Campus de Pesquisa do Museu Goeldi integra ´'Percurso em Terra Firme', exposição ao ar livre sobre a memória do bairro
Iniciativa do Ponto de Memória da Terra Firme convida a percorrer dez locais relevantes para a história da comunidade. A unidade do MPEG atua no bairro há quase 50 anos e preserva legado de ações educativas da servidora Helena Quadros.

Agência Museu Goeldi - Há quase 50 anos, o Campus de Pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) está instalado no bairro da Terra Firme, na periferia de Belém (PA), desenvolvendo, além de pesquisas e formação acadêmica, diversas ações de educação junto aos moradores. Devido a essa presença, a unidade científica foi escolhida como um dos dez locais da exposição “Percurso em Terra Firme”, realizada pelo Ponto de Memória da Terra Firme, reconhecido, em 2009, como um museu a céu aberto pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Cada local receberá um totem com informações sobre a sua importância histórica e cultural para a comunidade. A cerimônia de lançamento da mostra ocorre nesta sexta-feira (28), a partir das 14h, na Paróquia São Domingos de Gusmão, na Terra Firme.
A relação do MPEG com o bairro está ligada à atuação da pesquisadora Helena Quadros (in memoriam), que dedicou sua carreira à popularização da ciência na Amazônia. Poucos anos após a criação do Campus de Pesquisa, em 1978, a educadora passou a fazer parte do quadro da instituição, onde trabalhou de 1985 até 2021. A partir do convite do então diretor do Museu Goeldi Guilherme de La Penha, Helena Quadros coordenou projetos de extensão como “O Museu Goeldi Leva Educação e Ciência à Comunidade” e “Museu Goeldi de Portas Abertas”.

Ao longo da parceria entre o MPEG e a Terra Firme, a educadora realizou outras ações, incluindo a implantação de hortas comunitárias, oficinas de alimentação saudável, produção de jogos educativos e atividades de arborização das margens do rio Tucunduba. Com apoio institucional do Museu Goeldi, Helena Quadros foi uma das fundadoras do Ponto de Memória da Terra Firme, em 2009, aproximando os moradores da experiência museal no território.
Diretor do Museu Goeldi, Nilson Gabas Jr. afirma que é uma honra para a instituição fazer parte da memória e da história do bairro da Terra Firme, bem como integrar o roteiro da exposição idealizada pelo Ponto de Memória. “O diálogo construído ao longo de décadas pela educadora Dra. Helena Quadros, junto às lideranças comunitárias, escolas, professores, estudantes e moradores do bairro, constitui uma ação institucional de grande relevância para a trajetória do Museu Goeldi e para o fortalecimento das relações entre a instituição e a comunidade”, ressalta o diretor.
Coordenadora do Ponto de Memória da Terra Firme, Sâmia Queiroz explica que o percurso foi pensado para atender todos os públicos, mas em especial aos moradores do bairro. “Já tínhamos o interesse de realizar esse percurso de maneira mais informativa, interativa, participativa e educacional. Daí veio a ideia da exposição”. Para ela, o Museu Goeldi não poderia ficar de fora porque, ao longo do tempo, a instituição construiu, a partir das ações educativas implementadas por Helena Quadros, uma importante relação de parceria com o bairro. “Por meio de seu trabalho, Helena Quadros contribuiu para aproximar a ciência do cotidiano da comunidade, promovendo a popularização do conhecimento científico e fortalecendo o diálogo entre a instituição e os moradores. Sua atuação foi essencial para consolidar uma parceria baseada na troca de saberes, na participação comunitária e no reconhecimento do bairro como um território de produção de conhecimento e de cultura”, destaca a coordenadora.
Sâmia explica que a trajetória de Helena Quadros demonstra a importância de uma instituição como o Museu Goeldi estabelecer vínculos com as comunidades do seu entorno, não apenas para compartilhar conhecimentos, mas também para reconhecer e valorizar os saberes produzidos pelos próprios moradores. “O legado de Helena Quadros para o bairro da Terra Firme está na demonstração de que é possível fazer educação para além dos muros das instituições formais. Helena acreditava e praticava uma educação construída a partir da base, reconhecendo o conhecimento e os saberes populares como elementos fundamentais para a formação e para a transformação social”, complementa.
Além do Campus de Pesquisa do MPEG, os demais pontos que constituem a mostra “Percursos em Terra Firme” são: o Jardim Comunitário Madalena Pantoja, o Mural Memorial Helena Quadros, a Paróquia São Domingos de Gusmão, o Mercado Luar de Paquetá, a Feira da Terra Firme, o Instituto Cultural Boi da Terra, a Associação Cultural Boi Marronzinho, o Chalé da Paz e o Rio Tucunduba. Todos os pontos foram selecionados através de uma pesquisa que buscou compreender os sentimentos de pertencimento e de cidadania construídos pelos moradores em sua relação com estes lugares. Mais informações sobre o projeto e cada lugar que compõe o roteiro podem ser encontradas no e-book Percurso em Terra Firme.
Texto: Henrique Pimenta
Edição: Carla Serqueira
SERVIÇO: Abertura da exposição "Percurso em Terra Firme" |
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Data: 28 de agosto (sexta-feira) | 14h às 18h |
PROGRAMAÇÃO:
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