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De olho no diabetes tipo 2: perder 15% do peso corporal já traz benefícios
Você já deve ter ouvido falar na existência de dois tipos de diabetes, a 1 e a 2. De uma forma geral, essa é uma doença causada pela produção insuficiente ou pela má absorção de insulina, hormônio que regula a glicose no sangue e garante energia para o organismo. Mas apesar desse conceito geral, os dois tipos trazem consigo algumas particularidades que os diferem.
O diabetes tipo 1 é hereditário e aparece geralmente na infância ou adolescência, apesar de também ser diagnosticado em adultos. Outro detalhe importante é que a causa ainda é desconhecida. Já o diabetes do tipo 2 acontece quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida, e sua causa está diretamente relacionada ao sobrepeso, comportamento sedentário, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos alimentares inadequados.
Para entender melhor como esse processo acontece, Eliziane Brandão Leite, que é médica endocrinologista e docente do curso de Medicina da Escola Superior em Ciências Para a Saúde (ESCS - DF), considera a insulina, hormônio que regula o nível de açúcar no sangue (glicose), uma espécie de “chave” para abrir a fechadura das células. Ficou confuso? Então vem entender melhor.
A glicose é um carboidrato, considerada uma das principais fontes de energia do corpo, sendo também um dos principais nutrientes das nossas células. Mas para isso acontecer, é necessária a presença de um intermediário para fazer a ponte entre as duas coisas. Para que a glicose, obtida por meio dos alimentos, possa entrar nas células, é preciso contar com a insulina. É ela quem vence a resistência dessas estruturas, permitindo essa entrada. Justamente por isso, pode ser associada a uma “chave”.
Depois de entender todo esse mecanismo, a endocrinologista explica que, ao longo dos anos, as pessoas que têm predisposição ao diabetes, como histórico familiar, por exemplo, vão perdendo essa capacidade da insulina funcionar, já que as células vão ficando cada vez mais resistentes – “mudando a fechadura”. Com essa mudança, a insulina deixa de exercer o seu papel corretamente e o pâncreas, glândula responsável pela sua produção, é obrigado a fabricar quantidades ainda maiores, tornando-se um ciclo vicioso até o momento em que esse hormônio para de ser produzido e o diabetes se manifesta em crises de hiperglicemia, que é o excesso de açúcar no sangue.
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A relação entre o diabetes tipo 2 e o excesso de peso
Como vimos anteriormente, o diabetes tipo 2 está ligado a fatores externos. Ou seja, está relacionado a condições ambientais, sociais, econômicas e culturais, além do comportamento individual, o que muitas vezes tem como consequência o desenvolvimento de sobrepeso e obesidade. Segundo Eliziane, quando o excesso de peso se concentra na região abdominal, conhecido por gordura visceral, é porque existe muita resistência na ação da insulina.
“Quanto maior a circunferência da cintura, maior a dificuldade para a insulina fazer ‘as fechaduras das células abrirem’. Em consequência, mais insulina será produzida até o esgotamento do pâncreas. Sem insulina suficiente, a glicose não entra na célula e sobra no sangue, causando a hiperglicemia – excesso de açúcar e todas as suas evidências. Assim, a pessoa com obesidade central evolui para o diabetes tipo 2”, explica a especialista.
E uma das formas de controlar a doença é reduzindo esse excesso de gordura. A boa notícia é que com 15% de redução no peso corporal já é possível perceber melhorias no quadro de diabetes tipo 2. E quando isso acontece nos primeiros anos do diagnóstico, o resultado pode ser bastante promissor para boa parte das pessoas, que conseguem atingir a normalização do nível de açúcar no sangue. Mas cabe lembrar que existem ressalvas: esse efeito não é válido para todo mundo e essa perda, para ser eficiente, deve ser concentrada na redução da gordura abdominal.
Para isso, a médica orienta que a base de todo esse processo deverá ser construída por meio da prática de atividade física e boas escolhas alimentares, que como o Guia Alimentar para a População Brasileira sempre reforça, tem como regra de ouro: a alimentação deve ter como base os alimentos in natura ou minimamente processados. Além disso, Eliziane explica que também faz parte do processo cuidar da saúde mental e manter as horas de sono em dia. Esses aspectos também influenciam, tanto na redução de peso quanto na diminuição do uso de remédios. “Além desses cuidados com o estilo de vida, algumas pessoas vão necessitar de medicamentos potentes para o controle do diabetes”, conclui a especialista.
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