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NUTRIÇÃO INFANTIL

Pesquisa inédita avalia saúde e nutrição de crianças brasileiras

publicado: 07/10/2019 16h13, última modificação: 07/10/2019 18h01
Até o fim do ano, todos os estados brasileiros receberão os pesquisadores de campo. Informações irão ajudar na construção de políticas públicas e estratégias de promoção da saúde para as crianças
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Foto: Pedro Gorender

Nesta segunda-feira (7), começa a penúltima etapa do estudo inédito que vai mapear a situação de saúde e nutrição de crianças de até cinco anos em todo o país. Pela primeira vez, o Ministério da Saúde bate à porta para levantar dados sobre o peso e altura e coletar sangue para verificar as condições de saúde das crianças. 

Serão visitadas 2.170 residências nos estados do Maranhão (MA), Piauí (PI), Ceará (CE), Pará (PA) e Amapá (AP), que integram o sexto ciclo do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani). As informações irão ajudar na construção de políticas públicas e estratégias de promoção da saúde para as crianças.

O mapeamento sanguíneo de 12 micronutrientes, como os minerais zinco e selênio, além de vitaminas do complexo B, serão estudados em todo o território nacional. Também serão levantadas informações sobre amamentação, doação de leite humano, consumo de suplementos de vitaminas e minerais, habilidades culinárias, ambiente alimentar e condições sociais da família também serão investigadas.

Desde março, 11.300 casas em 17 estados já receberam a visita de pesquisadores. Até o fim do ano, todos os estados brasileiros receberão os pesquisadores de campo. Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe finalizam a pesquisa com a última fase a partir de novembro. No total, serão estudados 15 mil domicílios em 123 municípios de todo o país.

A pesquisa de campo é coordenada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e foi encomendada pelo Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Também participam a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Ao todo, a iniciativa conta com a participação de 60 pesquisadores de 22 instituições acadêmicas públicas e privadas de todas as regiões do país.

Alinne Prado Nalbone, mãe de Arthur: peso e altura das crianças e das mães biológicas são coletados para o estudo Foto: Pedro Gorender

Identificação

Os pesquisadores que visitam os lares brasileiros estão identificados com camisas e crachás com o nome e a fotografia, além do logotipo do Ministério da Saúde. Assim que chegam ao local, o entrevistador explica os procedimentos e entrega um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, com detalhes da pesquisa e orientações de como entrar em contato com a coordenação para tirar dúvidas, incluindo a opção gratuita de ligar para o telefone 0800 808 0990. A participação é voluntária e os dados são sigilosos.

Procedimentos

Ao bater à porta, o entrevistador irá iniciar um questionário sobre saúde, verificar medidas de peso e altura das crianças e das mães biológicas e, ainda, coletar uma amostra de sangue das crianças com mais de seis meses de vida para verificar anemia e medir, além do ferro e ferritina, marcadores de inflamação, como proteína C reativa, as vitaminas do complexo B, minerais como zinco e selênios e micronutrientes importantes no organismo. Também será armazenada em um biorrepositório uma parcela do sangue para análises posteriores sobre marcadores genéticos e o perfil metabólico.

A coleta de sangue para análise é um dos principais diferenciais do estudo, permitindo a obtenção de dados inéditos. As amostras são cuidadosamente coletadas, transportadas e analisadas. Os resultados dos exames são entregues para as famílias e, em caso de desnutrição, obesidade ou deficiência de micronutrientes, os participantes do estudo serão encaminhados para unidades de saúde próximas às suas casas.

A realização da pesquisa segue rigorosa metodologia científica e foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Todos os entrevistadores, supervisores e coordenadores participam de treinamentos locais, com foco no rigor científico e na obtenção de dados de qualidade.

 Fonte: Ministério da Saúde