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EDUCAÇÃO NO TRÂNSITO

Ciclistas, motociclistas e pedestres são foco da Semana Nacional do Trânsito

publicado: 23/09/2019 16h01, última modificação: 23/09/2019 16h01
Segundo o Ministério da Infraestrutura, cerca de 500 mil pessoas perderam a vida no trânsito entre 2008 e 2017
Semana nacional do trânsito 2

O ciclista e defensor da causa da mobilidade urbana Raul Aragão perdeu a vida em 2017, aos 23 anos, atropelado por um carro que trafegava em velocidade acima da permitida na via. Morador de Brasília, ele costumava se locomover pela cidade de bicicleta e atuava como voluntário em organizações que incentivam o ciclismo e defendem a conscientização no trânsito.

Rau foi uma vítima do trânsito e, atualmente, ciclistas, motociclistas e pedestres ainda são as partes mais vulneráveis, por isso, é neles que está o foco das mobilizações da Semana Nacional do Trânsito, que ocorre entre os dias 18 e 25 de setembro com o tema “No trânsito, dê sentido à vida".

Transformar as ruas em um ambiente seguro é um desafio que precisa de uma mudança profunda na sociedade, a partir da educação. É o que avaliou o coordenador-geral da organização não governamental Rodas da Paz, Raphael Barros.

O coordenador-geral da organização não governamental Rodas da Paz, Raphael Barros Fotos: TV Brasil 

“Uma política pública tem o tripé fiscalização, educação e estrutura. Tem que abordar de todos os lados, ter uma mudança profunda na sociedade, a partir da educação, da fiscalização. Ter uma estrutura que permita um trânsito saudável, de baixa velocidade onde a calma vai reinar e o número de acidentes vai diminuir”, disse Raphael.

Dados do seguro DPVAT divulgados pelo Ministério da Infraestrutura mostram que, de 2008 a 2017, cerca de 500 mil pessoas perderam a vida no trânsito no país, e outras três milhões ficaram com algum tipo de invalidez permanente.

Imprudência

Mãe do ciclista Raul Aragão, Renata Aragão Foto: TV Brasil

 A mãe do ciclista Raul, Renata Aragão, contou que a morte do filho ocorreu quando ele estava prestes a se formar na universidade e seu trabalho de conclusão de curso tratava da mobilidade urbana.

A perícia concluiu que o carro que atropelou o estudante estava a uma velocidade de 95 quilômetros por hora em uma via onde a velocidade máxima é de 60 quilômetros. Para ela, o acidente foi uma combinação da falta da experiência do motorista com a imprudência do excesso de velocidade. Renata defendeu punições mais duras para crimes de trânsito como forma de evitar acidentes.

Após a morte do filho, ela passou a se envolver com a temática da segurança no trânsito e mandou dois recados para motoristas e pedestres. “O primeiro recado é: devagar todo mundo chega bem. Sem velocidade as pessoas dificilmente morreriam, poderia haver um machucado, algo assim. A segunda coisa é seguir as leis de trânsito, principalmente a que diz que o maior tem que respeitar o menor, o motorizado tem que respeitar o não motorizado. A empatia com os outros modais é o que está faltando”.