreender ainda mais as áreas nas quais atuamos. Obrigada por permitirem que eu esteja aqui neste momento, presenciando isso, porque vai fazer a maior diferença no futuro”, ressaltou, agradecendo a todas as pessoas envolvidas.

Homem segurando microfone fala a pessoas em auditório

Sebib: produção científica na Amazônia

O chefe do Serviço de Biblioteca, Rodrigo Paiva, apresentou o setor, falando de sua importância para a preservação da memória institucional. Ele e mais três integrantes da equipe do Sebib – a bibliotecária Geisa Dias, o bolsista Pibic Edielson Prestes e a estagiária Bárbara Sofia – apresentaram cinco pesquisas desenvolvidas pelo grupo. Assim como a maioria dos estudos apresentados no seminário, os objetos das pesquisas sempre estão relacionados à instituição. Essa recorrência é devido à diversidade de atuação do Museu e também de sua longa trajetória na Amazônia.

Os estudos desenvolvidos pelo Sebib tratam sobre comunicação científica a partir das publicações nos Boletins do Museu Paraense Emílio Goeldi; o papel do Museu na formação da biblioteconomia no Pará; a representação da produção científica feminina no repositório institucional do Museu Goeldi; a produção científica da instituição numa perspectiva cientométrica na Web of Sciense; o tratamento técnico e a análise do acervo pessoal do pesquisador David Oren e a elaboração do catálogo de zoologia com foco nas obras raras salvaguardadas na Biblioteca Domingos Soares Ferreira Penna.

Searm: memórias e história

Homem fala a uma plateia apresentando slide
Nelson Sanjad contabiliza produção científica do Searm (Woltaire Masaki/MPEG)

O pesquisador Nelson Sanjad apresentou a produção científica do Serviço de Arquivo e Memória (Searm), desde 2020, que conta com onze artigos publicados em periódicos, sete capítulos de livros e onze textos de divulgação científica em canais digitais (Blog Jacques Huber, Portal Ensaio e Brasiliana Fotográfica). Ele explicou que compete ao Searm executar as atividades de gestão do Arquivo Guilherme de La Penha, incluindo ações de guarda, segurança, conservação, desenvolvimento de estudos e divulgação do acervo arquivístico.

Logo após, os pesquisadores, bolsistas e estagiários do Searm (João Matheus Galvão, Lúcia Gabriele Malato Santos, Lucas Monteiro de Araújo e Rafael Moia), orientados por Nelson Sanjad e pela analista de ciência e tecnologia Lilian Bayma, apresentaram quatro dos estudos em andamento, que têm como focos o comércio da fauna amazônica; a relação de Jacques Huber com a botânica e a faca de sangrar seringueira; e as memórias do acervo fotográfico do Museu, formado por cerca de 20 mil fotografia de papel e 1.400 negativos de vidro.

Seedu: alfabetização científica

Mulher segurando microfone fala a pessoas em um auditório
Mayara Larrys apresenta estudos desenvolvidos pelo Seedu (Woltaire Masaki/MPEG)

A chefe do Serviço de Educação (Seedu), Mayara Larrys, apresentou os integrantes do setor e falou da importância das pesquisas desenvolvidas por ela e pelos bolsistas e estagiários da equipe: Isadora Reis, Vitória Aguiar, Matheus Neves, Beatriz Harumi, Leonardo Ryon e Ronaldo Farias. A maior parte dos estudos olha para os projetos desenvolvidos no âmbito do Seedu, visando seus melhoramentos e seu potencial no campo da alfabetização científica, posicionando-os como espaços de educação emancipatória e de mediação entre ciência e sociedade.

Ao todo, foram apresentadas oito pesquisas que trazem, entre outros temas, indicadores de alfabetização científica presentes em exposição, em oficinas e em kits didáticos produzidos no Museu, analisando suas contribuições para a divulgação científica na região amazônica; o potencial dos materiais educativos do acervo da Coleção Didática Emília Snethlage; o audiovisual como documento de memória, com a organização do acervo audiovisual; e a produção de um minidocumentário sobre o Clube de Pesquisadores Mirins.

Secos: fazendo e pensando

Mulher sorri ao falar a plateia em um ambiente de auditório
Sâmia Batista destaca importância das pesquisas do Secos no cotidiano (Matheus Neves/MPEG)

A chefe do Serviço de Comunicação Social, Sâmia Batista, apresentou um quadro com os servidores, bolsistas e estagiários do setor, que somam 25 pessoas, destacando que 19 delas estão envolvidas em pesquisas aplicadas ao cotidiano do setor, que investigam processos, práticas e rotinas informacionais e de gestão, buscando solucionar problemas do cotidiano, melhorar a comunicação pública da ciência, monitorar a imagem institucional, criar manuais práticos e produtos (identidades visuais, sites, perfis de redes sociais, podcasts, banco de imagens, entre outros).

Um detalhe sobre as pesquisas do Secos é que algumas nascem a partir de demandas da área levantadas por outros setores da instituição, geralmente para a extroversão de conhecimentos científicos por meio do jornalismo, das mídias sociais e de outras plataformas. Assim, enquanto atende essas necessidades, a equipe busca atrelá-las à pesquisa, observando tensões e aproximações entre o conhecimento acadêmico e a divulgação ao público.

O resultado foi a apresentação de 16 trabalhos dos seguintes pesquisadores, bolsistas, estagiários: Tarcízio Macedo, Adrya Marinho, Danielle Neves, Gabriela Moura, Isabella Gabas, Maria Eduarda, Victória Santana, Anna Luiza Souza, Erika Morhy, Daniel Magno, Denise Salomão, Emerson Ruan, Louise Di Fátima, Marcos Andrade, Woltaire Masaki. As pesquisas estão sendo orientadas e coorientadas pelos servidores Sâmia Batista, chefe do setor; Tarcízio Macedo, tecnologista; Joice Santos, coordenadora do Labcom; Andréa Batista e Carla Serqueira, analistas de ciência e tecnologia, na especialidade de comunicação.

Comus: conservação e acessibilidade

Homem em pé fala a plateia em auditório
Emanoel Júnior ressalta estudos desenvolvidos na Comus (Woltaire Masaki/MPEG)

O coordenador de Museologia, Emanoel de Oliveira Júnior, apresentou a equipe da Comus, destacando algumas pesquisas com foco no registro da memória arquitetônica institucional; na conservação de acervos; na virtualização e na educação museal; em políticas culturais; no conceito de acervo como superartefato; e na oferta (ou não) de acessibilidade dos espaços museais, principalmente no uso de tecnologias assistivas em exposições para pessoas com deficiência visual.

Os estudos são conduzidos por Emanoel Júnior, Karol da Hora Gillet, Lucia das Graças Santana, Fernanda Conceição de Queiroz e Martha Carvalho. São pesquisas decorrentes de bolsas em programas de pesquisa do CNPq, como também desenvolvidas no âmbito de programas de pós-graduação externos (em mestrados e doutorados), mas sempre com estreita ligação com o Museu Goeldi, em suas várias facetas.

Sue Costa destacou as pesquisas com foco na conservação preventiva de acervos, desenvolvidas por ela e por bolsistas e tecnologistas da Comus, a exemplo de Luely Cunha e Larisse Farias. “Estamos construindo um laboratório de conservação no Campus de Pesquisa que irá inaugurar uma nova área de pesquisa na instituição, que possibilitará a produção de parâmetros para conservação de acervos museológicos considerando as especificidades amazônicas”, ressaltou.

Um ensaio

Mulher em pé em auditório fala a plateia apontando para projeção em telão
Iraneide Silva apresentou produção da Editora com livros premiados (Woltaire Masaki)

Também foram apresentadas, pela editora-executiva Iraneide Silva, dezenas de publicações da Editora de Livros do Museu Goeldi, que é vinculada à Cocex, nos últimos cinco anos. Publicações sobre as coleções científicas do Museu, sobre conhecimentos de comunidades indígenas, sobre obras raras, dentre outras, estão entre as produções editoriais do período.

Além de apontar resultados obtidos e preliminares das pesquisas, o encontro também funcionou como um espaço de troca entre diferentes setores, incentivando o diálogo interdisciplinar e o aperfeiçoamento de práticas internas. Para os participantes, a iniciativa representou uma oportunidade de aprendizado coletivo e de valorização das experiências construídas pelo coletivo no cotidiano.

A experiência foi tão positiva que a Cocex acolheu a sugestão de alguns participantes da realização de um seminário anual em um formato maior para a apresentação das pesquisas, inclusive, a outros pesquisadores e gestores da instituição.

Texto: Andréa Batista

Revisão: Carla Serqueira

Categorias
Educação e Pesquisa
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