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Projeto Sirius entra na última etapa da produção de luz síncroton

publicado: 02/09/2019 17h13, última modificação: 03/09/2019 22h19
Fronteira tecnológica vai colocar o Brasil num grupo seleto de países
Projeto Sirius entra na última etapa da produção de luz síncroton

Foto: Divulgação Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM)

O Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM) já tem definida a próxima etapa do Sirius. É o comissionamento (colocação) de elétrons no terceiro acelerador de partículas que faz parte desse mega projeto que fica em Campinas, no interior de São Paulo.

A previsão é que isso ocorra ainda em setembro, transpondo 80% de execução física do empreendimento. Os outros 20% começam logo na sequência e consistem na montagem de três das 13 linhas de luz síncroton, previstas para começarem as ser entregues à comunidade científica do Brasil e do exterior em 2020.

É o que antecipou o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Marcos Pontes, que autorizou em junho uma suplementação orçamentária de R$ 75 milhões para o Sirius.

“A gente espera que no ano que vem algumas das linhas já estejam acionadas, já estejam em operação. Nós temos aí um restante de recursos que vão ser utilizados para o Sirius e é bom lembrar que isso é investimento, investimento de alto retorno, investimento muito importante para o país”, afirmou o ministro.

Quem não tem dúvida sobre esse investimento é o diretor do Sirius e do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM) - organização social responsável por fazer a gestão dos recursos repassados pelo MCTIC para o projeto. O pesquisador Antônio José Roque da Silva explicou que os experimentos do Sirius com luz síncroton de 4ª geração estão no limiar da vanguarda desse tipo de pesquisa no mundo, tendo um paralelo na Suécia.

“Ele posicionará o Brasil de uma forma bastante competitiva no que hoje a gente chama de economia do conhecimento envolvendo, principalmente, a questão de materiais avançados, que é uma questão crucial tecnológica para qualquer país hoje”, defendeu.

Sirius

 

Foto: Divulgação Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM)

E para quem acha que o Sirius está distante do dia a dia é só se dirigir a qualquer banheiro. Itens, que de tão básicos e automáticos passam despercebidos, não existiriam sem materiais radiados, da qual a luz síncrotron é um exemplo. Nesta lista se inclui fralda de bebês.

Isso sem contar, segundo José Roque, com os usos na indústria siderúrgica, agricultura e no setor de energia.

“Os síncrotons, de forma geral hoje no mundo, são as ferramentas mais amplamente utilizadas e com maior impacto na análise mais ampla de materiais. São usados pra você compreender desde fármacos e questões ligadas à saúde, passando por investigação de aços e materiais especiais para a indústria aeroespacial, para a indústria automotiva, caminhando por questões ligadas à agricultura, exploração de petróleo, questões amplas de energia”, disse o pesquisador.

História

O Sirius começou a ser construído em 2009. Já consumiu R$ 1.360 bilhão de um orçamento previsto de R$ 1.8 bilhão. A estrutura física do Sirius se assemelha a um estádio de futebol, compreendendo três aceleradores de partículas.

Depois de passar pelo primeiro acelerador (Linac) e pelo segundo (Booster), chegou a hora de ligar todos os sistemas do acelerador principal, recém-finalizado, e comissionar (colocar) os elétrons, que vão ser capazes de dar 600 mil voltas por segundo.

Para se pensar numa imagem é como se vários carrinhos estivessem numa pista de Autorama e eles fossem cada vez mais acelerados, girassem cada vez mais rápidos, atingissem a velocidade de 300 mil quilômetros por segundo, a velocidade da luz, e emitissem, justamente, o que é o objetivo do projeto: as linha de luz síncroton.

A data limite para todas as 13 linhas de luz síncroton estarem operacionais é em 2021 ano que vem.