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REDUÇÃO DE RISCO DE DESASTRES

Combate às desigualdades no centro da agenda de Redução do Risco de Desastres: GT aclama Declaração Ministerial

Em Belém, capital do Pará, além da chegada de consenso na Reunião Ministerial, o Grupo de Trabalho também aprovou seis compêndios construídos em colaboração com organismos internacionais e recebeu assinado por 15 movimentos da sociedade civil organizada a Carta de Belém. Durante a semana, também aconteceram dois eventos paralelos e a reunião técnica.

01/11/2024 18:13 - Modificado há um ano
A reunião contou com a participação de cerca de 30 países e mais de 10 organizações internacionais. Foto: Audiovisual/G20
A reunião contou com a participação de cerca de 30 países e mais de 10 organizações internacionais. Foto: Audiovisual/G20

Projeções climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que o mundo enfrentará cerca de 560 desastres por ano. Estima-se que mais 37,6 milhões de pessoas viverão em condições de extrema pobreza devido aos impactos das mudanças climáticas e dos desastres. Assim, em concordância da urgência por soluções e acordos internacionais efetivos sobre o tema, os países e uniões membros do G20, com acordo também dos países e organizações convidados, aclamaram, no Grupo de Trabalho (GT) de Redução de Risco de Desastres, uma declaração ministerial potente, a ser encaminhada aos chefes e líderes de Estado em sua Cúpula na próxima quinzena deste mês, no Rio de Janeiro. 

Combate às desigualdades no centro da agenda; reafirmação da necessidade de Sistemas de Alerta Precoce Multi-Riscos; afirmação da necessidade de mobilizar recursos financeiros, incluindo investimentos do setor privado e dos bancos multilaterais pela pauta; e reconhecimento das contribuições de soluções baseadas na natureza e de abordagens baseadas nos ecossistemas são alguns dos pontos que a Declaração assinala. 

O ministro Waldez Goés, de Integração e Desenvolvimento Regional, que coordenou os trabalhos do GT neste ano, destacou o ineditismo da aprovação e saudou o papel da Índia, que presidiu o G20 no último ano e deu o primeiro passo para a consolidação da pauta no G20. “Esta é a primeira vez na história do G20 que se alinha consensos entre os países no compromisso pela redução de risco de desastres como prioridade internacional”, afirmou Goés.

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Jader Barbalho, ministro das Cidades, co-coordenador do GT, alinhou-se ao colega. “Esse consenso mostra um avanço extraordinário das nações do G20, esse é um ponto central, a gente conseguir com altivez, mesmo com tantas visões diversas, pensando no futuro da novas gerações, plantar essa semente, indicar esse farol de que estamos comprometidos com a redução dos riscos de desastres”, disse ele.

Carta de Belém: a voz da sociedade civil no GT

Outro ponto a salientar na redação da Declaração é o reconhecimento do papel que as comunidades locais, incluindo mulheres, jovens, idosos e pessoas com deficiência, bem como povos indígenas têm em ações pela redução de tais riscos. Tal tópico dialoga com a Carta de Belém, que ao fim da Reunião Ministerial foi entregue à presidência brasileira, na figura dos ministros coordenadores, pela militante indígena Christhiana Wira Suruí, que compõe o Movimento Pela Soberania Popular na Mineração.

“É preciso rever o modelo econômico vigente e eliminar a produção e queima de combustíveis fósseis, responsável por mais de ⅔ das emissões que provocam o aquecimento global, bem como implementar políticas para o desmatamento zero. Urgem acordos internacionais por uma transição energética justa, a começar pelos mais ricos, além da responsabilização dos impactos causados pelas corporações transnacionais do agronegócio, da mineração, do setor energético, imobiliário e de infraestrutura, que hoje significam ameaça às populações locais”, destaca o documento assinado por 15 entidades que se estruturam a nível regional e nacional.

As linhas gerais do documento já haviam sido citadas ontem (31), no evento paralelo “Equidade em Ação: Acelerando Abordagens Inclusivas para Reduzir o Risco de Desastres”, que aconteceu como mesa redonda aberta à participação social no escopo discussões de alto nível do Grupo de Trabalho.

Compêndios: para além da Declaração Ministerial

Ainda ontem (31), o Grupo já havia lançado seis compêndios para orientar a gestão de riscos em casos de eventos extremos. O conjunto de publicações foi resultado de uma série de debates entre autoridades internacionais e representantes de movimentos sociais e sociedade civil organizada e focou nos seguintes temas:

1. Engajamento de pessoas em situação de vulnerabilidade
2. Infraestrutura resiliente a desastres
3. Soluções baseadas na natureza
4. Recuperação inclusiva e resiliente
5. Sistemas de Alerta Precoce
6. Abrigamento de crianças, mulheres, adolescentes e pessoas em situação de risco

Desenvolvidos com a colaboração do Escritório das Nações Unidas para Redução de Riscos de Desastres (UNDRR), Coalizão para Infraestruturas Resilientes a Desastres (CDRI), Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Organização Meteorológica Mundial (OMM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), os compêndios oferecem diretrizes fundamentais e estudos de casos que servirão de referência para as nações.

Por Franciéli Barcellos

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