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EDUCAÇÃO

Policiais e Bombeiros da ativa atuarão na gestão de escolas cívico-militares

publicado: 01/08/2019 15h02, última modificação: 05/08/2019 20h34
Medida consta em decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro
Militar na gestão de escola cívico-militar

Policial militar acompanha estudantes em escola do DF. Foto: Agência Brasil

Trabalhar junto aos jovens na prevenção ao bullying, à violência e criar um ambiente favorável à aprendizagem estão entre as missões dos militares que atuam nas escolas cívico- militares.

Como parte do projeto de implantar 108 novas unidades dessas escolas no país até 2023, os policiais e bombeiros da ativa passam a ter autorização para atuarem na gestão das unidades de ensino. Antes, a função estava restrita aos militares da reserva.

Com a mudança, o serviço de policiais e bombeiros militares nas instituições de ensino estaduais, distritais ou municipais contará como tempo de serviço nas corporações. A medida dá mais atratividade à função.

A autorização para que os militares da ativa trabalhem nas escolas está em decreto do presidente Jair Bolsonaro publicado no Diário Oficial da União do último dia 25.

Nas unidades de ensino, os profissionais vão atuar como monitores para auxiliar na gestão educacional. A ideia é que eles desenvolvam com os alunos atividades voltadas a questões de comportamento criando um ambiente adequado e seguro.

A estudante Kessyla Borges, 17 anos, faz o 3° ano do ensino médio no Centro Educacional 3, de Sobradinho, no Distrito Federal. A escola foi transformada em cívico-militar no início desse ano. Kessyla contou ter percebido que os assaltos e casos de violência nas proximidades da escola diminuíram com a presença dos militares. Para ela, a mudança foi positiva.

“A gestão também melhorou. Agora, é mais rigoroso, a gente não pode baixar a cabeça na sala quando estiver querendo descansar, não pode ficar saindo nos corredores”, disse a estudante.

Nas escolas cívico-militares, a organização didático-pedagógica, assim como financeira, fica por conta dos civis. Estas unidades são diferentes dos colégios militares que são de administração exclusivamente militar.

O tenente Souza Matos, sub-coordenador disciplinar do Centro Educacional 3, contou que os militares dão aulas de civismo, fazem palestras e cuidam da parte disciplinar fora da sala de aula. Segundo ele, no início houve um pouco de resistência de estudantes à presença dos militares, mas depois eles perceberam que a participação da polícia não estava ligada à ideia de punição. 

"O impacto que tiveram é normal, com o passar do tempo eles internalizaram nossa presença e veem em nós a amizade, tem a imagem de alguém que pode aconselhá-los. Esse projeto foi também um anseio da comunidade, dos pais", disse o tenente. Ele contou que a disciplina no ambiente escolar fez com que os estudantes focassem na aula e o rendimento escolar e notas melhoram. 

Compromisso pela Educação

A implantação de escolas cívico-militares faz parte do Compromisso Nacional pela Educação Básica. De acordo com o Ministério da Educação, as instituições têm Índice de Desenvolvimento de Educação Básica superior ao das civis, 6,99, ante 4,94.

A implementação do modelo depende de demanda das secretarias de educação junto ao Ministério. São as secretarias que indicam as unidades que passarão a adotar essa organização.

Atualmente, há no Brasil 203 escolas cívico-militares. Esses modelos, no entanto, foram criados por estado, cada um a sua maneira. O objetivo do Ministério é padronizá-las.

Estudante Kessyla Borges