Risco e a relação risco x retorno
Em qualquer investimento inicialmente tem-se apenas uma expectativa de rentabilidade. No mercado, essa expectativa é conhecida como retorno esperado. É quanto se espera ganhar ao investir em determinado ativo. Porém, somente com o passar do tempo, e no momento do resgate da aplicação, é que se irá conhecer realmente qual foi o retorno obtido. Diversos motivos podem fazer com que o retorno obtido seja diferente do retorno esperado. Ou seja, sempre há alguma incerteza ao investir. O risco de um investimento pode ser considerado como a medida dessa incerteza. Ou seja, a probabilidade de o retorno obtido ser diferente do esperado.
Os riscos são inerentes aos investimentos. Como se costuma dizer, não há investimento sem risco. E isso é verdade! Ainda que alguns investimentos sejam rotulados como “livres de risco”, na prática o que ocorre é que eles são considerados pelo mercado como os de menor risco naquele mercado específico, o que é diferente de dizer que eles não tenham risco.
Considerando que os riscos influenciam não só a decisão de investimento, mas também impactam o alcance dos objetivos das pessoas, é importante conhecer as suas diferentes causas, ou seja, as diferentes nuances que trazem risco a um investimento. São elas:
Risco de crédito
Quando você investe, por exemplo, em um título de renda fixa, está emprestando dinheiro a alguma instituição (governo, banco ou empresa). Um dos riscos desse tipo de investimento é o de o tomador dos recursos (o emissor do título) não honrar com as suas obrigações de pagar juros ou amortizar o principal. Esse risco é chamado de risco de crédito, o risco de que a contraparte na operação não cumpra com as condições inicialmente estabelecidas. Tal risco é inerente aos títulos de renda fixa e devem sempre ser avaliados pelos investidores com cuidado.
Risco de mercado
É o risco decorrente das condições da economia. As mudanças nas expectativas do mercado em relação às principais variáveis econômicas, como taxas de juros, câmbio, crescimento econômico, aspectos políticos e fiscais, para citar alguns exemplos, fazem com que a percepção de valor dos investidores em relação aos ativos de investimentos em geral mude, o que provoca oscilações nos preços de negociação. Além disso, mudanças no cenário econômico podem impactar os resultados das empresas e dos negócios, fazendo com que o resultado e, consequentemente, o retorno aos investidores seja afetado. É fácil perceber esse tipo de risco em investimentos de renda variável, mas é importante o investidor estar ciente de que o risco de mercado também está presente nos ativos de renda fixa. Isso acontece, especialmente por movimentos nas expectativas com relação às taxas de juros ou a algum indexador, que faz com que os preços desses títulos sofram alterações. Nesse sentido, os títulos de renda fixa pré-fixados oscilam mais que os títulos pós-fixados.
Risco de liquidez
Está diretamente relacionado com a facilidade de se resgatar ou transferir um investimento a um valor justo (ver próxima seção). Se houver pouca liquidez, haverá menos investidores interessados em negociar o ativo, o que pode distorcer os preços de forma mais significativa, trazendo riscos ao investidor. Quando o contrário acontece, se muitos investidores negociam o ativo, diz-se que mais próximo o preço pode estar de seu valor de mercado. Mas isso não é uma verdade absoluta, pois em alguns casos os preços podem ser influenciados também por aspectos e vieses comportamentais. Este tipo de risco pode estar presente tanto em títulos de renda fixa como em renda variável.
Risco legal
Está relacionado a eventuais questões legais que poderão causar problemas no cumprimento das condições pactuadas. O título ou contrato pode ter defeitos jurídicos que impeçam ou dificultem o exercício dos direitos nele estabelecidos, permitindo ao devedor ou tomador não honrar as obrigações assumidas. Por isso é muito importante somente aplicar em investimentos regulamentados, nos quais o risco legal diminui bastante.
Risco operacional
Reflete as falhas ocorridas no decorrer do investimento que poderão ser provenientes de problemas nos equipamentos de uma companhia, falhas humanas no controle de custos e gerenciamento das quantias aplicadas, má administração dos recursos do emissor etc.
A relação Risco x Retorno
Será que existe relação entre o risco e o retorno esperado de um investimento? Imaginem que exista dois tipos de investimento no mercado. Ambos possuem exatamente o mesmo risco, porém o retorno esperado de um é maior do que do outro. Nesse exemplo, o que se espera é que todos invistam no que oferece a melhor rentabilidade. Dessa forma, ou apenas o título de maior retorno esperado seria negociado no mercado, ou o outro título passaria a oferecer uma rentabilidade maior até o ponto em que alguns investidores demonstrassem interesse por ele.
Na prática, diversos títulos e valores mobiliários são negociados com retornos esperados diferentes. Dessa forma, há que se esperar que os riscos sejam também diferentes. Ou seja, quanto maior for o risco de um investimento, maior deverá ser o seu retorno esperado. Ou, de outra forma, quanto maior o retorno esperado de um investimento, maior, provavelmente, será o seu risco.
Por essa razão, quando for investir procure sempre analisar o retorno e o risco conjuntamente. A análise apenas do retorno pode levá-lo a realizar investimentos com risco superior ao que estaria disposto a correr. E desconfie sempre de investimentos que prometam retornos milagrosos ou muito fora da realidade do mercado, pois os riscos inerentes podem ser muito altos. Em alguns casos, podem ser até mesmo uma fraude.
LEMBRE-SE: Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura