AIEA destaca parceria entre países de língua portuguesa no desenvolvimento de recursos humanos
Cooperação de instituições brasileiras, como a CNEN, com outras nações lusófonas que são membras da Agência, favorece a formação de profissionais no tratamento oncológico.

Durante recente entrevista publicada no canal do Youtube ONU News, o diretor adjunto do Escritório de Ligação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Nova York, Nuno Luzio, destacou a participação colaborativa dos países de língua portuguesa como pontes de transferência de tecnologia médica e também agrícola para fortalecer sistemas de saúde no continente africano e na América Latina.
A cooperação técnica dos países lusófonos membros da Agência – Brasil, Portugal, Angola, Cabo Verde e Moçambique (esse último sendo o mais recente país a ser admitido na AIEA, em 2023) está auxiliando, na avaliação de Luzio, no pronto atendimento a crises urgentes de saúde nessas nações e em outras com baixos índices de desenvolvimento, especialmente no que diz respeito ao tratamento contra o câncer.
Em Moçambique, por exemplo, segundo estatísticas oficiais do país, registra-se 26 mil novos casos de câncer, número este que poderá mais que dobrar até 2045. No ano passado, o país buscou o apoio da própria AIEA e da Organização Mundial de Saúde (OMS), para realizar uma revisão chamada ImPACT, com o objetivo de investigar o que pode ser feito para impedir o aumento dos registros dessa doença em território moçambicano e expandir o tratamento.

Diante dessa problemática, Moçambique contou também com o auxílio de outros países lusófonos mais avançados em radioterapia, como o Brasil, para capacitar seus profissionais a atuarem na contenção de neoplasias e no atendimento aos pacientes:
“O que é interessante ver aqui no mundo lusófono é a cooperação que há entre estes países, mesmo no âmbito da agência, e, por exemplo, só para ilustrar, três técnicos de radioterapia e dois enfermeiros especializados de Moçambique, do Hospital Central de Maputo, foram treinados em radioterapia no Brasil. A alguns anos atrás, Portugal decidiu dar 50 bolsas e isenção de taxas para 20 mestrados em áreas do nuclear, particularmente em física nuclear e medicina nuclear, sendo as bolsas, na maior parte, focadas em medicina nuclear, por exemplo, a países africanos de língua oficial portuguesa. Portanto, há, de fato, cada vez mais um entendimento que os lusófonos devem se apoiar nesta área da nuclear”, explica Nuno Luzio.
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O diretor adjunto da AIEA ressaltou que o Brasil é o principal país de articulação entre as nações lusófonas no cenário da energia nuclear no mundo, por conta do seu programa ambicioso, pacífico e de investimento em recursos humanos, além do fato do Estado Brasileiro ser membro dessa organização internacional desde a sua fundação, em 1957.
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), juntamente com outras instituições brasileiras como o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e a Embrapa, recebe regularmente bolsistas e profissionais de países de língua portuguesa para prestarem cursos de formação especializada de RH e adquirirem conhecimento técnico em formato de intercâmbio profissional.
Essa narrativa acentua a importância do Brasil no cenário nuclear internacional, com instituições capacitadas para difundirem o conhecimento para outros países integrantes da AIEA. Há exato um ano, por exemplo, o Instituto de Engenharia Nuclear, unidade técnico-científica da CNEN, sediou no Rio de Janeiro o renomado curso Nuclear Energy Management School (Nems), mantido pela agência, e realizado ineditamente em solo latino-americano para formar jovens profissionais para assumirem a liderança em projetos de gestão em energia nuclear e aplicações nucleares.
Escrita por: José Lucas Brito (Secos/ IEN)