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Ciência na Praça: projeto de extensão vinculado ao Museu Goeldi promove educação ambiental no arquipélago do Marajó
Agência Museu Goeldi - De navio, seis estudantes de pós-graduação vinculados ao Museu Goeldi embarcaram de Belém com destino ao município de São Sebastião da Boa Vista, no arquipélago do Marajó, com a missão de promover uma série de atividades com a população local, envolvendo ciência, educação ambiental e partilhas de conhecimentos sobre a biodiversidade dos rios e das florestas da região marajoara. A exposição ocorre na praça da Matriz de São Sebastião da Boa Vista nesta sexta-feira, 20.
A ação intitulada “A Biodiversidade dos Nossos Rios e Florestas: Conhecer para Preservar” está ligada ao projeto de extensão ‘Guardiões do Marajó’, vinculado ao Museu Goeldi e compõe a programação oficial da prefeitura de São Sebastião da Boa Vista, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, em alusão ao Dia Internacional das Florestas, celebrado no dia 21 de março, e ao Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22 de março. No dia 19, os pesquisadores percorreram escolas públicas e rádios da cidade para divulgar a ação e convidar a população para o evento.
O grupo de pesquisadores é formado por Alessandra Cavalcante Guimarães, Évelyn de Oliveira Corrêa e Rodrigo Silva de Sousa, doutorandos em Biodiversidade e Evolução (PPGBE/MPEG); Jodilene Alfaia, mestranda em Ciências Biológicas – Botânica Tropical (PPGBOT - UFRA/MPEG); Marcos da Conceição Oliveira, mestre em Ciências Biológicas – Botânica Tropical (PPGBOT - UFRA/MPEG); e Melquisedeque Valente Campos, doutorando em Zoologia (PPGZOOL - UFPA/MPEG).
Na praça da Matriz, cada pesquisador vai ficar em um estande com banners e materiais da exposição, que é constituída de espécimes das coleções didáticas da coordenação de Zoologia e de Botânica do Museu Goeldi, de diferentes grupos de fungos, plantas e animais. Conforme o público circula pela praça e se aproxima dos estandes, os pesquisadores têm a oportunidade de explicar suas pesquisas, trocar ideias, tirar dúvidas e apresentar os exemplares que compõem as coleções. Durante o evento, além da interação do público com os pesquisadores, alguns itens da exposição poderão ser manuseados pelas pessoas, proporcionando uma experiência sensorial sobre a biodiversidade.
Cada banner apresenta parte das pesquisas desenvolvidas pelos jovens pesquisadores. Alessandra Cavalcante pesquisa a diversidade de serpentes na Amazônia e vai apresentar ao público assuntos relacionados a anfíbios e répteis. Já Évelyn de Oliveira pesquisa a diversidade genética de aves amazônicas e vai apresentar ao público o estande sobre vertebrados. Rodrigo Silva, que estuda a morfologia de peixes elétricos, vai interagir com as pessoas no estande sobre peixes. Melquisedeque Valente, que pesquisa sobre a taxonomia e a sistemática de vespas sociais, vai conversar sobre insetos, aracnídeos e escorpiões no estande sobre artrópodes. Na área da botânica, Marcos da Conceição, que pesquisa a estrutura da vegetação em ilhas amazônicas, apresenta o estande sobre plantas com flores. E Jodilene Alfaia, que pesquisa taxonomia de samambaia no Pará, vai apresentar o estande sobre fungos e plantas sem flores.
Marcos Oliveira destaca a importância de partilhar o conhecimento sobre a biodiversidade amazônica e o desafio que é ser pesquisador e divulgador científico. “O desafio para compartilhar os conhecimentos produzidos no museu é principalmente voltado à forma de comunicação. Como comunicadores e divulgadores científicos, devemos facilitar a compreensão dos resultados obtidos em nossas pesquisas, e o mais importante, contextualizar esses conhecimentos para que o público perceba os impactos e a importância da conservação da biodiversidade amazônica”.
Melquisedeque Campos, que é natural de São Sebastião da Boa Vista, conta com satisfação como é ter a oportunidade de retornar à sua cidade levando parte da sua pesquisa e estudos de outros acadêmicos para dialogar com a sociedade. “Para mim, que cresci entre os rios, igarapés e florestas do Marajó, é uma honra retornar ao meu território, levando vários colegas pesquisadores para compartilhar o que estamos produzindo em nossas teses e dissertações. Além disso, esse trabalho de organizar, mobilizar e apresentar nossos trabalhos ao público geral, que não seja o acadêmico, é uma forma de retornar à sociedade o investimento com dinheiro público na nossa formação”.
Ao final da manhã e da tarde ainda terá um momento cultural, com apresentação de grupos locais e dinâmicas com o público para a realização de sorteios de brindes. Os jovens pesquisadores também levaram 15 exemplares do "Ancestralidade em Jogo", material produzido pelo serviço de educação do Museu Goeldi, e 40 exemplares da Revista de Games do Projeto Guardiões do Marajó para serem distribuídos.